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Na história do entretenimento, é sabido que todos os grandes estúdios de cinema de Hollywood tendem a lançar suas produções de grande orçamento, possíveis sucessos de bilheteria primeiramente nos cinemas, pelo máximo de tempo possível, antes de laça-lo em outras plataformas. Contudo a pandemia COVID-19 modificou essas práticas, e agora os estúdios precisam se readaptar.

Em entrevista ao Insider, Patrick Corcoran, vice-presidente do National Associate of Theatre Owners, falou que os cinemas nos Estados Unidos estão funcionando com “10-15% do que a receita deveria ser nacional” pois, embora muitos estados tenham reaberto seus cinemas, mercados importantes como Nova York e Los Angeles permanecem fechados.

Tal movimento, forçou os estúdios de cinema a experimentarem outras práticas. Durante o verão, a Warner Bros. estreou ‘Tenet‘ de Christopher Nolan em cinemas internacionais antes de colocar o filme em locações selecionadas nos Estados Unidos um mês depois. Títulos menores chegaram, com sucesso variável, às nossas casas via on-demand ou por streamings.

A Universal começou esse movimento, lançando ‘Trolls World Tour‘, via on-demand para compra, que gerou uma arrecadação acima do esperado, algo em torno de 100 milhões de dólares nas primeiras três semanas nos Estados Unidos. Comparando com 2016, ‘Trolls’, havia arrecadado somente 120 milhões de dólares em cinco meses de exibição.

Em sequência outros estudios seguiram o mesmo caminho optando por lançar suas produções por outros canais.

E a Disney? Ao que tudo indica a Disney está preparando uma mudança substancial para o streaming, um movimento que não apenas mudaria a paisagem em Tinsel Town, mas também poderia matar os cinemas para sempre.

Mas o que isso quer dizer?

No início deste ano, a Disney chocou ao retirar dos cinemas seu muito aguardado remake de ‘Mulan‘ em live-action e, em vez disso, lançá-lo no Disney Plus, tornando-se o primeiro estúdio a lançar um grande blockbuster via streaming.

Tal ação impactou e muito os donos de cinemas que contavam com o longa para manter a arrecadação de bilheteria, enquanto lutam para se recuperar da pandemia. ‘Mulan’ então, foi lançado somente onde o Disney Plus ainda não tinha sido lançado, e em lugares com os cinemas já em funcionamento.

Na época do anúncio Bob Chapek, presidente-executivo da empresa, minimizou a medida, dizendo aos investidores que era uma mudança “pontual” e não uma mudança estratégica permanente para a empresa. Contudo, parece que uma nova movimentação se aproxima.

Após ‘Mulan’, a empresa fez o lançamento de ‘Hamilton‘ e já anunciou ‘Soul‘ também diretamente no streaming.

Em agosto, foi anunciado que nos oito meses desde o lançamento, o Disney Plus havia inscrito mais de 60 milhões de assinantes pagantes, um número enorme que a empresa previu atingir até 2024. Adicionando Hulu e ESPN Plus, o portfólio de streaming da Disney agora é bem mais de 100 milhões de assinantes.

E com os lançamentos digitais exclusivos, a Disney pode levar para casa 100% da receita, em vez de dividir a bilheteria com as salas de cinema, o que, é claro, oferece um roteiro extremamente lucrativo para streaming.

Qual é o impacto para os cinemas?

É incomparável em seu alcance e capacidade de lançar grandes sucessos de bilheteria. Da Marvel, Pixar e Lucasfilm à 20th Century Fox – a Disney possui todos eles. O mega estúdio está por trás de sete dos dez filmes de maior bilheteria do ano passado, bem como de oito dos filmes de maior bilheteria de todos os tempos.

Tudo é uma propriedade estabelecida pertencente a uma franquia popular. Quase não há risco de bilheteria com esses filmes. Eles são pesquisados ​​de mercado, testados pelo público e moldados para atingir todos os principais alvos comerciais que podem atrair o maior número possível de pessoas ao teatro, graças à nostalgia, aos super-heróis e às grandes estrelas de Hollywood.

Por causa disso, se a Disney decidisse se retirar dos cinemas, isso criaria um enorme vácuo de bilheteria que nenhum outro estúdio de cinema no momento seria capaz de preencher.

Contudo, o debate CINEMA x STREAMING é algo que está longe de ter um fim, afinal, ir ao cinema é cultural e histórico. “Os cineastas querem seus filmes na tela grande. Eles os fazem tanto nessa escala, mas também os fazem para audiências coletivas, para as pessoas experimentarem juntas”, disse Patrick.

Por mais que para Disney, lucrar nesse exato momento que estamos vivendo uma crise a nível mundial seja fundamental; retirar definitivamente suas produções dos cinemas talvez não sejam seus planos. Afinal, além da empresa ser peça chave para que essa roda permaneça girando; o público não pode ser privado de tal experiência.