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Quando a Disney anunciou o lançamento de Cruella, seu mais novo live-action, muitos ficaram receosos com a possibilidade. A vilã de 101 Dálmatas é a segunda dos clássicos de Walt Disney a ganhar uma produção própria, seguindo os passos de Malévola. Protagonizado por Angelina Jolie, o filme contou um pouco mais da história da madrasta de Aurora, a Bela Adormecida.

A escolha da Disney em trazer Cruella foi algo intrigante e possivelmente problemático no começo. Em Malévola, vemos uma tentativa de explicar o passado da vilã, de forma que seu futuro como antagonista fosse justificado. Caso o mesmo processo tivesse sido aplicado em Cruella, como explicar uma mulher que tem como hobby o assassinato de animais, pelo bel prazer de fazer casacos? Felizmente, a Disney não seguiu por esse caminho e o sentimento de ódio que temos em relação a ela permanece.

O Filme

Em Cruella, descobrimos novas informações sobre a vilã e conhecemos um pouco mais sobre sua história. Não há uma tentativa de humanizá-la, apenas de contar um pouco mais de seu passado conturbado e seu amor pela moda. É provável que o público não soubesse, por exemplo, que o nome de Cruella é, na verdade, Estella. É provável também que ninguém saiba que ela foi criada por uma mulher infeliz e de mal com a vida, algo que claramente reflete em seu humor. O filme explica perfeitamente a transição entre a menina jovem e a adolescente cruel que vemos anos depois tentando matar a família de Pongo.

A produção procura explicar ao público o que aconteceu antes de conhecermos a mulher rica do desenho clássico. Estella perdeu a mãe muito nova e foi obrigada a sobreviver pelas ruas da Inglaterra. É lá que ela conhece seus famosos capangas, Jasper e Horácio, que sabemos muito bem o destino que terão quando Cruella surgir.

É provável que de todos os live-actions produzidos pela Disney até agora, esse seja o mais divertido. Mesmo se tratando de uma vilã cruel e assassina, o filme não entra na sombriedade da personagem, afinal, não podemos esquecer que o público aqui varia em todas as idades. Até mesmo Malévola, que contava a história boa de uma vilã. trouxe momentos mais lúgubres e misteriosos do que Cruella.

Falar de Cruella é também falar do visual do filme, um detalhe a parte na produção. A Disney soube muito bem desenvolver meticulosamente cada linguagem dos visuais e figurinos, ao mesmo tempo que não perde a elegância que precisa ter. Cruella é uma vilã fria e calculista, mas também é uma referência no mundo da moda e não podemos esquecer disso. Em algumas cenas, como a dança e o baile, trazem um verdadeiro espetáculo nas nuances de cada dobra, cada ponta de um vestido feito a perfeição para suas personagens.

O elenco

E por falar nelas, não há como falar de Cruella e não mencionar sua protagonista e sua vilã. Emma Stone consegue incorporar perfeitamente a alma da vilã de 101 Dálmatas, criando uma versão maléfica, mas divertida da personagem. Sua interpretação é muito mais complexa do que a de Glenn Close no primeiro live-action. Close precisava apenas ser malvada, enquanto Stone precisa cativar. Vemos muito mais camadas e cores na figura de Emma Stone, que é antes de tudo, uma socialite rica e ambiciosa.

Como se já não fosse o suficiente, Cruella ainda nos traz a Baronesa de Emma Thompson. A atriz é uma designer obcecada pela moda, que serve como uma espécie de mentora para a pequena Estella. Thompson está brilhante e genial na personagem e parece que foi feita para o papel. É engraçado pensar na atriz de Nanny McPhee como uma vilã em um filme de vilã, mas Thompson realmente dá um show.

Por fim, precisamos falar da cereja do bolo de Cruella. A trilha sonora é quase um filme a parte, criando canções conhecidas em novos tons e apresentando um ritmo musical bem diverso. Cada cena é moldada pela música que estampa o fundo e muitas vezes nos pegamos perdidos em toda a melodia que está ali.

Cruella é brilhantemente bem desenvolvido e um filme completamente inédito ao catálogo numeroso de Walt Disney.