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Chegou à Netflix no último dia 27, “O Irlandês” de Martin Scorsese, com um elenco invejável que inclui: Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci.

O Irlandês é baseado no livro “I Heard You Paint Houses”, em tradução livre “eu ouvi dizer que você pinta casas”, um código para dizer que a pessoa cometia assassinatos; no Brasil o livro ganhou o nome “O Irlandês: Os Crimes de Frank Sheeran a Serviço da Máfia”.  A obra foi escrita pelo jornalista norte-americano Charles Brandt, que recebeu o diário de Frank “O Irlandês” Sheeran pouco antes que o mafioso morresse, em 2003. 

O filme tem como centro da narrativa a resposta para uma pergunta que intrigou os norte-americanos na década de 1970: “O que aconteceu com Jimmy Hoffa?”

Robert De Niro interpreta Sheeran, e foi rejuvenescido digitalmente para dar vida ao veterano da Segunda Guerra Mundial que virou motorista ligado ao sindicato e se tornou um assassino profissional; já Joe Pesci da vida a Russell Bufalino, líder da máfia na Pensilvânia.

A trama começa a ser contada na década de 50 e vai até os anos 90 e finaliza nos anos 2000. A primeira hora do longa foca na apresentação dos personagens e o funcionamento da máfia, engrenando a partir da entrada do líder sindical Jimmy Hoffa, interpretado pelo veterano Al Pacino. Sua atuação é intensa, cômica e dá o ritmo que o longa precisa.

Dividida em três linhas temporais, com o protagonista atuando em diferentes missões ao longo de décadas, “O Irlandês” possui características já conhecidas de Scorsese, uma delas é a direção que faz a câmera conversar diretamente com o público, como um anfitrião que nos apresenta a sua casa , percorrendo cada ambiente para que o espectador acompanhe todos os detalhes.

Entre diálogos que vão de ‘negócios’ à família, de dores pessoais á dinheiro, a tensão é construída de forma única, da mesma forma que a confiança nasce. Pela primeira vez, Scorsese mostra o outro lado da moeda do que realmente é ser um gângster, com uma fotografia dominada por cores frias e nos expressões abatidas que conversam.

Marcado por uma predominância masculina, as mulheres em cena contém pouquíssimas falas, contudo seus atos e olhares possuem muito mais significado do que se houvessem diálogos; O filme é um espelho da vida de quem sobreviveu à guerra e, quando teve a chance de construir laços , os negligênciou; em contra partida funciona como a metáfora perfeita de amizade, promessas e a importância do senso moral.

Sem deixar de lado a humanidade, o longa acerta em mostrar a fragilidade da vida em seu ápice, quando o diretor apresenta fragmentos da solidão e velhice em colisão com memórias do passado. Um filme incrível!

Já disponível na Netflix