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04/10

Todas as fotos usadas nesta matéria são de Alexandre Durão e Marcelo Brandt / G1.

Muitos criticam o Rock in Rio pela ausência, cada vez maior, de bandas de rock no festival. Em resposta, o dia 4 de outubro fez os fãs do heavy metal tirarem as camisas pretas do armário e irem rumo a Cidade do Rock. O chão tremia enquanto a multidão batia cabeça, gritava com língua de fora plenos pulmões. Nunca o tradicional sinal com as mãos, símbolo do festival, foi tão feito. Sem dúvida, o público mais fiel e animado até agora.

Desde cedo, o Palco Sunset agraciou aos fãs do metal com o som do Slayer. Nervosa e Anthrax foram outros nomes que passaram pelo lugar, preparando o público para o que viria no Palco Mundo. Os maiores sucessos das bandas enlouqueceram os rockeiros presentes, com direito a rodinhas de briga, tradicionais do estilo.

A banda de Tom Araya prometeu em 2018, que o show no Rock in Rio seria o último da banda no país. Juntos desde 1981, foram recebidos com gritos de “ole ole, Slayer, Slayer”.

Sepultura

Os trabalhos no Palco Mundo foram abertos com a banda brasileira Sepultura. 

O show de umas das principais bandas de heavy metal trouxe um peso ainda maior. O Sepultura aproveitou a apresentação no Rock in Rio para homenagear André Matos, ex-vocalista do Angra que morreu em junho deste ano. Uma foto do vocalista foi exibida no telão e todas as vozes do Rock in Rio gritavam seu nome.

O setlist trouxe clássicos como Arise e Territory, o que levou o público ao delírio. O vocalista Derrick Green, norte-americano, parecia em casa, pedindo ao público para acompanhar cada batida.

O show da banda marcou o fim da turnê do álbum Machine Messiah, mas não parou por aí. Aproveitando o festival, o grupo tocou Isolation, nova música lançada recentemente. O single estará no próximo álbum, Quadra.

Helloween

O Helloween inaugurou as atrações internacionais no Palco Mundo. Diferente do que trouxe a banda anterior, o grupo alemão apostou no heavy metal com um pouco mais de melodia. Trazendo a velha guarda do estilo na europa, a banda deu um show nos solos de guitarra, acompanhado pela multidão com gritos.

O setlist escolhido foi um presente, para os veteranos do metal. Boa parte das músicas eram dos anos 80, trazendo clássicos como I’m Alive, Power e Eagle Fly Free. Mas foi com o disco Walls of Jericho, de 85, que o público mais vibrou.

Kai Hansen, Michael Kiske e Andi Deris dividiram os vocais na noite do quinto dia. Com mais de 35 anos, mostrou ser totalmente capaz de substituir o Megadeth. O grupo se apresentaria no Palco Mundo, mas o vocalista, Dave Mustaine se afastou para tratar um câncer na garganta.

Iron Maiden 

Não é preciso muito para que o grupo faça um excelente show. Mas eles ainda conseguem surpreender. 

O que muitos não entenderam, porém, era a colocação do Iron Maiden no quinto dia de festival. O público usou a internet para demonstrar sua indignação pela banda ter se apresentado antes do Scorpions. Houve quem reclamasse dizendo que uma banda do porte do Iron Maiden era digna de encerrar a noite. E o grupo mostrou que consegue facilmente.

Bruce Dickinson é um artista completo. Aos 61 anos, o vocalista do Iron Maiden cantou até não aguentar mais, sendo movido pelos gritos de uma plateia ensandecida. Além dos tradicionais agudos, Dickinson entregou uma performance insana em cima do palco. Em cada música um cenário diferente aparecia no palco, desde um pôster gigantesco com Eddie, símbolo da banda, até uma cabeça demoníaca colossal.

O show do Iron Maiden parecia saído direto de um filme. Tudo encaixado, tinha os membros da banda como protagonistas. E os veteranos do festival deram um show a parte. Começando mais cedo para que o grupo pudesse ter um intervalo, afinal, ninguém é mais jovem ali, trouxeram clássicos como The Number of the Beast e Fear of the Dark. Mas não pararam por aí. Músicas dos anos 80 e 90 há muito não tocadas, como Flight of the Icarus, fecharam a noite do Iron Maiden com chave de ouro.

Scorpions

O grupo alemão encarou um desafio ingrato. Subir ao palco depois do Iron Maiden não deu ao Scorpions o show que merecia. Boa parte do público foi embora depois da banda britânica, que trouxe um show épico ao Rock in Rio. Mesmo assim, o Scorpions não abaixou a cabeça. O show trouxe uma série de homenagens ao Brasil. Além de tocar Cidade Maravilhosa, o guitarrista Matthias Jabs subiu ao palco com a mesma guitarra que usou em 1985. O instrumento verde e amarelo foi dado a Roberto Medina, que reformou e emprestou a Jabs para o show. Aos 71 anos, o vocalista Klaus Meine mostrou que idade não significa nada. Com Rock You Like a Hurricane, liderou a plateia que resistiu até o final. O Scorpions trouxe o show mais romântico do quinto dia de Rock in Rio, que já vinha tendo batidas fortes de metal. Até mesmo uma versão acústica de Send me an Angel conseguiu empolgar.

O Rock in Rio ainda tem sábado e domingo para exibir suas atrações.