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De uns anos pra cá, a Netflix tem investido muito em adaptações literárias, principalmente de livros para o público jovem-adulto. O preço da perfeição‘ que chegou hoje, 14 de dezembro,  é a mais nova aposta, mas não necessariamente um acerto.

A história que adapta Tiny Pretty Things de Sona Charaipotra e Dhonielle Clayton, não só mergulha em estereótipos clássicos de thrillers, como também entrega um desfecho previsível.

Iniciamos o primeiro dos 10 episódios com Cassie caindo do telhado da academia para bailarinos de elite, Archer [mesma cena do trailer]. A partir dai o espectador poderia pensar, “bom, teremos uma série investigativa”. Pois bem, sim e não.

Por mais que tenhamos tido uma tentativa de assassinato, a trama se concentra nos adolescentes da instituição e nas suas sub tramas, e por mais que cada um pareça um pouco culpado e pareça esconder segredos profundos, a investigação fica quase todo tempo, em segundo plano.

A chegada de Nevaeh, uma jovem dançarina negra da Califórnia; com intuito de abafar o ocorrido com Cassie, parece tumultuar ainda mais o lugar.

A jovem, além de se destacar além da média, começa a questionar muitas das imposições da escola de dança e acaba incomodando gente muito importante.

Como uma enorme colcha de retalhos, que une temas clássicos das mais aclamadas histórias de suspense investigativo, vemos o desenrolar de ‘O Preço da perfeição’.

Nudez excessiva, corpos sarados, acidentes de carro, o uso de drogas e até mesmo a prostituição, são abordagens presentes dentro da narrativa [e para o público alvo, isso pode ser um grande atrativo, de fato]. Mas tudo isso não me incomodou na história, mas sim o fato de que todos os problemas inseridos se resolvem com muita facilidade, tornando este, que seria uma série dramática incrível, extremamente superficial.

Confesso que a quantidade de episódio e o tamanho deles, é um dos pontos negativos da série; então se pudesse sugerir: Não maratone. Inclusive, acredito que este foi um show para ser assistido de maneira semanal, de forma que essas questões levantadas ao longo do texto, raramente seriam percebidas.

E embora séries neste estilo sejam algumas das minhas favoritas, não foi o caso de ‘O preço da perfeição’. Não que seja ruim, ou que você não possa gostar, mas que para mim soou como mais uma do gênero, não há nada de novo ali.

Cheia de camadas, se perde no exagero, e falha não só em aproveitar melhor personagens que tinham muito a dizer, como também em não abordar com profundidade a busca excessiva pela perfeição sofrida nestes estabelecimentos.

‘O Preço da Perfeição’ já está disponível na Netflix.