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Quando foi lançada pela Fox, Lucifer era uma série policial, com um toque de ironia e um requinte de sarcasmo devido a seu protagonista. O sucesso foi absurdo e tudo isso principalmente devido ao imenso talento de Tom Ellis. O ator britânico se encontrou no personagem e interpreta ali o que provavelmente será o trabalho de sua vida. Como Lucifer, Ellis é perfeito e é impressionante o quão à vontade ele parece estar no papel.
Infelizmente, a Fox acabou cancelando a série, o que não impediu os fãs de clamarem por mais.

A Netflix acabou comprando os direitos da produção, para a felicidade geral de todos. Entretanto, desde que começou a ser produzida pela Netflix, Lucifer ganhou espaço criativo e pode aproveitar mais sua história, o que aqui se tornou algo ruim. A liberdade extrapolou os objetivos iniciais do seriado, que não é mais do gênero policial desde que chegou ao streaming.

Uma vez no streaming, vemos uma versão cada vez mais sensualizada de Tom Ellis, que virou um verdadeiro diabo promíscuo de Hollywood. Mesmo que apaixonado por Chloe, um relacionamento que já passou (e muito) da hora de engatar, Lucifer não perdeu o sexappeal. Embora os fãs torçam muito pelo casal, a Netflix perdeu o limite na hora de enrolar o público e o relacionamento divertido se tornou uma verdadeira novela.

A primeira parte da 5ª temporada deixou claro que a Netflix precisava arrumar uma forma de manter o público entretido. Para isso, deram ao melhor ator em tela um segundo personagem e Ellis passou a interpretar Lúcifer e Miguel. Infelizmente, isso também não deu certo. Os irmãos rivais não conseguiram criar algo legal entre si e ao final, queríamos que Miguel sumisse e Lucifer voltasse a ser o único personagem de Ellis. Felizmente, Miguel some na segunda parte da quinta temporada, algo que deveria resolver o problema celestial. Não resolveu.

Mesmo com um elenco excelente, composto por D.B. Woodside, Rachel Harris, Lesley-Ann Brandt, Lauren German, Aimee Garcia e Kevin Alejandro, a série voltou a ficar boba. Abusando dos episódios musicais, com personagens cantando a cada nova fala de um diálogo, Lucifer se tornou uma versão demoníaca de um seriado adolescente, substituindo problemas do Ensino Médio por problemas “de adulto”. A chegada de Deus apenas piora, pois o personagem escolhido como o Todo Poderoso simplesmente não engata.

É provável que apenas German mantenha a mesma linha de pensamento de sua personagem, pois os outros adentram de cabeça no tema musical e também se perdem. Embora criativa e divertida, a nova temporada não traz um ânimo no público suficiente para que a luta por novas temporadas continuem. Infelizmente, parece que a era do demônio da Netflix está mesmo no fim.

Lucifer está disponível na Netflix