Estamos vivendo tempos difíceis, onde o isolamento tornou-se necessário. Produções foram adiadas, estreias canceladas e a quarentena ainda não tem previsão de acabar. Cada vez mais, produções de streamings vêm se tornando nossa melhor forma de entretenimento. E em tempos de preocupação e caos, uma trama que propague o amor chega muito bem-vinda. Feel Good é uma das grandes estreias da Netflix no mês de março.

Protagonizada por Mae Martin e Charlotte Ritchie, a série ganhou divulgação por trazer Lisa Kudrow em seu elenco. Nossa eterna Phoebe não aparece tanto quanto gostaríamos, mas o pouco tempo que passa em tela, entrega uma interpretação incrível. Mas vamos com calma, ainda há muito o que se falar sobre Feel Good.

A história

Mae é uma jovem canadense conturbada pelos fantasmas do passado. Insegura sobre si, encontrou nas drogas o refúgio que não tinha em casa. Após ser presa e sofrer overdose, Mae amadureceu e está limpa há dois anos. Ela tenta ganhar a vida como comediante, em um pequeno bar open-mic. Todos os dias a garota dorme em algum sofá, sempre tentando encontrar um sentido para tudo aquilo que faz.

George é a representação perfeita da jovem britânica de família rica. A menina cresceu rodeada de seus amigos esnobes, homofóbicos e machistas. A vida de futilidades não lhe agrada e ela encontra em shows de comédia um refúgio. Em um desses ela conhece Mae e a vida das duas vira de cabeça para baixo.

O relacionamento das duas engata logo nos primeiros minutos da série. Embora prefira esconder Mae de seus amigos homofóbicos, dentro de casa elas não se desgrudam. O início do namoro acontece nas nuvens e tudo vai bem. Mas não demora para questões começarem a surgir e é aí que Feel Good começa a tomar forma.

Feel Good

Em tradução livre para o português, o título da série é Se Sinta Bem, e não poderia estar mais de acordo. As duas protagonistas passam a imagem de estarem felizes e satisfeitas com o relacionamento, mas há muito por trás que não foi resolvido.

Mae está em conflito com sua identidade de gênero e ainda não superou o trauma sofrido pelo uso de drogas no passado. Além disso, a menina não conseguiu estabelecer um bom relacionamento com os pais desde então, principalmente com a mãe (Lisa Kudrow). Ela busca o reconhecimento da família e o amor da mãe, que insiste em trata-la como uma simples pessoa da família.

George vive em um universo que não se sente bem. Os amigos logo se mostram verdadeiros estranhos, dando valor a tudo aquilo que ela despreza. Embora esteja apaixonada por Mae, George não consegue se referir a si mesma como gay e logo inventa um namorado secreto. Ela cria bloqueios sobre si mesma, que culminam nos problemas de relacionamento que começa a ter com Mae.

A trama

Outro tema abordado na série é o vício. Mae frequenta um grupo de Narcóticos Anônimos, que traz personagens em segundo plano fundamentais para a trama. David (Ramon Tikaram) é o líder do grupo e é um dos primeiros a tentar lidar com Mae. Mas é com Maggie (Sophie Thompson) que a menina cria uma relação.

Juntas, lidam com a temática do abandono e da superação, cada qual com sua maneira. Mae encontra uma representação materna em Maggie, enquanto ela vê na jovem, a filha que um dia deixou para trás, vivida por Ritu Arya.

O único defeito de Feel Good é durar tão pouco. São seis episódios de aproximadamente 25 minutos cada, que passam rapidamente diante dos olhos. Ao final, queremos mais…muito mais. A trama é bem desenvolvida, as personagens são complexas e com seus dramas pessoais. A segunda temporada ainda não foi confirmada, mas já estamos ansiosos.  

Feel Good já está disponível no catálogo da Netflix.