Escolha uma Página

Quando chegou a Netflix, de forma sorrateira e silenciosa fazendo jus ao nome, Gatunas não entregou nada do que trouxe em tela. Com episódios curtos beirando os 30 minutos, o seriado rapidamente ganhou o público pela originalidade e pelo carisma. Pense rápido e tente apontar uma produção que fale sobre a cleptomania. Quando pensamos em séries adolescentes abordando temáticas polêmicas, os assuntos envolvem o uso de drogas, questões sexuais ou de gênero, depressão e todos os outros tipos de assuntos presentes em produções da própria Netflix. Todas elas estão presentes em Gatunas, mas o vício aqui é outro.

As meninas

A segunda temporada retorna a partir do exato ponto em que a primeira nos deixou. Elodie (Brianna Hildebrand) fugiu para viver a vida na estrada com Sabine (Kat Cunning) e logo percebe a furada que se meteu. A cantora gosta de viver a vida sem se prender, de forma espontânea demais para o universo de Elodie. Ela se apaixona por Sabine aos poucos, mas não demora para ter o coração partido. Era o gatilho que a menina precisava para ter todas as emoções implodindo mais uma vez.

Enquanto isso em Portland, Moe (Kiana Madeira) e Tabitha (Quintessa Swindell) estão lidando com questões judiciais envolvendo o incidente de Brady (Brandon Butler). O retorno de Elodie para a cidade deixa o trio mais unido do que nunca, desde momentos de amizade até aventuras dentro de lojas de shopping. Elodie vive em sua prisão domiciliar obrigatória e começa a levar as reuniões a sério. Moe tenta arduamente ser uma namorada normal para Noah (Odiseas Georgiandis), mas a vida de namorada de atleta simplesmente não se encaixa em sua rotina impulsiva. Por fim, Tabitha ainda não conseguiu superar o abuso e a violência sofrida por Brady e o fato do  menino circular livremente pela escola fazem com que as cenas do passado venham à tona.

A trama

A adição de  novos personagens a história é o que molda a trama dessa segunda temporada. Os mesmos elementos da primeira estão aqui, mas Gatunas amadurece no roteiro e  nos assuntos que resolve tratar. A cleptomania de Elodie ainda existe, mas é colocada em segundo plano em diversas cenas, principalmente quando outras temáticas precisam ter destaque. Em um episódio, por exemplo, a série traz à tona o Black Lives Matters e não poderia ser mais atual. Tabitha é vítima de racismo e o que se segue no arco de cenas é uma verdadeira aula de cidadania. Moe precisa lidar com pequenos problemas, que acabam se transformando em um turbilhão de emoções. Ela ama Noah, mas será que isso é suficiente para o relacionamento dos dois? 

A chegada de Ben (Andrew Jacobs) traz novidades ao arco de Tabitha e o menino é o alívio romântico que a personagem precisava. Torcemos para os dois, mas acima de tudo, torcemos pela felicidade da menina. Chase por sua vez (Nik Donani) pode ser considerado um desperdício em tela, pois seu personagem tenta entregar um pouco de comédia, mas só irrita. O conhecemos de Atypical, onde Donani tem toda a oportunidade de mostrar seu talento. Em Gatunas isso não acontece e suas cenas são apenas cansativas. 

A melhor nova personagem é Jillian (Chloe Levine). Além de levantar outra bandeira, a menina consegue criar um novo ritmo para a série e para Elodie. Jillian evidencia as dificuldades impostas pela sociedade em se assumir, mesmo que o resultado seja facilmente resolvido. O casal formado por ela e Elodie talvez seja o melhor da série e torcemos para um final feliz para as duas. É simples, mas proporciona a Gatunas um romance que estava faltando ali. 

O seriado chega ao fim em sua segunda temporada e apenas nos deixa com um gostinho de quero mais. Infelizmente não terá, mas somos felizes por termos conhecido a trama criada pela Netflix. 

Gatunas está disponível no catálogo da Netflix.