BLADE RUNNER RETORNAR AOS CINEMAS MAIS DE 30 ANOS DEPOIS, MAS SEM GRANDES NOVIDADES!

O filme Blade Runner de 1982; adaptado do livro “Do Androids dream of eletric sheeps” de Philip K. Dick, lançado em 1968; adaptado por Hampton Fancher e David Peoples e dirigido por Ridley Scott, conta a história do policial Deckard (Harrison Ford) que tem a missão de caçar os replicantes, uma espécie de androide criado pelas empresas Tyrell Corporation para trabalhar nos lugares dos homens em uma Terra já devastada.

Blade Runner 2049, também escrito por Fancher, desta vez com Michael Green, conta com a volta de Scott como produtor executivo, mas agora sob a direção de Denis Villeneuve, responsável por títulos como A Chegada e Os Suspeitos.

Nesse novo filme a história é retomada em um futuro onde as empresas Tyrell faliram e seus espólios foram comprados pelas empresas de Niander Wallace (Jared Leto), que agora fabrica replicantes mais modernos e mais obedientes, e desta vez cabe ao policial K (Ryan Gosling), um replicante da nova geração, caçar os replicantes antigos que por algum motivo escaparam da regra dos 4 anos de vida e devem ser “aposentados”.

Contar mais que isso é estragar a experiência de assistir o filme. Blade Runner é daqueles filmes que contam mais do que o simplesmente o que está escrito no roteiro, ele te leva em uma viagem onde é mais importante sentir do que ver ou ouvir.

Assim foi no filme de 1982 e assim é em 2017. Isso só é possível graças ao excepcional trabalho de direção de Villenueve, que com longas cenas, muitas vezes sem nada ser dito, e até mesmo sem nada estar acontecendo, leva o espectador a divagar sobre qual é o significado da vida e do sentido de humanidade, que se mostra o real tema do filme.

A direção é auxiliada pela trilha sonora pesada assinada por Benjamin Wallfisch e por Hans Zimmer, que aprofunda o sentimento de contemplação e com o ritmo propositalmente lento te joga pra dentro da película.

A fotografia de Roger Deakins ajuda a remontar o mundo criado no filme de 82, mas sem parecer uma coisa datada, e é simplesmente a melhor coisa do filme, e mesmo mostrando um futuro em uma Terra devastada, é linda e amplia o que já foi visto em menor escala no filme original.

Mas o principal acerto, também é o grande problema do filme. Blade Runner 2049 expande seu mundo nessa continuação, mas trás pouca coisa de novidade.

O roteiro do filme pouco acrescenta a discussão abordada no longa de 82, e mesmo 35 anos depois parece que a história não evoluiu. Ainda temos o caçador de replicantes, que quanto mais se aproxima deles, mais questiona o sentido de sua missão.

Isso não estraga a experiência de assistir o filme, mas deixa um gostinho de que alguma coisa faltou, e dá a sensação de que ainda estamos vendo o mesmo filme de antes.

A atuação de Ryan Gosling como o novo Blade Runner é um primor, mesmo carregando a responsabilidade de se colocar na posição do personagem de Ford do original, e ainda contar com a presença de Deckard no terceiro ato do filme, ele carrega todo peso dramático necessário para levantar os questionamentos sobre o preconceito por ele ser um replicante em meio aos humanos, e a necessidade da raça humana em subjugar aquilo que é diferente.

Blade Runner 2049 é um espetáculo visual e sensorial, daqueles que te faz sair do cinema refletindo sobre a vida, e vai fazer com que o fã se sinta respeitado pelo trabalho apresentado por Villeneuve e toda equipe, e já se garantiu nas listas dos melhores filmes do ano.

Blade Runner 2049 já está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.

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