Os fãs de Euphoria ganharam um presente na noite passada (22 de janeiro). Isso porque de maneira antecipada, para os assinantes do HBO Go, houve uma pré-estreia, do segundo episódio especial, focado em Jules, intitulado “F * ck Anyone Who’s Not A Sea Blob“.

Assim como “Trouble Don’t Last Always“, que foi ao ar em dezembro, e promoveu um serviço de utilidade pública, trazendo esperança para àqueles que assistiram e que se sentiam um pouco como Rue; “F * ck Anyone Who’s Not A Sea Blob” preenche algumas lacunas sobre Jules que desconhecíamos, bem como seus sentimentos mais profundos sobre Rue e Tyler (Nate).

Gravados durante a pandemia, de maneira intimista e com a função de conectar temporadas, o episódio começa com Jules na sua primeira sessão de terapia, durante as festas de natal. Após fugir, seu pai a encontra em Nova York, a coloca de castigo e a obriga fazer terapia.

No início, percebemos Jules relutante. Contudo, acaba cedendo, e se sentindo confortável em abrir seu coração e dialogar sobre seus traumas, que incluem: seu relacionamento com sua mãe, sua ex-Rue e seu ex-namorado online Tyler, que na verdade era Nate.

Baseado em um poema que Hunter Schafer havia escrito, e preocupado em mostrar para o público que Jules é tão problemática, quanto Rue; Sam Levinson procura esmiuçar cada detalhe da personalidade da personagem, e é visceral.

Jules diz à terapeuta que está pensando em interromper a reposição hormonal, já que ela já tinha medo do que a puberdade faria a ela como uma mulher trans, mas está repensando a ideia de feminilidade que ela se agarrou por tanto tempo, e que agora pensa ter sido formada somente pensando no que os homens gostariam que ela fosse.

Jules fala sobre suas inúmeras camadas, moldadas com base em cada pessoa que se relacionou. Ao buscar a feminilidade, a feminilidade a encontrou. Mas o que é feminilidade? Esse é só o início da reflexão de Jules, ao mencionar que Rue, foi a primeira mulher que a viu, despida de todas as camadas, como uma mãe a veria; “Ela me amava como uma mãe, só por eu existir”.

E neste ponto, descobrimos sobre a mãe de Jules. Até então, só sabíamos que a mesma a havia deixado internada em uma instituição, e quem a resgatou foi seu pai, com quem vive. Não conhecíamos o Backgroud, que ao ser explanado fez todo sentido.

Acontece que, embora não tenhamos visto durante a primeira temporada, Jules estava lidando com a sobriedade frágil de sua mãe e tentativas de se reconciliar com ela durante meses.

Neste momento há um paralelo entre os sentimento de Jules para com Rue e sua mãe. Ambas adictas. Jules estaria projetando a mágoa de sua mãe para Rue? A questão é que ambas [Rue e Jules] estão quebradas, e buscaram uma na outra a cola para juntar seus cacos.

Precisamos enaltecer, abrindo aqui um parênteses, a direção e fotografia de “F * ck Anyone Who’s Not A Sea Blob”, que através de um flashback, que mais parece um filme antigo, vemos cenas íntimas entre Jules e Rue, por outro olhar; e percebemos a dor de Jules de não conseguir se entregar à relação.

Isso acontece com Jules tendo sua própria visão do que poderia ter acontecido se elas fugissem juntas.

Jules também conta ao terapeuta sobre seu relacionamento íntimo com Tyler, do qual ela ainda fantasia e sente falta. Sim, pudemos ter a certeza que a mesma é dividida em relação aos seus sentimentos. Mas, ela também sabe que era tudo fruto de sua imaginação, e é por isso que era tão perfeito para ela – embora hoje, seja parte de um trauma.

Tal momento, do episódio é um dos mais impactantes, pois desenha para os que ainda não haviam entendido, o sentimento de Jules, para com essa dualidade. Quanto mais Jules se aproximava de Tyler, mais ela perdia Rue. E a pressão de saber que ela era que mantinha Rue sóbria, era muito para Jules, que também tinha suas próprias dores.

 

“Você já pensou em se ferir” – Terapeuta

“Existe um limiar entre pensar e querer” – Jules

 

Forte né? Mas extremamente reflexivo, quando se pensa em uma adolescente com tamanha responsabilidade nas costas. Mãe, Nate, Rue, transição…

O especial termina com Rue indo visitar Jules [Essa cena parece se passar, antes dos eventos do primeiro episódio especial]. Rue diz a Jules que ela estava andando de bicicleta por sua casa a caminho de ver Alie. Ambas verbalizam a saudade que sentem. Jules começa a se desculpar por deixar Rue e Rue começa a chorar e deixa escapar, “Feliz Natal, Jules” antes de sair. Jules começa a chorar sozinha em seu quarto.

Essa cena é extremamente emocional, e deixa claro que ambas ainda sentem mágoas; e que precisam juntar seus cacos emocionais, e curar suas próprias dores, para ai sim se reconectarem.

Me preocupa, como as veremos no segundo ano do show. Suportes emocionais que são, como lidarão com tudo?!

A primeira temporada de Euphoria está disponível no HBO Go. O segundo episódio especial chamado de ‘Parte 2: Jules’ irá ao ar em 24 de janeiro na HBO.

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