INDICADO AO OSCAR

2020 mal começou e já entramos na temporada de premiações. Até o dia 9 de fevereiro, quando acontece a Cerimônia do Oscar, todos os indicados a premiação ganham destaque. Todos precisam estar a par daquilo que será julgado e enaltecido em fevereiro, criando suas próprias premiações individuais. E desde o início das premiações, Parasita vem chamando a atenção do público e dos críticos.

Bong Joon Ho ficou conhecido pelo filme Cão que Ladra Não Morde, em 2000. Desde então, o diretor sul-coreano não se destacou em meio ao cenário internacional. Quase vinte anos depois, Bong voltou a ganhar a atenção dos críticos com seu mais novo lançamento. O lado crítico e irônico característico do diretor segue em Parasita, que menciona a desigualdade de classes e o convívio na sociedade.

O filme

O longa sul-coreano centraliza sua história em duas famílias. De um lado temos os Kim, uma família pobre da periferia da Coréia do Sul. Formada pelo pai, mãe e seus dois filhos, eles ganham dobrando caixas de pizza para um restaurante local. O salário mal consegue sustentar a alimentação dos quatro, que colaboram igualmente para o trabalho.

Em contrapartida, o filme nos apresenta os Park, uma família extremamente rica lidando com problemas superficiais e tratados como pouco importantes por muitos. O destino os coloca em contato, quando Ki-Woo (Woo-sjk Choi) é contratado como tutor de inglês pelos Park. Da-hve tem tudo ao alcance da mão, mas é uma menina tímida e insegura sobre a sociedade que a cerca.

Parasita

Logo fica claro para o púbico qual é o objetivo de Parasita. A diferença de classes é exposta e o filme passa a abordar as consequências que isso causa no ser humano. O principal assunto usado é o trabalho e a influência que o meio pode ter. O que o desespero e a falta de oportunidades nos levam a fazer? Julgamos de fora e inicialmente taxamos de criminosos, mas será que faríamos algo completamente diferente?

A família Kim usa de meios não convencionais e corretos para atingir sua ascensão social. São criminosos, mas se utilizam disso apenas em benefício próprio. A maneira como o roteiro nos mostra esse lado da família, inclusive, nos leva a concluir que são pessoas longe de serem ruins. O filme expõe e não entra muito nas particularidades de seus indivíduos, deixando a cargo do público decidir seu julgamento.

A trama

Bong Joon Ho utiliza recursos para destacar sua discrepância de classes. Os ambientes dos Kim são escuros, lúgubres e mal cuidados. Os ambientes são sempre pequenos e infestados por insetos, que vivem em “perfeita harmonia” com os moradores da casa. Um paralelo pode ser feito ali, afinal, os habitantes da periferia da Coréia do Sul são esquecidos e tratados como verdadeiras pragas pela sociedade.

A mansão dos Park não foge do tradicional de famílias ricas exibidas em filme. O espaço amplo e arborizado, extremamente iluminado e com cores convidativas ao público. É o tipo de lugar que queremos entrar para conhecer, tomar um café e admirar o ambiente. Seus moradores chegam a se perder dentro da estrutura enorme da casa, refletindo também no tipo de relacionamento criado. A família vive de forma distante uns dos outros, contrastando com o que é mostrado na casa da família Kim.

A importância

Parasita consegue se desenvolver de forma leve, ao mesmo tempo que lida com assuntos complexos e fundamentais para a sociedade. A divergência de classes dá um tom sombrio ao filme, sempre lembrando ao leitor qual é o objetivo central da produção.

Assim como acontece desde os primeiros minutos, tudo no longa foge do padrão. O elenco não clássico hollywoodiano dá ao público a impressão de estar vendo um documentário, com cenas reais do cotidiano. Por não conhecermos os atores, criamos empatia por suas atuações e interpretações dos momentos que protagonizam. Os diálogos são criados de forma orgânica e ajudam a moldar a história contada.

Os problemas

A duração pode ser considerada um pouco negativo, em minha opinião. Mais de duas horas tornam o filme lento e até mesmo chato em alguns momentos. Por ser fundamentado majoritariamente em seus diálogos, só temos grandes emoções acontecendo na reta final da produção.

Enquanto a mesma não chega, assistimos as conversas, entendemos a história e esperamos pelo momento em que a mesma irá, efetivamente, acontecer. E acontece, nos momentos finais da produção.

A grande disputa de poder entre famílias é o desfecho que Parasita precisava ter. Chega a ser bizarro tudo que se desenvolve nos momentos finais e o público, entorpecido por todos os diálogos, se vê diante de uma guerra entre classes, com sangue derramado e vidas ceifadas. São breves minutos que podem ser considerados um filme menor, dentro do filme principal. Funciona, mas poderia ter sido melhor encaixado.

Enfim

Por fim, Parasita é um bom filme, mas não é perfeito. Sua fuga do padrão e a genialidade do diretor fazem todas as indicações valerem, mas a produção está longe de ser o melhor filme do ano. Parasita tem problemas, que o tornam monótono em diversos momentos e se não fosse a complexidade de seu assunto, passaria despercebido.

Parasita chegou aos cinemas em novembro de 2019.


VEJA MAIS SOBRE FILMES