Mamãe está com Câncer‘ é certamente uma das leituras mais emocionantes e significativas que fiz esse ano. O quadrinho escrito por Brian Fies, e publicado pela Darkside Books, descreve o processo de descoberta e tratamento do Câncer, e como tanto a paciente, quanto a família lida com todo o processo.

Brian consegue de maneira lúdica, mas ao mesmo tempo visceral, transmitir ao leitor todas as adversidades da luta contra essa doença que assola grande parte da população mundial.

Tivemos a possibilidade de conversar com o autor ganhador de um prêmio Eisner, sobre ‘Mamãe está com Câncer’ e trazemos aqui, para vocês!

‘Mamãe está com Câncer’ é baseada na experiência do próprio autor com sua mãe; e quando questionamos sobre a dificuldade de contar essa história ele nos respondeu: “Percebi que os quadrinhos podem ser uma maneira muito boa e poderosa de contar a história de nossa família quando um dia levei mamãe para a quimioterapia e desenhei um esboço dela dormindo em sua cadeira. Aquele desenho animado capturou mais sobre como foi aquela experiência do que eu poderia explicar em mil palavras. O meio dos quadrinhos é tão poderoso! Quando uma história em quadrinhos está funcionando corretamente, pode parecer um toque direto da mente do criador para a do leitor. O que dificultava era tentar observar e entender tudo o que acontecia, como um jornalista, ao mesmo tempo que participava da história. Meu trabalho mais importante era ajudar minha mãe e minha família. Enquanto isso, eu observava e tomava notas de conversas ou eventos que achei que poderia desenhar mais tarde. Então, eu estava realmente fazendo dois grandes trabalhos ao mesmo tempo, e era exaustivo.”

Brian ainda nos disse que escrever sobre, foi como uma terapia para lidar com a situação: “Se você vai escrever sobre algo, você tem que entender . Por que algo aconteceu? Por que ficamos surpresos com isso? Por que a reação da minha família ou da minha família foi tão diferente do que eu esperava? Você tem que responder a perguntas como essa antes de colocá-las no papel.”

Por se tratar de algo tão pessoal, perguntamos como sua família reagiu ao descobrir que estava compartilhando a história com o mundo: “Eu estava com muito medo no começo, porque comecei a história em quadrinhos como uma webcomic anônima online. Minha família não sabia que eu estava fazendo isso. Mas acabei tendo que contar a eles e, felizmente, minha mãe adorou! Se ela não tivesse gostado, se a tivesse deixado triste ou ansiosa de alguma forma, eu teria matado o projeto inteiro. Acho que mamãe viu o gibi como algo bom que pode vir de sua experiência terrível. Ela me disse: “Mal posso esperar para descobrir o que acontece a seguir!” […] Minhas irmãs e outras pessoas disseram que não se lembravam de tudo exatamente como eu, mas respeitaram que eu tivesse que contar a história do meu jeito e entenderam por que o fiz. Depois de um tempo, acho que eles ficaram orgulhosos disso.”

O que mais me fascinou na história de Brian, foi o fato de ser tão verdadeira. Desde o sentimento da descoberta e da montanha russa de emoções que é para a vida tanto da família, quanto do paciente; até mesmo a sensação de “descaso” de alguns membros do corpo médico, limitando informações. Tais pontos trazem para leitores que viveram experiências parecidas, uma sensação de pertencimento. Mas como foi esse retorno para o autor? Ele nos contou: “Fiquei surpreso e gratificado quando pessoas ao redor do mundo começaram a me dizer que haviam lido minha história e era como se eu estivesse em suas casas observando-os. Eu não esperava aquilo. O que descobri é que, independentemente de onde vivemos ou do idioma que falamos, as famílias que passam por uma crise como o câncer são as mesmas em todos os lugares. Também descobri que os leitores respondem melhor às partes em que sou mais honesto, mesmo que isso me faça parecer mal. Por exemplo, há uma parte em que fico zangado com pacientes com câncer que fumam fora da clínica onde recebem o tratamento. Bem, eu gostaria de ser uma pessoa melhor do que isso. Eles eram pessoas muito doentes que não mereciam minha raiva. Mas as pessoas me dizem que se sentiam da mesma maneira e tinham vergonha de admitir isso para alguém. Eu sabia que minha história só seria útil se eu fosse o mais honesto possível. Tentei ser um bom jornalista.”

Para finalizar, Brian nos contou que existem outros projetos em andamento, no entanto não sabe se mais algum de seus quadrinhos será traduzido para o português “mas adoraria se acontecesse.”. Nós também, Brian… Nós, também…

Sinopse: Para enfrentar a batalha do câncer de sua mãe, Brian Fies resolveu compartilhar todos os seus questionamentos e emoções em uma história em quadrinhos. Mamãe Está com Câncer surgiu, inicialmente, no formato digital, maneira que Fies encontrou para lidar com a situação aflitiva da mãe e toda a angústia da descoberta em família. O resultado alcançado pelo desenhista, no entanto, foi mais que um desabafo pessoal. A partir de sua proposta corajosa de colocar no quadrinho as dúvidas, os sentimentos e a verdade de um momento tão difícil, Fies conseguiu criar um ambiente que abre espaço para a empatia. É a história da Mamãe, do narrador e de suas irmãs, mas, ao mesmo tempo, a história de todos que se preocupam com alguém que amama.

Conheça mais sobre o quadrinho de Brian, aqui.