Tribes of Europa mistura o clichê com toques de originalidade

Adolescentes vivendo em um futuro pós-apocalíptico, rodeados por pessoas misteriosas, com pinturas no rosto e roupas escuras. Por que estamos falando da premissa de The 100 em pleno fevereiro de 2021? Essa é, na verdade, parte da trama de Tribes of Europa, o mais novo lançamento da Netflix a chegar no streaming. Original da Alemanha, a série peca ao trazer uma trama clichê já abordada em outras produções da mesma plataforma, como The Rain e 3%, mas encontra seu espaço de originalidade. 

A série

O cenário aqui é 2029, onde o uso abusivo da tecnologia resultou no término do mundo que hoje conhecemos. Os continentes foram separados, as leis foram criadas por aqueles que sobreviveram e quase toda a tecnologia desapareceu. As pessoas foram obrigadas a viver com aquilo que encontraram pelo caminho, mais ou menos o que acontecia antes da tecnologia chegar em nossa sociedade. As cidades deram lugar a tribos, criadas pelos grupos de pessoas que conseguiram escapar do extermínio. A tribo principal da série é a dos Orígenes, que lutam constantemente para escapar dos Corvos, que dominaram a capital Berlim.

Logo no primeiro episódio descobrimos o lado bom e o lado dos vilões, aqui representando as figuras de roupas pretas e pinturas faciais descritas no primeiro parágrafo. Os Corvos são extremamente poderosos e perigosos, armados até os dentes e com uma sede de vingança absurda. O objetivo das tribos é um só, conseguir a tecnologia dos Atlantianos, aqui representando os norte-americanos. Eles detém boa parte da tecnologia mundial e são, por isso, acusados de serem os responsáveis por tudo o que aconteceu. 

No maior estilo The 100, a série esbanja violência, embates e não economiza em cenas de tortura ou mutilação. O objetivo ali é mostrar até que ponto o ser humano chega em uma situação apocalíptica. Não deveriam estar todos se ajudando em prol de um objetivo maior? Sempre existirão a sede de poder, a vingança e a ganância. A tecnologia também é uma grande protagonista, explicando tudo aquilo que poderíamos acreditar ser obra da fantasia ou da magia. Não há magia em Tribes of Europa, apenas uma tecnologia de ponta extremamente disputada. 

 

Tribes of Europa

Logo no começo conhecemos a tecnologia que será cobiçada ao longo da série, um Cubo de metal que cai nas mãos dos Orígenes. Ele é também um objeto que concentra todas as tecnologias que restaram no mundo e traz a quem o detém, a esperança de um futuro melhor. O trio de protagonistas é vivido por Kiano (Emilio Sakraya), Liv (Henriette Confurius) e Elja (David Ali Rashed) e juntos trazem tanta química quanto uma parede bege. O trio se esforça tanto para entregar uma boa atuação que acabam interpretando de forma forçada e nada natural o papel de seus personagens. 

A trama começa a melhorar com a chegada de Moses (Oliver Masucci), que viveu Ulrich Nielsen em Dark. Já ambientado no cenário apocalíptico, ele é a ponta de realidade dentro daquele ambiente fantasioso e fictício.  Em pouco tempo ele se torna um dos personagens mais interessantes, um homem com tantas camadas em seu interior, que fica difícil emitir uma opinião logo de cara. 

De uma forma geral, Tribes of Europa não é uma produção ruim, mas está longe de ganhar destaque no meio. O enredo é bobo e seu elenco traz pouca desenvoltura para o roteiro. Pelos episódios longos, muitas vezes nos vemos arrastados na história, torcendo para que chegue um momento em que a trama vai engatar. O momento chega, mas demora. 

Tribes of Europa chega em 19 de fevereiro à Netflix. 

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