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Há poucos meses nem sabíamos da existência de Away, nova série que chegou a Netflix essa semana. Protagonizada por Hilary Swank, o seriado transporta o público para dentro de um foguete, rumo a Marte, em uma operação que irá durar 3 anos. Inúmeras produções com temática parecida já foram desenvolvidas ao longo dos anos, como os sucessos de Interestelar, Passageiros ou Ad Astra. As semelhanças ficam nos trajes espaciais e no céu estrelado ao lado de fora da janela, pois Away traz muito mais do que uma simples produção sobre o espaço.

A trama

Emma Green (Hilary Swank) é uma astronauta norte-americana, cujo maior sonho é pisar em Marte. Para isso, ela é encarregada de comandar uma tripulação durante uma viagem de 3 anos rumo ao planeta vermelho. A primeira missão a Marte fará com que Emma fique  longe do marido, o também astronauta Matt (Josh Charles), e da filha Alexis (Talitha Bateman). Além da saudade, logo nos primeiros momentos da viagem um grave acidente acontece e Matt é colocado em uma cadeira de rodas. A decisão de seguir a viagem no momento que sua família mais precisa dela não é fácil e muitos questionamos a opção de Emma de seguir em frente.

A tripulação internacional escolhida para embarcar a Marte não poderia ser mais diferente. Ram (Ray Panthaki), Yu (Vivian Wu), Kwesi (Ato Essandoh) e Misha (Mark Ivanir) representam seus respectivos países, mas a convivência em confinamento por 3 anos não é fácil. A relação humana ali é mais uma das diversas pontas criadas na rede da produção, complexa e detalhista desde o primeiro minuto. Cada personagem ganha seu próprio arco e episódio e entendê-los é fundamental para compreendermos a série. Criamos empatia por cada um, ao passo que desenvolvemos sentimentos contrários por eles a medida que os episódios passam.

Os personagens

Enquanto viajam carregando os olhares a responsabilidade de todo o um planeta, os tripulantes precisam aprender a conviver com seus fantasmas do passado e a vida pessoal de cada um. Deixar uma filha adolescente e um marido debilitado não é fácil, bem como esquecer a morte de uma esposa ou a perda de uma companheira. A gigantesca nave Atlas consegue ser bem pequena na hora que os conflitos aparecem 

Swank é o grande destaque da produção e há quem possa dizer que está no melhor trabalho de sua carreira. Ela é fundamental para afastar a série dos clichês tradicionais de produções no espaço, criando toda uma atmosfera humana e orgânica em um cenário de ficção científica. E mesmo quando o seriado nos leva para o espaço, o roteiro acerta em cheio e cria situações tensas e agoniantes que fazem o público grudar os olhos na tela. Torcemos por eles e respiramos aliviados quando tudo dá certo. Uma simples pane nos sistemas pode gerar uma catástrofe quando não há gravidade e eles estão enfrentando o vácuo. É a primeira missão e tudo que lhes aguarda é completamente novo. 

Away

A situação no espaço não é fácil, mas aqui a Terra as coisas não vão muito melhor. Matt precisa lidar com suas desilusões e com o fato de que sua vida agora irá se passar em uma cadeira de rodas. Ao mesmo tempo, ele precisa ser pai e mãe de uma adolescente, frustrada com a “perda” da mãe e a dependência do pai. Matt fica acompanhando a esposa pela televisão, assim como o restante do mundo. A situação da NASA é delicada, pois cada erro é televisionado para todo o planeta e alguns incidentes precisam ser escondidos. 

Por fim, a fotografia incrível é a cereja do bolo de Away. Com imagens em altíssimas qualidades, a tela não é suficiente para nos impedir de ir ao espaço com Emma e sua tripulação. Há cenas em que os personagens precisam, literalmente, concertar defeitos ao lado de fora da nave e tudo que lhes resta é o vazio da galáxia. 

Away está disponível no catálogo da Netflix.