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A autora Verena Cavalcante, publicará em dezembro seu livro Inventário de Predadores Domésticos pela Darkside. Tivemos a honra de conversar com a mesma que está incrivelmente feliz por fazer parte da família caveirinha.

“…uma sensação de irrealidade? Tô me sentindo assim. Tá sendo uma experiência maravilhosa e assustadora. Tô aprendendo pra caramba, fazendo amizades sólidas, aproveitando a viagem e, ao mesmo tempo, tentando prender o cinto de segurança enquanto o carro faz uma curva fechada.”

Antes de escrever, Verena sempre amou ler muito, e nos falou que tudo o que nos causa deslumbramento acaba por ser uma fonte de inspiração, sendo seus autores favoritos: Angela Carter, Miguel Torga, Elena Ferrante, José Mauro de Vasconcelos, Hilda Hilst, William Faulkner, Mariana Enriquez, Raduan Nassar, Samanta Schweblin, Gabriel García Márquez, Julio Cortázar, Junji Ito, Lygia Fagundes Telles, Stephen King, Shirley Jackson, Anne Sexton.

Inventário de Predadores Domésticos inclui dois livros de Verena, surgidos de maneiras diferentes e com propósitos distintos, e mais uma dezena de contos inéditos que se encaixam ora na proposta de um, que trata de histórias de violência e perversidade narradas por crianças, ora na proposta de outro, que tem uma atmosfera mais voltada para o realismo-fantástico, o interior insólito, o humano enquanto fera selvagem. O que os une é como uma exposição macabra sobre a perversão humana e as relações predatórias entre os seres. Os insetos estão ali como símbolo, mas também como representação.

A autora nos explicou que a escolha do interior, remete sua infância como “uma menina do interior” e externou que quando “…as vozes que ecoam na minha cabeça quando escrevo, as imagens que surgem nos olhos da minha mente, todas remetem aos lugares da minha infância, um local que costumo acessar quando recorro à escrita. A tradição oral, a contação de histórias, os causos de assombração, tudo isso sempre esteve muito presente na minha vida e faz parte da minha essência.”

Finalizando Verena nos contou que não possui um processo de escrita definido, ela prefere “fingir que não tem nada acontecendo”; e em relação à expectativas “O que eu espero dos meus é que eles sofram com o que escrevi. Que sintam repulsa, angústia, tristeza, nostalgia. Que acessem lugares ocultos dentro do peito, cheios de poeira e terra de cemitério. Eu vivo pra fazer as pessoas infelizes. É o que me dá prazer.”

Mal poemos esperar para conferir na íntegra Inventário de Predadores Domésticos e desejamos muito sucesso para essa autora incrível!

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