Conheça Jenny Eagan a figurinista de Glass Onion: Um Mistério Knives Out

Jenny Eagan, assim como boa parte da equipe, já havia trabalhado em Entre Facas e Segredos. Por isso, já sabia que seria um desafio e uma alegria projetar os figurinos para um elenco tão numeroso. Encarregada de contar a história através das roupas, Eagan conversou com o elenco de Glass Onion e todos tinham opiniões sobre o estilo dos personagens.

Ela relembra: “O elenco do filme é realmente espetacular. Eles sabem muito e mergulham de cabeça nos personagens, então só dou um empurrãozinho para os ajudar a chegar no resultado certo. Adoro ouvir sugestões para os figurinos, porque assim posso criar algo ainda melhor. Benoit, por exemplo, tem um chapéu que é tipo um chapéu-coco. Nós o reduzimos. São esses pequenos ajustes aqui e ali que realmente transformam o resultado. No caso do Benoit, a ideia era preservar o passado, a Hollywood de antigamente. Afinal, ele é um cara viajado e provavelmente assiste a vários filmes antigos”.

 E o grande desafio era: será que Glass Onion também ganharia looks inesquecíveis, como o suéter de lã que Chris Evans usou no primeiro filme? O filme tem vários figurinos impactantes, como um vestido bem esvoaçante que fez Kate Hudson brilhar e uma sunguinha que acabou esculpindo ainda mais o corpo de Dave Bautista. Mas o conjuntinho de banho do Benoit Blanc, que faz a linha “estranho porém elegante”, é sem dúvida o look do filme.

Eagan explica: “Não sabia o que fazer para essa cena porque ele teria que vestir uma camisa. Mas que tipo de camisa um cara como o Benoit Blanc usaria? Uma regatinha certamente não combinaria com ele. Por acaso, conversei com um alfaiate com quem já trabalhei. No passado, o pai dele fez os trajes de banho do Frank Sinatra e guardou o tecido, que era bem ousado. Eu avisei: ‘Daniel, é isso, você topa?’”. 

Craig topou, claro, e também se mostrou muito detalhista quanto ao tipo de trajes que Blanc teria em seu guarda-roupa: “Acho que ele é um homem que se importa com a aparência. Quando Jenny e eu começamos a conversar sobre o figurino, pensei em Ladrão de Casaca e As Férias do Sr. Hulot. Esses eram os meus pontos de referência. Acho que as roupas dele até têm um quê de humor, mas são uma forma de homenagear não só esses filmes, mas também atores como Cary Grant e Jacques Tati”.

Kate Hudson e Janelle Monáe sabiam que tinham tirado a sorte grande no filme, com os figurinos chiquérrimos de suas personagens.

Hudson conta: “Foi muito divertido para nós duas, até porque somos doidas por roupas. No set, uma olhava para a outra e falava: ‘Uau!’.

A atriz completa: ”Foi uma alegria trabalhar com a Jenny, até porque não há limites para os figurinos da Birdie. Faz tempo que não tenho um figurino tão expressivo, que traz vida pra minha personagem. Foi isso que senti com os figurinos da Jenny: a Birdie nascia ali, na hora”.

E no meio de tantas roupas chiques, um vestido colorido de festa realmente se destacou.

“O vestido foi criação nossa. Rian imaginou um grande momento com Kate rodopiando, como se ela estivesse criando uma ilusão. Isso acaba gerando uma espécie de efeito visual, porque parece um arco-íris giratório. Mas o mérito é todo da Kate, porque na realidade é um vestido bem simples. E ela consegue passar esse ar bem casual de quem vestiu um look bem simples só para jantar”, explica Eagan.

Monáe também teceu elogios: “Foi uma honra trabalhar com a Jenny. Ela tem um ótimo olhar para a moda e me deu muito material para trabalhar. A Andi tinha que ser uma mulher de bom gosto. A gente queria que, assim que ela aparecesse em cena, todo mundo pensasse: ‘Ai, quero as roupas dela!”. 

