The Witcher eleva o nível, mas ainda comete erros bobos

Os fãs esperaram muito pela segunda temporada de The Witcher, pelos mais diversos motivos. Alguns ansiavam por cenas de luta de Geralt (Henry Cavill), outros pediam por uma maior participação de Yennefer (Anya Chalotra) e houve ainda quem quisesse apenas mais cenas da banheira. Fosse qual fosse o motivo, a ansiedade só aumentava. Desde o lançamento da primeira temporada, há dois anos, o público teve muito tempo para mergulhar nos romances de Andrzej Sapkowski e nos videogames do CD Projekt Red, buscando uma forma de se familiarizar ainda mais com a trama original. E valeu a pena. A segunda temporada de The Witcher mostra uma evolução clara  nos recursos disponíveis no seriado. As cenas envolvendo computação gráfica evoluíram e conseguiram trazer ao público uma sensação maior de veracidade. Algo que contribuiu para isso foi também o retorno dos diálogos inteligentes presentes na primeira temporada, fundamentais para moldar a história que vinha sendo contada no plano principal. Nivellen, por exemplo, ganhou seu destaque e espaço na temporada, mesmo aparecendo em um único episódio. O que mais diferencia a primeira temporada de The Witcher de sua nova, é a participação de Geralt no roteiro principal. O carisma selvagem de Nivellen, por exemplo, foram o suficiente para que ele dividisse o protagonismo com Cavill ao longo de todo o episódio. Mesmo Ciri, que não estava presente nos romances, recebe propósito e significado nesta reimaginação da história e por puro mérito da atriz Freya Allan, Ciri se torna uma líder nata de The Witcher. A menina carrega uma grande responsabilidade nos ombros e diante de um papel tão complexo e denso, ela interpreta com uma facilidade incrível.

A segunda temporada também apresenta um orçamento maior, com peças mais grandiosas e efeitos visuais muito melhores. Os campos de batalha parecem tragicamente devastados pela guerra, e os monstros são genuinamente assustadores, não mais criaturas fantásticas dignas de contos de fada. Além disso, os cenários também se tornam uma personagem, com lugares como Kaer Morhen, Oxenfurt e Gors Velen trazendo uma mitologia própria. 

Além da estética, a viagem de Geralt e Ciri – viajando pelo deserto dos Reinos do Norte, Kaer Morhen, depois para o Templo de Melitele e mais além – é o enredo mais forte da temporada 2. Cavill dá tudo de si em seu desempenho como o bruxo cínico que conhecemos e amamos, mas o amor que vem surgindo dentro dele o transforma em uma pessoa menos cinza. Embora a relação que se desenvolve entre o Lobo Branco e a princesa de Cintra aconteça lentamente, é um sentimento gostoso no coração do fã ver tudo acontece.

Personagens como Lambert, Eskel, Coën e Vesemir são maravilhosamente interpretados por Paul Bullion, Basil Eidenbenz, Yasen Atour e Kim Bodnia, respectivamente. Cada um deles tem uma dinâmica única com Geralt e Ciri que parece natural e ao lado do elenco protagonista, criam uma atmosfera agradável. 

A segunda temporada, porém, não é perfeita e cai nos mesmos erros bobos. Anya Chalotra, que mais uma vez traz paixão a Yennefer de Vengerberg, parece estar interpretando uma nova velha versão da mulher poderosa que conhecemos, sem grandes mudanças ou elogios. Com o crescimento do papel de Yennefer na nova história, era de se esperar um maior empoderamento da personagem, mas ela passa em branco quando comparamos com o turbilhão que é o crescimento de Freya Allan. 

Por fim, “Toss a Coin to Your Witcher” do bardo, cantor e ator Joey Batey, ainda é seu maior sucesso. “Burn”, a nova música, não cai no gosto do público e é pouco provável que tenha o mesmo impacto que sua antecessora. 

The Witcher está disponível na Netflix

LEIA MAIS SOBRE SÉRIES