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A ideia de mutantes vivendo em meio a população humana não é nenhuma novidade. O tema já foi abordado em filmes, séries e até mesmo novelas brasileiras, cada qual com sua própria peculiaridade. Desde Heroes a X-Men, seres poderosos buscando um espaço de reconhecimento dentro da sociedade já protagonizaram as telas e enquanto uns se tornaram lendários, outros foram deixados de lado e esquecidos.

Embora não sejam novidade, mutantes são o tema do mais novo lançamento da Netflix. Code 8 – Renegados já traz no nome a relação que a sociedade tem com aqueles que possuem certas habilidades especiais. O filme tem como chamariz a dupla de protagonistas, juntos em tela mais uma vez. Os primos Stephen e Robbie Amell se encontram dentro do Arrowverso, mesmo que brevemente. Desde então, fãs aguardam o momento em que os veremos juntos de novo. Ele chegou.

O Filme

Code 8 – Renegados chegou com uma expectativa não muito alta, principalmente pela premissa já batida. Surpreendentemente, porém, o resultado está longe de ser ruim. A ideia do filme é boa e até mesmo com seu próprio toque de originalidade. Ter sido lançado na Netflix, com pouca duração, é o que podemos chamar de tiro na pé. A história é boa, mas acaba sendo desperdiçada. Com um pouco mais de investimento, teríamos um lançamento grandiosos nas telas de cinema.

A trama se passa em uma sociedade futurista cyberpunk, onde humanos com poderes vivem em meio a sociedade. Mas diferente do que já vimos em filmes de herói ou outras produções da Marvel e DC, a pegada de Code 8 usa a violência. Os mutantes aqui são caçados, presos e até mesmo mortos, apenas pelo fato de terem nascido com habilidades. Eles são renegados e tudo o que querem é viver a vida tranquilamente.

A Trama

Em meio a este cenário temos Connor Reed (Robbie), um homem solitário que vive a vida tentando impedir a morte da mãe, Mary (Kary Matchett), que está com câncer. Ele é chamado de elétrico, ou seja, consegue emitir raios e ondas de eletricidade com as mãos. Assim como outros mutantes, vive de empregos clandestinos e que pagam pouco, usando e abusando dos renegados pela sociedade.

Connor precisa de dinheiro para salvar Mary e está disposto a qualquer coisa. Seu caminho cruza com o de Garrett (Stephen), um criminoso envolvido com o cartel local e que lidera um grupo formado apenas por pessoas com poderes. Ele recruta Connor, que cede a criminalidade em busca de um maior apoio para a mãe. Ele começa com pequenos crimes, mas logo se vê envolvida em uma rede de assassinatos

Connor

Assim como todos os renegados, Connor passa a ser caçado pela polícia ao se juntar ao grupo de Garrett. O coração bom chama a atenção de Park (Sung Kang), um dos policiais responsáveis pela captura dos mutantes. Park tenta ajuda-lo, visto que tem seu próprio segredo dentro de casa: uma filha com poderes.

O filme gira em torno de Connor, Garrett e o grupo de criminosos tentando não ser morto pelo cartel e pela polícia.
Jeff Chan assumiu a direção e seu trabalho foi bom, conseguindo criar empatia no público e desenvolver algo que vai além de um simples filme de ação. Embora seja um ponto positivo, se tornou um ponto negativo dentro da produção como um todo. O diretor pecou ao esquecer a principal característica do gênero a qual seu filme se encaixa.

Code 8

Ansiamos por grandes cenas de ação que não chegam. Estamos diante de pessoas com e sem poderes, o que possibilitaria embates explosivos e violentos entre eles. O filme lida com tecnologia futurista e temos robôs, o que cria um leque de opções de cenas de ação ainda maior. Elas existem, mas são poucas as que podem ser caracterizadas como verdadeiros arcos de ação. Chan se preocupou nas tramas pessoais dos personagens e acabou esquecendo de coloca-las em prática.

O elenco de Code 8 é bom e até mesmo a dupla vivida pelos primos Amell consegue surpreender. Vimos Stephen como o protagonista de Arrow e é impossível não enxergar Oliver Queen dentro das ações de Garrett. O vigilante está ali, ele apenas trocou o capuz verde por uma pistola. Robbie é exatamente o tomate que descreve no início. Ele consegue esconder seus poderes e estar entre os dois mundos, e o faz muito bem. Não é um protagonista forte, mas é o que o filme precisa que seja.

Enfim

Code 8 – Renegados é, de uma forma geral, um bom filme. Mesmo com poucas cenas de ação, a trama segue um bom ritmo até o final e encerra ali, sem ganchos deixados em aberto. Os efeitos especiais surpreendem e a fotografia é fundamental para o filme não se torne bobo ou superficial. O estilo futurista cai bem e é bem desenvolvido, resultando em uma ótima produção para o catálogo da Netflix.

Code 8 – Renegados já está disponível no catálogo da Netflix.