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Chegou hoje na Netflix, o filme ‘O que ficou para trás‘ (His House); longa esse que teve sua estreia no início do ano no Festival de Sundance e no momento mais assertivo possível debutou na plataforma. Confesso que desde que vi seu trailer a produção me interessou, e eu não poderia ter sido mais feliz em minha escolha.

O filme acomoanha um casal, Bol e Rial, que fogem do Sudão do Sul devastado pela guerra, perdendo tragicamente sua filha Nyagak no processo. O casal acaba se mudando para uma casa na Inglaterra, como refugiados, após meses em um centro de detenção. Logo fica claro que, embora eles possam ter vivido o terror da guerra, há muitos horrores em seu novo lar: tanto de vizinhos hostis e assistentes sociais inúteis, como também algo sobrenatural.

É impossível no primeiro olhar, não tecer comparações às produções de Jordan Peele, muito pela forma como o filme lida com as questões raciais e culturais na Europa. Contudo, ao longo que o filme transcorre, percebemos que a produção tem sua essência, e que embora seja o primeiro trabalho do diretor Remi Weekes, ele consegue trazer um olhar extremamente específico tanto no cenário Africano, quanto Britânico.

A maneira que a narrativa te conduz e te transporta para a história é surreal, você sente as dores que o casal protagonista, vivido por Wunmi Mosaku e Sope Dirisu sente; você se envolve, absorve a angustia e o medo; e entende a atmosfera mística ancestral que a história quer te passar. O roteiro, também é de Weekes,  e faz questão de trazer a tona temas como o legado tribal, a culpa dos sobreviventes de guerra e as cicatrizes psicológicas desenvolvidas por atrocidades genocidas. 

“Você carrega seus fantasmas com você, você não consegue se livrar deles, onde quer que vá. Por isso precisamos aprender a conviver com eles…” Essa fala, diz tanto histórico e culturalmente… Confesso que é extremamente gratificante ver tais temas sendo abordados e se fazendo presente não só em produções americanas,  deixando claro que pre conceitos existem a nível mundial. E abordar tais temas dentro da narrativa do terror, é certamente uma das maiores sacadas.

Embora ‘O que ficou para trás’ aborde com maestria os terrores sociais, a trama proporciona sustos honestos e boas imagens que ficarão em nossas memórias; além de atuações impecáveis de Wunmi Mosaku e Sope Dirisu; e efeitos especiais dignos de tal produção.

‘O que ficou para trás’ é um conto clássico de casa mal-assombrada, que quando combinada as visões sobre assimilação cultural e sua incapacidade de aceitar o que passou, é um prato cheio para uma história terrivelmente violenta. Definitivamente uma ótima pedida, não só para o Halloween mas para qualquer oportunidade. 

O filme já está disponível na Netflix.