Visitamos o set de NINGUÉM É DE NINGUÉM
Recentemente tivemos a possibilidade de acompanhar um dia de filmagem de Ninguém é de Ninguém; novo filme nacional de Wagner de Assis que adapta o livro de mesmo nome da autora Zíbia Gasparetto.
As gravações chegaram ao fim ontem, 19 de dezembro, no Rio de janeiro, com o total de 24 dias nas locações.
O longa é estrelado por Carol Castro, Danton Mello, Rocco Pitanga e Paloma Bernardi.
Logo na chegada fomos recepcionados pela equipe que nos testa, afinal a COVID-19 ainda está entre nós e precisamos nos precaver e manter a equipe protegida.
E antes do inicio de cada dia de gravação Wagner, diretor do filme, faz questão de promover entre o coletivo uma ambientação, sempre com palavras positivas, motivadoras e de paz.
E diferente do livro, Assis procurou trazer o olhar feminino de empoderamento para a história… E este olhar é projetado para o set, onde grande parte do núcleo “por trás das câmeras” é composto por mulheres:
“É uma honra poder fazer parte desse momento da história do cinema e da retomada… Depois de um momento político tão desafiador pra gente… E as mulheres estarem liderando, Não ainda em números… Mas é isso, aos poucos vamos conquistando nosso espaço, e eu “tô” muito honrada de fazer parte disso.”– nos conta Juliana Maldonado (Assistente de direção)
Tivemos a oportunidade de conversar também com Pilar Salgado, figurinista do longa que nos falou sobre a escolha das cores, e as inspirações que compõem não somente o figurino, como também os cenários.
“A gente desde o início a gente sempre soube que queria contar essa história de uma maneira muito próxima da realidade porque são histórias reais… Então a gente queria que as pessoas se identificassem quando vissem… A inspiração veio muito daí… A paleta de cores para identificar os sentimentos são vistas em toda a ambientação dos cenários e figurino, os tons e pontualmente, é possível ver alguma peça vermelha em destaque, quem vem lá do Conto da Aia.”
Foi catártico experênciar cada detalhe… os bastidores, a maquiagem, a cenografia, e os atores construindo o que veremos nas telas, como se fosse mágica.
Se você assim como eu desconhecia a história, Ninguém é de Ninguém, saiba que esta é uma das inúmeras obras psicografadas pelo espírito Lucius, mentor espiritual de Zibia; e aqui acompanhamos dois casais – Gabriela e Roberto; e o Dr. Renato e Gioconda – que vivem vidas relativamente estáveis até o momento em que seus destinos se entrelaçam.
Danton, viverá um personagem diferente de tudo que já vimos, e certamente um dos mais desafiadores de sua carreira:
“Roberto é um cara horroroso, e está sendo uma experiência desafiadora, é um personagem diferente de tudo que já fiz… Ele é um cara machista, possessivo, abusador, manipular… Mas essa e uma história linda, intensa e muito bem dirigida pelo Wagner Assis….”
Carol e Rocco também nos deram detalhes de Gabriela e do Dr. Renato respectivamente:
“O Renato é um personagem solar e tem um casamento falido… Mas ele só vai se dando conta disso ao longo do filme… é incrivelmente empático para com a Gabriela, que só descobriremos porque no final do filme…”
“… Lembro que lendo o roteiro me deu vários gatilhos, por isso sei que várias mulheres vão se identificar com “n” situações… O filme fala de uma história de abuso e violência doméstica… E a gente se dá conta que a gente vive ou já viveu algo parecido… Então viver a Gabriela para mim “tá” sendo muito emocionante..”
A produção é sem dúvida uma história de amor, relações abusivas e empoderamento feminino mas também de obsessão, cura e perdão. Tudo que Wagner Assis ama e mais um pouco nas suas criações. Ele aproveitou para nos contar o que ele mais procurou evidenciar:
” Eu procurei olhar, algo que percebi logo quando reli o livro, que era o quanto ele ainda era atual, mesmo com uma distância de 20 anos entre o lançamento e os dias de hoje. O que me chamou a atenção quase que imediatamente foi uma espécie de machismo crônico que perneia a história, que é uma assunto relevante e que naquela época já se fazia presente mesmo que com outras formas de expressar… Então eu pensei que o olhar da espiritualidade, que é uma busca que eu faço nas coisas que eu trabalho, era um olhar que também poderia ser direcionado para a doença do ciúme, da possessividade, e eu acho que é um olhar que vem de alguma forma mais crítica, e uma outra forma de enxergar o tema…. Pois o olhar histórico é extremamente patriarcal que estamos procurando desconstruir… mas se adicionar o olhar espiritual, você tem algo mais poderoso que é “se a vida não termina quando você morre, se a gente continua a existir, nós somos resultado de questões do passado, e o futuro nós estamos reconstruindo, justamente para não repetir erros”, é um olhar mais poderoso.”
A gratidão de ver esse projeto ganhando forma foi de fato especial; e com toda a energia existente no set… Mal posso para que vocês confiram e entendam o que quero dizer!
Ninguém é de Ninguém ainda não tem data de estreia.
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