‘Quem vai ficar com Mário?’, filme nacional dirigido por Hsu Chien, que tem como base o filme italiano de 2010 Mine Vaganti, que chega hoje, 10 de junho, aos cinemas do Brasil, é um grande presente e um show de representatividade e inclusão que merece ser assistido!

Tivemos a honra de bater um papo especial, não somente com o Hsu, que ao ser questionado sobre uma sequência,  disse “O desejo é enorme, eu queria 2, 3, 4, … mas depende da recepção do público”; como também com Elisa Pinheiro, Romulo Arantes Neto, Nany People, Victor Maia, Nando Brandão, Daniel Rocha e Felipe Abib; que são parte fundamental do elenco.

Em ‘Quem vai ficar com Mário?’, vemos o personagem título em um dilema, contar ou não para sua família -super tradicional- que ele é um escritor [roteirista] gay e não um administrador de empresas como seu pai sempre pensou. Acontece que quando decide revelar, seu irmão o faz na frente, também assumindo sua sexualidade… E o almoço de família toma enormes proporções, e o público entende que ali, há muitos muito a se desconstruir, como o machismo e a misoginia.

A personagem de Elisa pinheiro, a única mulher entre os irmãos, fica com a responsabilidade de dar voz a tantas mulheres que se encontram na mesma situação que sua personagem, Bianca: “Eu espero, apesar desse não ser o assunto principal do filme… Eu acho que a trajetória da Bianca… Ela vai indo pelas beiradas e acaba que ela cumpre uma função muito importante, pois é uma família extremamente machista e conservadora, e acho que a Bianca, no início do filme, ela meio que aceita, como natural que uma mulher não possa ter voz em uma empresa familiar… Então com a chegada da Ana, ela sente o amparo para a Bianca poder descobrir toda a potencialidade dela… É uma discussão tão importante quanto a homofobia… O mais importante é que eu acho necessário ela ser meiga, pois a personalidade de uma mulher não determina a força que ela tem…”

Romulo Arantes Neto, personifica tantas pessoas se privaram de ser quem são, em prol da felicidade de sua família, e quem decide enfim se assumir e arcar com as consequências. O ator nos falou sobre essa responsabilidade, de representar tantas pessoas que ainda hoje se anulam: “Minha responsabilidade é enorme, e eu entendo pois tenho muitos amigos, que passaram justamente por isso.. E acho muito importante frisar que isso é normal, todo mundo tem direto de ser o que quiser, e quem não aceita é uma pessoa retrógrada, ultrapassada, injusta, e infeliz… pois se ela não aceita a felicidade alheia, também não consegue ser feliz, e também não consegue ser quem é… Eu defendi [meu personagem] com unhas e dentes… Eu acho que a gente tem que contar essa história, e tentar trazer da melhor forma, para muita gente que ainda acredita ser muito difícil… E é nosso dever como artista, trazer da melhor forma, e mostrar que é algo normal”

A conversa super descontraída, além de render muitas risadas, mostrou quão gratos e emocionados estavam com o lançamento… E mais ainda, cientes da importância deste, principalmente no atual cenário do país e do mundo.

Daniel Rocha e Felipe Abib, que interpretam o casal protagonista da história, nos disseram com muito orgulho sobre a importância de se fazer um filme tão representativo, em um momento tão polarizado: “Quando eu assisti o filme, parecia um sonho, “tipo: what a gente fez isso? a gente vai lançar agora isso? é tão importante!” qualquer momento seria importante, mas parece que agora é mais importante, porque a gente traz uma história linda, é uma história de amor, e apresenta isso de uma forma fácil, alegre, doce e cativante… Pra que as pessoas de alguma forma, consigam entender, que as vezes, existem outras possibilidades de se relacionar com o outro.” – Explica Daniel “Eu acho F***, Eu acho muito orgulho mesmo, esse mundo está F***, eu acho que a gente tá aqui, no ápice da discussão, mundial, humana, e está conseguindo produzir arte nesse lugar… Eu queria que o cinema estivesse mais… Que a pandemia não tivesse tão grave, porque eu quero que todo mundo vá ver o filme…” – Finaliza Abib.

Os atores ainda mencionam, que seria interessante haver algum movimento de cinema a céu aberto para que mais pessoas pudessem ter a possibilidade de assistir e que eles como atores pudessem ver a reação desse público, pois muitas vezes, eles acabam sem saber a reação genuína das pessoas.

Como espectadora, endosso, pois a recíproca é a mesma, seria incrível poder ter essa troca. Valorizar nossa cultura, e nossos artistas é fundamental.

Para trazer ainda mais leveza à essa contação de história, o longa conta com um núcleo muito especial, que são responsáveis por muito ensinamento e números musicais belíssimos. O ator e coreógrafo Victor Maia, nos deu detalhes sobre: “Foi um desafio muito grande. Eu já trabalho com coreografia tem 10 anos, e pra cinema, foi a primeira vez… precisa ter uma linha dramatúrgica entre as cenas; ela começa de uma maneira e termina de outra… Existe uma curva para os personagens, esse é o primeiro desafio, o segundo é o prazo… Meu medo era a Nany, pois eu nunca havia coreografado ela antes… E quando vi que ela tinha o vavavu da dança, eu pirei nas coreografias.”

A bissexualidade e a pansexualidade são parte fundamental na trama de Mário, e Hsu trouxe isso com maestria e sensibilidade ímpar; mesmo não sendo parte do roteiro original, no qual o filme se baseou: ...” No roteiro original, Mário ficava sozinho, ele não se decidia, então a Nossa proposta foi trazer a bissexualidade, já que é uma pauta tão atual e pouco abordada.”

“Amor não tem gênero e nós nos apaixonamos por pessoas e por quem elas são de verdade…” Essa frase de Nando Brandão, reflete tudo que ‘Quem vai ficar com Mário?” quer nos dizer.

Se permita, se entregue, e confira ‘Quem vai ficar com Mário?” no cinema mais perto de você!