Quando meses atrás foi anunciado o cancelamento de ‘O Mundo Sombrio de Sabrina‘, eu lamentei. Lamentei por se tratar de uma das melhores série originais Netflix, mesmo que tivesse nela, aos mãos do Roberto. Com Sabrina -no início- ele conseguiu fazer algo que não conseguiu com Riverdale: Uma história adolescente com dramas adolescentes de verdade, fora a camada fantástica que a série pedia.

Ao longo das temporadas, que aqui são chamadas de partes… Camadas foram inseridas, o que começou a dividir o público. Roberto rapidamente tratou de inserir elementos de Riverdale em Sabrina e vice-versa (para quem não sabe eles pertencem ao mesmo universo nos quadrinhos). Mas para que? Para mero fan service e forçar um crossover que já havia sido negado anteriormente? Muitos acreditam que isso tenha sido o fator principal para que a produção tivesse seu fim… No entanto, depois de assistir, acredito que este encerramento já estava anunciado fazia tempos.

A verdade é que a parte 4 de Sabrina foi um imenso emaranhado de informações desconexas, atropeladas e injustificáveis. E falo isso com muita dor, pois o CAOS é, e sempre foi uma das minhas produções favoritas da Netflix. Me entristeceu a forma que o show se encerrou e mais ainda como tudo foi entregue ao longo dos oito, cansativos episódios.

Antes de iniciar minha explanação, quero que saibam que procurei tratar os pontos com muito respeito e carinho, não só pelos fãs mas também pela história. E mesmo com muitos pontos negativos, precisamos, obviamente destacar o que foi, de fato especial.

Como Roberto havia mencionado anteriormente em entrevistas, os episódios da parte final seriam meio que independentes e funcionaria como “Um Mini filme de terror” que se complementariam no final. E assim foi realmente, todos inspirados no universo Lovecraft.

De início vemos o Padre Backwood -que agora tem sua própria igreja, chamada Peregrinos da noite- invocando todos os “Terrores do Sobrenatural”: A escuridão, O indesejado, O estranho, O perverso, O cósmico, O ressuscitado, O eterno e o Vazio. Cada terror equivale a um dos episódios ao longo da temporada. Inclusive, é preciso levantar aqui, que tal escolha criativa foi péssima. O plot principal da história que era o fato de Sabrina ter criado uma realidade alternativa, quase cai no esquecimento, sendo lembrada somente da metade da temporada em diante, o que tornou tudo extremamente corrido e com resoluções simples -o que não faz jus ao legado de Sabrina- ao meu ver.

Enquanto isso, vemos Sabrina vivendo uma vida “normal” com sua família e amigos. Se vocês bem se recordam terminamos a parte 3 com duas Sabrinas no mundo. Uma viveria como Rainha do inferno e a outra na Terra. Mas parece que todo esse marasmo da normalidade incomoda a Spellman, que passa a forjar alguns mistérios para que seu ‘Clube do medo’ volte a ativa. No entanto os jovens agora estão mais preocupados com seus relacionamentos.

A Verdade é que a personagem nunca quis ser normal, ela sempre gostou de ser a líder de torcida pela manhã e a rainha do inferno a noite; isso sempre fez parte dela; e agora que parte lhe foi tirado – porque ela mesma o fez- ela se sente incompleta, e até mesmo inútil.

Tal sentimento, traça um paralelo real, com muitos jovens de hoje e como muitos se sentem em meio aos seus circulos sociais. Cabe sempre reflexão mesmo que tenha sido de maneira sutil na história, na vida precisamos estar atentos.

É somente quando todos percebem algo esquisito rondando Greendale que a bruxinha encontra a felicidade, e com a ajuda dos que a cercam consegue derrotar o mal. Inclusive o fato de uma Sabrina sempre contar com a outra é muito especial e carregado de significado, nos mostra que todas lutamos as mesmas batalhas, os mesmos dramas, mas com pontos de vistas e experiências únicas que é o que nos diferencia como pessoas.

Contudo, não seria Sabrina se não houvesse sempre uma série de confusões atreladas ao seu nome. E não seria Roberto se não mostrasse os adolescentes com os hormônios a flor da pele.

Essa temporada foi marcada por muita música, que inclusive foram muito bem interpretadas pelo elenco; no entanto, a forma que o Roberto, quer SEMPRE enfiar em todas as séries que cria números musicais, me deixa extremamente desconfortável. O Mundo está acabando: “A vamos fazer uma batalha de bandas”. Eu não creio que caiba dentro da narrativa, fica forçado e desnecessário.

Houveram também muitos momentos bem pesados envolvendo Lilith na história, entendo que se trata de um “demônio”, mas alguns questões ali fugiram um pouco, ao meu ver.

A parte final de Sabrina é uma das mais macabras, com muito sangue e principalmente com muitas perdas que vão chocar os fãs. Eu mesma me emocionei, e muito!

Mas as emoções não ficam somente por conta das perdas inesperadas, mas também pela homenagem a série clássica. Ver na tela as tias Zelda e Hilda de ‘Sabrina aprendiz de feiticeira’ foi um presente para os fãs que acompanharam a sitcon, e um convite para os jovens que desconheciam. Mas o maior presente foi ver o que todos nós queríamos desde o início, o SALEM!

Outro destaque positivo foi a crítica feita sobre a intolerância e o fanatismo do mundo e como isso cega as pessoas, levando-as a atitudes impensadas muitas das vezes. O feminismo e a força feminina também foram pautas dentro da narrativa.

A produção de ‘O Mundo sombrio de Sabrina evoluiu e a qualidade fotográfica idem. O Blurr, que é uma das características mais marcantes da série estava lá sempre que havia magia, e isso é incrivelmente lindo, visualmente.

No mais, por mais que o desfecho tenha tido inúmeros episódios e subtramas esquecíveis. Entregou um final corajoso e surpreendente. Já digo que alguns fãs, aqueles mais fervorosos, irão se incomodar com o rumo que a história irá tomar, mas é aquilo… nem tudo é o que queremos. E isso é uma das mensagens o show sempre quis nos mostrar.

Todas as temporadas do Caos estão disponíveis na Netflix. E a parte 4, com 8 episódios, estreia dia 31 de dezembro.

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