Escolha uma Página

“Era melhor ter ido ver o filme do Pelé”.

Quem nunca escutou ou até mesmo usou a frase acima como forma de classificar algo tão ruim ou chato que seria melhor ter ido conferir Pelé – O Rei Eterno, em 2004 nos cinemas? O filme de mais de duas horas sobre a vida de Edson Arantes do Nascimento não caiu nas graças do público, fosse pela duração ou até mesmo pelo fanatismo exacerbado referente ao chamado Rei do Futebol. Foi uma surpresa, inclusive, quando a Netflix anunciou um documentário sobre Pelé no streaming, levantando a pergunta se seria mesmo necessário uma outra produção falando sobre o jogador. A resposta é sim.

Em formato de documentário, Pelé chega ao streaming da Netflix essa semana e é, sem dúvida, um conteúdo obrigatório para todos os brasileiros, gostem ou não de futebol. Independente de sua opinião a respeito de Pelé, é inegável que ele foi um dos maiores jogadores da história do futebol.  O documentário traz cenas das partidas, lances e gols do jogador, muitos nunca antes vistos por aqueles que não tiveram a oportunidade de ver Pelé jogar. Quem o fez, tem nas cenas uma sensação de nostalgia e lembranças de um futebol que não existe mais.

O documentário

A produção evidencia a importância que Pelé teve para o mundo e para o país, em um cenário onde Brasil não era sinônimo de muita coisa. “Ele foi o responsável por começar a tirar do brasileiro a síndrome do vira-lata”. A frase dita no documentário é apenas um pequeno exemplo de como Edson colocou seu país no mapa…sozinho. Ele não jogava um futebol arte como vemos hoje em dia, com dribles estapafúrdios e de nome complicado. Pelé jogava o simples futebol. Simples, mas que funcionava demais dentro das quatro linhas. O carisma que hoje já não acompanha tanto o homem Edson, naquela época o tornou  um ícone da cultura pop mundial.

Pelé e Edson são pessoas diferentes e essa é a principal informação que o documentário nos traz. A produção traz imagens de diferentes épocas da carreira do jogador, tanto em seus sucessos quanto em suas derrotas. Além da entrevista com o protagonista, o filme também conta com depoimentos de Pepe, Coutinho e Zagallo, além da irmã de Pelé, amigos, alguns jornalistas esportivos, escritores e músicos.

Pelé

Embora seja feita por brasileiros, o documentário não é apenas para brasileiros. Não podemos esquecer que a Netflix é um streaming de nível global e o público estrangeiro será muito bem recebido pela produção. Diferente do filme de 2004, aqui temos vislumbres da situação política da época, bem como duras críticas a opiniões e atitudes que Pelé trouxe. Ele não era perfeito, longe disso, algo que até hoje faz com que muitos não sejam tão fãs assim do maior jogador da história brasileira. 

A Netflix não se preocupou em mascarar o cenário, pelo contrário. O streaming relacionou a vida Pelé com os períodos que o Brasil enfrentou entre os anos 1950 e 1980. Em um país marcado por cenários catastróficos na política, a esperança que surgiu com a conquista de dois títulos mundiais foi tremenda. Até hoje temos esse cenário em Copas do Mundo, onde parece que todos os problemas somem e o nacionalismo pelo futebol grita no verde e amarelo das ruas. 

Todo brasileiro precisa conhecer Pelé e quem sabe, descobrir que o jogador não é apenas o Edson que conhecemos hoje em dia. 

Pelé está disponível na Netflix.