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Particularmente, amo produções espanholas. Aprendi admirar a forma que eles conduzem a narrativa e como se diferencia do que costumamos ver.

Quando, a série Sky Rojo foi anunciada pela Netflix, o que mais me chamou a atenção foi não somente as mentes por trás da produção – os criadores de La casa de Papel-, mas também a presença de Miguel Ángel Silvestre, que desde Sense8 não via em cena.

Confesso que me surpreendi e muito com a primeira parte desta série, que além de trazer consigo uma trama envolvente e intensa, toca fundo na ferida de uma pauta pouco abordada que é o tráfico de mulheres.

Contextualizando, ao longo dos 8 episódios de 25 minutos cada, somos conduzidos pela narração de Coral, uma das prostitutas do bordel comandado por Romeo.

E tudo inicia quando uma das meninas, a Gina, ao tentar um acordo para sair da prostituição, acaba entrando em luta corporal com Romeo; ferida, Wendy e Coral decidem ajudá-la e acabam desacordando Romeo e fugindo logo em seguida.

O que elas não imaginavam é que este sobreviveria, e que agora, elas precisariam armar um plano para quebrar a roda deste esquema, que a muitos anos gira sem parar. Afinal, se não houvessem homens que pagassem, mulheres não precisariam ser sequestradas e forçadas a entrar nesta profissão para se salvar e salvar suas famílias.

‘Sky Rojo’, é um thriller de ação hipnótico, ousado e visceral. Que se utiliza da ingenuidade das meninas como alívio cômico, mas é mais profundo do que realmente pode ser.

Só a crítica social por trás desta produção, já vale seu play. Conhecer as histórias por trás de cada uma nas meninas é catártico. Mulheres abusadas pelos maridos, o uso de drogas para esconder suas dores, a família que as vendeu, prostituição por amor; cada história reflete pessoas reais, vidas reais e é tão perto de muitas realidades que transcende a experiência.

Álex pina tem o dom de nos entregar obras que nos viciam, a cada reviravolta. Foi assim com La casa de Papel, foi assim com White Lines, e assim também é com ‘Sky Rojo’. A Construção em doses homeopáticas de cada personagem, é a cereja do bolo quando descobrirmos que até os mais odiosos são completamente quebrados.

Esta primeira parte de ‘Sky Rojo’, serviu muito como uma carta de apresentação dos personagens e até onde eles podem chegar; o que está por vir a seguir não sabemos, mas queremos.

Em suma, ‘Sky Rojo’ é o retrato comovente dos traumas; além de um tapa na cara da masculinidade tóxica e daqueles que veem mulheres como objetos constantes de prazer; mas também uma ode a sororidade; e um lembrete constante do como somos fortes.

‘Sky Rojo’ já está disponível na Netflix.