Monstro lida com a injustiça e o preconceito da sociedade
A história de um menino negro acusado injustamente de um crime apenas por estar no lugar errado e na hora errada já é um assunto considerado batido. Foram tantas as produções inspiradas em histórias reais praticamente iguais, que é possível considerar o assunto repetitivo, mas a gravidade das situações não mudam o fato de que precisaremos falar sobre isso até não termos mais casos para contar.
Em 2020, os casos de George Floyd e Breonna Taylor impulsionaram o movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos e ao redor do mundo, movimentando a população, artistas e políticos. Casos como esses se repetem diariamente no Brasil, nos Estados Unidos e em diversas partes do planeta onde o racismo intrínseco na sociedade ceifa a vida inocentes, cuja única “culpa” foi ter nascido com a pele negra.
A mais recente produção da Netflix, Monstro, conta a história de Steve Norm, um menino de 17 anos nascido no Harlem, cheio de sonhos e uma família incrível ao seu lado. Norm queria trabalhar com cinema e fotografia, mas o destino e o preconceito o colocaram atrás das grades de uma cela. Norm estava em uma mercearia no exato momento em que um conhecido seu entrou no local para fazer um assalto, que deu errado. O dono da mercearia acabou morto e o rosto de Norm apareceu nas câmeras.
- 4ª Temporada de ‘Stranger Things’ ganha teaser enigmático
- OXIGÊNIO: O suspense psicológico da Netflix que você precisa assistir!
- Coletiva de imprensa marca o início das filmagens de ‘SEÑORITA 89’
- Elizabeth Olsen comenta sobre o final de WandaVision
- BRIDGERTON: Um Perfeito Cavalheiro | Livro + expectativas pra série
- ‘CONTOS DA FOGUEIRA’: Youtuber lança financiamento coletivo, conheça
O filme todo lida com o julgamento do menino, bem como de seu conhecido, William King (ASAP Rocky), o responsável por colocar Steve na prisão. Buscando aliviar a própria culpa, os dois verdadeiros culpados, King e Richard Evans (John David Washington) encontram formas de colocar Steve no crime e apontá-lo como culpado. Em um país racista, é fácil culpar um menino negro por um crime e se não fosse sua advogada (Jennifer Ehle), Norm não teria a menor chance de sair dali.
“Todos ali são inocentes, mas o sistema diz que são culpados”.
A frase dita por um dos colegas de Norm na prisão reflete o principal objetivo de Monstro. Apesar de ter sido exibido pela primeira vez no Festival de Cinema de Sundance há mais de três anos, é agora que Monstro ganhará o destaque e a importância que precisa ter. Assim como Olhos que Condenam, também distribuído pela Netflix, esse é um filme que precisa ser visto.
Harrison Jr. dá vida a Steve e sua performance foi bastante elogiada no festival, com razão. Ele interpreta Norm de forma orgânica e sincera e é possível ver nas expressões do menino a preocupação em passar o resto de sua vida na prisão.
É preciso destacar também a brilhante atuação de Jennifer Hudson e Jeffrey Wright, os pais de Steve. O casal vê o filho sendo acusado de um crime que não cometeu, além de ser verdadeiramente depreciado por um advogado branco, disposto a tudo para culpá-lo.
O roteiro foi escrito por Janece Shaffer e Colen C. Wiley, tendo como base o romance homônimo escrito por Walter Dean Myers. Dirigido por Anthony Mandler, Monstro é um grande filme, que traz uma temática necessária. Quantos Steves são injustamente culpados ao redor do mundo e quantos outros perdem a vida simplesmente por estarem no lugar errado?
Monstro chega a Netflix em 7 de maio de 2021.