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No último dia 29, chegou na Apple TV+, ILUMINADAS. A série de oito episódios, com produção executiva de Leonardo DiCaprio, adapta o livro de mesmo nome de Lauren Beukes.

À convite, tivemos a honra de conversar com Wagner Moura, que estrela o show ao lado de Elisabeth Moss, Phillipa Soo, Amy Brenneman e Jamie Bell. O ator nos falou mais sobre como foi trabalhar no projeto que mescla thriller, drama e ficção científica.

Contextualizando, Iluminadas acompanha Kirby, uma arquivista de jornal em Chicago cujas ambições jornalísticas são colocadas em suspenso após passar por um ataque traumático. Quando Kirby descobre que um assassinato recente é similar ao seu caso, ela se alia a um jornalista veterano e problemático, Dan Velazquez, para descobrir a identidade do assassino. Mas conforme eles percebem que determinados casos sem solução estão inexplicavelmente conectados, seus próprios traumas e a realidade confusa de Kirby permitem que seu agressor continue um passo à frente deles.

“Eu vi quatro episódios só, e eu gostei muito do que eu vi. O meu personagem, vocês percebem que só começa a pegar tração à partir do episódio três. A história dele… Você começa a entender melhor quem ele, à partir do terceiro, que é um episódio que eu gosto muito… eu adorei, e estou muito animado para conferir o resto quando estrear… É uma série muito difícil, desde o roteiro quando eu li, é uma série muito difícil de equilibrar pois engloba vários gêneros… tem um drama de uma menina procurando o cara que a violentou, e ao mesmo tempo procurando a si própria… E ela vai se empoderando com o passar da série; e ao mesmo tempo é uma série de ficção científica, e ao mesmo tempo trata de um assunto pesado que é o feminicídio… Eu acho que a showrunner, equilibra muito bem essa mistura de gêneros… E no final, o que faz com que uma pessoa acompanhe uma história do início ao fim, é a conexão que a pessoa faz com o personagem principal sobretudo. E essa conexão que a gente faz com a Kirby desde o começo, é muito forte…”

Moura vive Dan Velázquez no show, um repórter veterano do Chicago Sun-Times que se conecta com Kirby para investigar o caso e descobrir a verdade sobre os assassinatos.

Mas como ele se preparou para o papel? Ele nos contou: “… eu gosto de pesquisar muito antes de começar o trabalho. Esse personagem tem uma coisa interessante, porque ele é jornalista, que é a minha formação, eu me formei em jornalismo lá na UFBA, então eu comecei por conversar com meus amigos jornalistas em Salvador, sobre as diferenças em ser um jornalista nos anos 90 que foi onde a história acontecia, que foi mais ou menos a época que estávamos na universidade, e hoje em dia. E… enfim eu ouvi qual era a situação do jornalismo hoje e naquela época, eu li muitos livros sobre jornalismo, que eu tinha deixado… E uma coisa muito legal que eu fiz foi que, eu me conectei com um jornalista investigativo do Chicago Sun-Times, que foi um cara incrível, que me deu a maior moral, me levou na redação do Sun-Times, conversava comigo… Virou um super amigo querido, então é isso. Eu acho que a preparação começou por isso, pelo jornalismo mesmo.”

Sobre as filmagens, Moura explicou que aconteceram em blocos, afinal foram várias diretoras que conduziram esse projeto “… A Michelle dirigiu os episódios 1 e 2, que já estavam prontos, então a gente começou por eles, depois os episódios 3 e 4, e depois a “Lizzie”, Elisabeth Moss dirigiu o 5 e o 7. O 6 é um episódio diferente, que não vou dizer porque…”

Por aqui já estamos curiosos sobre este famigerado sexto episódio!

Ah, outra curiosidade que você talvez não saiba, mas que Moura contou, foi que originalmente seu personagem é Porto-Riquenho, no entanto ele sugeriu que Dan falasse português, pois soaria mais orgânico em cena. A priori, Silka Luisa, showrunner da série não curtiu muito a ideia, mas quando viu em cena ela soube que era o certo!

A obra original de Lauren Beukes possui inúmeros pontos de vista, o que pode causar estranheza ao leitor, no entanto a produção audiovisual torna essa contação de história complexa, mais fluida: “Eu acho que a série simplifica, pois segue o ponto de vista da Kirby somente. A gente vê o que ela vê e sente o que ela sente, o que mais uma vez, eu achei uma escolha muito boa, porque nos conectamos com ela… Se ela fica confusa, nos ficamos confusos, quando a realidade dela muda, a gente fica confuso também, mas tem uma segurança narrativa nisso, porque se a personagem tá confusa, tá tudo bem, porque não é o espectador que tá confuso, a gente está acompanhando a série pelo ponto de vista dela, e eu achei isso uma coisa muito legal da adaptação.”

Por aqui costumamos dizer que um filme nunca é só um filme, uma série nunca é só uma série, assim como um livro nunca é só um livro. Sempre há mais para se dizer. Com Iluminadas não poderia ser diferente. Aqui vemos uma mulher buscando se entender, e ao mesmo tempo ajudar outras mulheres, e sobrevivendo dia após dia…

“É… eu acho que essa é uma série feita por mulheres, baseada no livro de uma mulher, produzida por mulheres, com uma protagonista mulher, e que trata de um tema muito forte que é o feminicído… E é bom porque nunca a Kirby… E mesmo passando por uma mudança de temperamento muito grande do primeiro episódio até o final, ela nunca se comporta como a vítima, ela é sempre uma mulher que vai em busca do que ela acha justo para ela, para descobrir quem ela é, porque aquelas coisas acontecem com ela, quem é aquele cara que fez aquilo com ela, e à partir, sobretudo do episódio 4/5, que vamos descobrindo as relações sobre o que ele fez com ela e a quantidade de mulheres que ele matou desde os anos 20, ela vai começar a lutar por ela, e por essas mulheres também, né?! Ou seja, é bonito… Nesse sentido a série tem uma carga política muito legal, mas ela não é só isso… E consegue ser uma mistura muito bem equilibrada de coisas.”

Em suma, ILUMINADAS é um show repleto de camadas e nuances. Complexo e necessário à sua maneira. Alie isso a uma mensagem poderosa de sororidade e sociedade. Só por isso, já merece seu play!

Não perca ILUMINADAS na Apple TV+ com episódios semanais.

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