Eagan comenta: “A Janelle é uma das mulheres mais bonitas que já vi na minha vida. Aquele tecido vermelho que ela usa logo no início do filme, quando ela desembarca do carro e segue em direção ao barco, é uma coisa de outro mundo. É minha peça favorita no filme todo. Além disso, havia algo muito calculado ou premeditado na Andi, então queria que as roupas dela tivessem um quê de geométrico, como se ela estivesse sempre montando um quebra-cabeças. É por isso que tudo o que ela veste tem um quadrado, ou vários quadrados e círculos”.

Sobre os figurinos de Miles, Eagan explica: “Edward Norton tinha ideias bem específicas para o personagem, até porque ele conhece gente assim na vida real. Miles é tão rico, então não faz tanta diferença. Só que mesmo assim, tudo é muito caro. Ele pode estar vestindo um farrapo, mas esse farrapo com certeza custou uma pequena fortuna”.

Norton adorou os figurinos de seu personagem e do resto do elenco: “Só as roupas já são responsáveis por uma boa parte da comédia do filme. Mas meu figurino não é nada comparado ao da Kate Hudson e do Dave. Em uma cena, ele aparece na piscina… Quando vi pela primeira vez, caí na gargalhada. Ele é muito engraçado”.

Por falar na piscina e na sunguinha que Dave usa nessa cena, Eagan conta que ele é um amor de pessoa. “Foi o primeiro do elenco a fazer a prova das roupas. Não me lembro como o traje de banho dele aparecia no roteiro, mas sei que deixava muita pele à mostra. E nem pensei duas vezes: ‘Tem que ser uma sunguinha, e ela tem que ter uma estampa animal’. A questão era: até onde dá para ir sem exagerar? E aí encontrei a saída de praia e os Crocs com a estampa combinando. Foi perfeito. Dave estava meio nervoso, mas entrou na onda”.

Bautista admite: “Já subi em tanto ringue de luta vestindo pouca roupa que é difícil acreditar que eu estava um pouco constrangido, mas estava”. O empurrãozinho extra veio de uma colega de elenco: “Kathryn Hahn falava: ‘Vai com tudo! Você está ótimo! Cheio de músculos, tem mais é que mostrar mesmo!’”.

 Madelyn Cline também adorou o figurino não só da Whiskey, a parceira de Duke no mundo dos influenciadores, mas do resto do elenco: “Não tenho nem palavras para descrever o trabalho da equipe de figurinistas. Em um dos primeiros dias de filmagem, Rian nos viu reunidos em um mesmo lugar, a caminho da praia, e simplesmente caiu na gargalhada. Você sabia quem era cada personagem só de olhar o figurino”. 

 Eagan acredita que as roupas de Whiskey revelam como ela está sempre negociando o lugar que pode e quer ocupar dentro de uma arena cheia de pessoas tão formidáveis: “É evidente que ela tem um objetivo. No começo, ela está dançando conforme a música de Duke, mas já passou por isso antes. Então, é como se a Whiskey estivesse sempre tentando ir além. E depois, tem aquela cena em que ela sai da água, que tem um pouco de sofisticação, mas ainda assim é muito sugestiva. Aquele vestidinho que ela usa na festa, por exemplo. Alguns diriam que uma mulher vestida daquele jeito só quer uma coisa, mas ela é tão inteligente que o look acaba servindo um outro propósito. Ele mostra que é possível se vestir como quiser, e que as roupas não definem ninguém. É por isso que amo tanto essa personagem. Queria muito ajudá-la nessa missão de enganar os homens ao redor dela”.

 Hahn, que interpreta a personagem menos “fashionista” do filme, já brincou dizendo que não vão ser as sungas e os trajes de banho que vão fazer sucesso, mas sim os looks funcionais de sua personagem: “Olha, vou ser bem sincera. Acho que a minha viseira vai ser um arraso. E o meu vestido bege, com certeza, vai cair no gosto do povo”.

Eagan complementa, com um sorriso meio encabulado: “No final das filmagens, acho que ela queria arrancar a minha cabeça. Mas aquelas roupas eram a personagem. Acho que nenhuma outra pessoa nesse mundo conseguiria fazer o que ela fez usando tanto bege o tempo todo”. Hahn complementa: “Tive que fazer as pazes com o figurino e encontrar os pontos positivos dele. A viseira era realmente fantástica”.

