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Finalmente tivemos um episódio de Lovecraft Country da HBO, focado em Hippolyta não é mesmo? Desde o início tivemos apenas poucos vislumbres da personagem, mas que já dava para perceber o que ela seria importante para atrama.

Toda a sua vida foi cheia de contribuições silenciadas e sonhos adiados, mas ela suportou essas indignidades fortemente, até a morte inesperada de seu marido George, o qual ela não admite a desculpa que foi dada.

Hippolyta sabe que Tic e Montrose estão mentindo sobre a morte de George, e após os eventos do episódio 4, onde Hippolyta os leva para o museu, suas suspeitas aumentaram ainda mais, afinal… Como eles voltaram tão rápido?

Enquanto Tic e Leti continuam sua busca pelo Livro dos Nomes, Hippolyta está mergulhada em sua própria investigação, ainda tentando descobrir o que aconteceu com seu marido George. Ela então encontra encontra o mapa de George do Condado de Devon e dirige até as ruínas de Ardham, onde encontra um pedaço chamuscado da história em quadrinhos de Diana. Isso prova a ela que George estava lá, logo ela entente que não houve morte alguma pelas mãos de um Xerife.

Não podíamos esperar nada menos que a fúria de Hippolyta após descoberta em Ardhan. Focada agora em descobrir o que aconteceu, ela retorna na gana de destrancar o “planetário” que encontrou na casa de Leti. Ela acredita que tal feito, trará seu marido de volta. O que vocês acham? Será que é possível?

É aqui que a tia curiosa se depara com uma máquina do tempo, e o que até agora tem sido um episódio padrão com um pouco de drama familiar se torna uma incrível aventura Afro futurística através do tempo e do espaço.

Hippolyta é mantida sob a mira de uma arma por dois policiais que chegam ao observatório. Tic chega a tempo de salvar sua tia, e uma luta começa, levando Hippolyta atirando e matando um dos policiais. Mas, conforme as balas voam, a máquina do tempo começa a girar e balbuciar fora de controle, abrindo um buraco no tecido do tempo e sugando Hippolyta para dentro de seu portal. Antes que possamos piscar, o observatório desaparece, e Hippolyta é vista explodindo através do espaço, caindo em um planeta escuro e desolado distante.

Chegamos então na virada do episódio, como é de praxe e pela primeira vez, a personagem tem o contato com a magia e com a pegada do universo Lovecraft que acompanhamos ao longo dos episódios. Hippolyta acorda em um planeta futurista, e com a capacidade de se tele transportar para onde quiser: Paris dos anos 1930, África dos anos 1800 e de volta à cama com George, momentos antes de ele partir para Ardham (Chorei aqui, heim). Uma mulher de aparência robótica explica que não prendeu Hippolyta; na verdade, Hippolyta está mais livre do que nunca. Ela simplesmente precisa se “nomear” para se tornar a pessoa que sempre sonhou ser.

Libertador não? Principalmente para uma mulher que sempre foi submissa, sempre deixou seus sonhos e suas vontades em segundo plano para poder viver o sonho dos que ama.

E nesse momento, Hippolyta começa uma jornada muito pessoa, quase como uma sessão de terapia espacial. E entre passos de dança e batalhas ela percebe como sua vida como mulher negra nos anos 50 é limitada. É impossível não se compadecer com o ódio que a personagem sente nesse momento de catarse.

Em seguida, Hippolyta se transporta para uma tribo de guerreiras na África, e ela é ensinada a ser uma mulher que não cozinha, limpa ou cria filhos para os homens. É por meio dessas fantasias que aprendemos quem Hippolyta gostaria de ter sido: uma dançarina ousada e sexualmente livre; uma guerreira violenta que se deleita com sua raiva… E como já imaginávamos, uma aventureira que pode viajar para novas terras.

Definitivamente, esse episódio era um dos mais necessários dentro da série e foi simplesmente incrível descobrir as camadas da personagem. E mais uma vez Lovecraft Country toca na ferida das mazelas de uma mulher Negra nos anos 50. mas desta vez não se trata de pré conceito, se trata de estereótipos sociais. De se encaixar no padrão aceito pela sociedade de mulher do lar, quando em seu âmago, nunca se viu assim. Tal visão é fundamentada, quando percebemos Tic com o mesmo pré conceito ao descobrir a real opção sexual de seu pai.

Mas agora, temos uma mulher que aceitou o luto e que agora se vê grande dentro do universo que habita; e em breve -isso é algo que eu penso- a veremos dentro do possível grupo que Cristina está formando… Tudo se encaminha para isso.

A série é exibida aos domingo às 22h na HBO.

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