O ano é 1967 e o nome Dolittle chega pela primeira vez aos cinemas. Interpretado originalmente por Rex Harrison, o lendário veterinário logo caiu nas graças do público. A habilidade de se comunicar com os animais o fez especial, bem como tornou sua história agradável e divertida. Harrison chegou a interpretá-lo uma única vez, mas não foi o responsável pelo sucesso de Doutor Dolittle.

Em 1998, Eddie Murphy interpretava o médico pela primeira vez. O carisma do ator caiu como uma luva para o veterinário, com seu jeito exótico e divertido. Murphy parece ter sido feito para o papel, que carrega a responsabilidade no nome até os dias de hoje. Doutor Dolittle ganhou ainda uma continuação, em 2001, com Murphy reprisando o protagonista.

Outros três filmes foram feitos sobre o veterinário, trazendo o mesmo título. A partir do terceiro, porém, Murphy aposentou o jaleco e o entregou a Kyla Pratt. A atriz deu vida a Maya Dolittle, filha do médico. Maya herdou as habilidades do pai de se comunicar com os bichos e deu continuidade a história iniciada em 98. Sem o carisma de Murphy, porém, os filmes não atingiram o sucesso esperado e são até mesmo esquecidos pelo público.

O Novo

Em 2020 chegou aos cinemas a mais nova versão do famoso veterinário. Carregando o legado e a responsabilidade deixada pelos outros personagens, o nome escolhido para dar sequência a história foi pra lá de especial. Nada melhor para trazer fãs aos cinemas do que escalando um dos maiores nomes de Hollywood da atualidade. O que um dia foi feito por Eddie Murphy, hoje está nas costas de Robert Downey Jr.

O ator interpreta uma versão quase aposentada do médico. Após perder o grande amor de sua vida em um naufrágio, Dolittle perdeu a vontade de viver. Todo o prestígio e reconhecimento que ganhou da rainha da Inglaterra foram deixados de lado, bem como sua higiene pessoal. Suas únicas companhias se tornaram os animais, que vivem com ele no santuário.

A rotina nada monótona do veterinário é interrompida com a chegada de duas crianças. Stubbins (Harry Collett) está se sentindo culpado por ter acertado um tiro acidental em um esquilo. O menino não segue o espirito caçador do tio e vê em Dolittle seu ideal de vida. Não demora para a criança encontrar seu ídolo e se tornar um aprendiz é seu maior desejo.

A Trama

Lady Rose (Carmel Laniado) recorre ao médico como sua última opção. A menina representa a rainha da Inglaterra, que adoeceu de repente e não apresenta melhoras. A pedido da monarca, a criança vai até a mansão de Dolittle e implora por sua atenção. Ela logo cria uma amizade com Stubbins e a dupla é exatamente o que o médico precisava para sair de seu buraco negro.

A cura para a doença da Rainha Victoria (Jessie Buckley) está em uma ilha misteriosa. A essência de uma fruta rara e mágica é a única solução para evitar que algo pior aconteça. Para chegar lá, porém, o veterinário vai precisar visitar seu passado e as lembranças que teve ao lado de Lily (Kasia Smutniak). Ele precisa encontrar o diário que escreveu com sua amada, que encontra-se escondido em meio a armadilhas, piratas e tigres sanguinários.

O Elenco

Dolittle chegou aos cinemas sem muito alarde, sem grandes divulgações ou campanhas. A produção reúne um elenco de peso, com grandes nomes de Hollywood. Quem assistir no idioma original terá um desafio próprio de reconhecer as vozes dos animais. São fáceis e dão um toque especial a produção.

Além dos rostos de Downey Jr., Michael Sheen, Jim Broadbent e Antonio Banderas, como o pai de Lily, grandes nomes dão voz aos personagens. Poly é dublada por Emma Thompson, Chee-Chee por Rami Malek, Yoshi por John Cena, Dab-Dab por Octavia Spencer, Barry por Ralph Fiennes, Betsy por Selena Gomez e Plimpton por Kumail Najiani. O encontro mais aguardado pelos fãs está na voz de Jip, o cachorro. Ele é dublado por Tom Holland e é impossível não lembrar da parceria entre o ator e Downey Jr. na franquia Vingadores.

Apesar dos grandes nomes, o filme não emplacou. Com apenas 14% de aprovação no Rotten Tomatoes, o longa ficou muito longe de alcançar as expectativas. Trazendo Downey Jr como protagonista e um elenco de grandes nomes, era de se esperar que a nova versão do clássico fosse minimamente excelente. E não foi.

Os Problemas

O roteiro do longa é raso, sem grande desenvolvimento e sem se arriscar. O filme não empolga em nenhum momento e apenas assistimos até o final. Mesmo a genialidade do protagonista não sustenta toda a produção, que parece ter sido criada para manter o nome de Robert Downey Jr. entre os filmes do momento.

Muito se investiu nas vozes dos personagens, trazendo nomes de peso para o elenco. O que vemos, porém, são animais criados com uma ótima CGI e qualquer voz ali teria o mesmo impacto. O dinheiro usado no elenco poderia ter sido investido no roteiro, criando-se algo de maior duração e qualidade.
Dolittle é bobo e pode até mesmo ser classificado como filme infantil.

As expectativas eram altíssimas e inicialmente parece que serão alcançadas. Não demora, porém, para entendermos o que irá acontecer. O filme se transforma em uma ficção simples, previsível, com o mesmo ritmo mediano até o final. Esperamos por um plot twist ou por um momento auge, que não chega.

Enfim…

Os filmes estrelados por Eddie Murphy seguem trazendo o Doutor Dolittle dos cinemas. É provável que a produção de Downey Jr. seja esquecida em alguns anos, principalmente diante de grandes outros filmes estrelados pelo ator. Ele é o astro, mas não sustenta o roteiro de seu mais novo lançamento. Uma pena, pois assim como os fãs, esperávamos muito dessa nova versão do clássico.

Dolittle está em exibição nos cinemas brasileiros.