Até o cientista interpretado por Leslie Odom tinha que ter mais estilo: “Ele queria brincar com isso: ‘Será que todo cientista precisa ser careta assim?’”, questiona Eagan. A resposta?  “Claro que não. Uma pessoa muito inteligente e que estuda vários assuntos diferentes pode sim ter estilo. No caso do personagem dele, tentamos trabalhar também com uma pegada cultural. Assim, foi possível brincar com vários aspectos do figurino, em especial com os chapéus. Leslie também é apaixonado por roupas, então o processo todo foi bem legal”.

Odom acrescenta: “Lionel é cientista estiloso, viaja pelo mundo e está sempre envolvido com alguém. E hoje em dia, no ambiente de trabalho, não é sobre tentar ser como todo mundo, mas sim deixar sua individualidade brilhar. Uma pessoa que viajou para o Marrocos, por exemplo, vai querer voltar para o trabalho com um bracelete ou uma jaqueta bacana que comprou por lá. E isso ajuda a enriquecer o ambiente de trabalho para todo mundo”.

Já Jessica Henwick ficou entre o hipster e estilo zero. Ao comentar sobre os shortinhos de malha e as sandálias de Peg, a atriz disse: “Queria que o look dela tivesse um ar de quase descolado. Só que não é, claro. Não tem nada de descolado, porque sempre tem uma coisa ou outra que simplesmente não funciona. A Peg definitivamente não preparou as malas pensando nas fotos que ela poderia postar no Instagram. Na verdade, ela só está tirando fotos da Birdie”.

Eagan complementa, com uma risada: “A pochete e o short jeans todo cortado, a sandália de hipster… tem muita gente mais nova usando esse mesmo visual. E ela encarnou essa aura muito bem, porque ela dá um ar de quem não está nem aí. Tudo no mundo da Peg é um saco, então as roupas que usa são uma espécie de porto seguro que ela pode levar para qualquer lugar”. 

 Henwick acrescenta também que Peg é a personagem com o visual mais confortável: “Nós todos passamos o filme inteiro com só duas mudas de roupa, praticamente. Não me lembro quando foi a última vez que tive um figurino tão confortável”.

Eagan também falou sobre como foi trabalhar com Rian ao longo do projeto: “Ele é especial e conhece esse tipo de filme muito bem. Isso poderia dificultar o meu trabalho porque é como se ele já tivesse batido o martelo sobre toda a parte visual da história. Nesse caso, eu teria que superar todas as expectativas. Rian é especial porque sua visão é muito específica e detalhada, e ainda assim ele abre espaço para que você possa explorar o terreno, reconhecendo seus esforços. Ele nunca diz ‘não’: ele sempre vai pelo caminho do ‘legal, vamos ver se dá’. É por isso que adoro trabalhar com ele”.

Edward Norton arremata: “Acho que o figurino do filme tem muito potencial para arrancar gargalhadas constantes de quem estiver assistindo”.

De acordo com Johnson, o título do filme deve-se em parte à expressividade de Blanc, e é também uma homenagem à música dos Beatles de 1968 com o mesmo nome. “Estou sempre à procura de algo divertido que Blanc possa agarrar como uma metáfora exagerada e espancar até a morte”, diz ele. “Tudo isso está evidente desde o início. Então, veio a ideia do vidro, algo que está claro. Eu vou ser muito honesto. Eu literalmente peguei meu iPhone e procurei na biblioteca de músicas uma com a palavra ‘vidro’. Devem existir algumas boas músicas com vidro. Eu estava tipo, ‘Ah, é uma fortaleza de vidro? É um castelo de vidro? É um homem de vidro?’. E a primeira coisa que surgiu, porque eu sou um grande fã dos Beatles, foi ‘Glass Onion’.”

GLASS ONION: UM MISTÉRIO KNIVES OUT chega em 23 de dezembro na Netflix!

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