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CLOVERFIELD, FRANQUIA POR ACIDENTE OU A PROMESSA DE UMA NOVA LINGUAGEM NOS FILMES DE SUSPENSE ESPACIAL?

Há exatamente 10 anos, a Paramount Pictures lançava a franquia Cloverfield. ‘Cloverfield – Monstro’ conta a história de um grupo de Nova York que se diverte em uma festa sem saber que enfrentará a noite mais assustadora de sua vidas. Um monstro imenso aterrissa na cidade, trazendo como consequência morte e destruição. Usando uma câmera de vídeo, amigos gravam a dificuldade para sobreviver enquanto toda a cidade é destruída.

O que muitos não sabem são os fatores que levaram a produtora a lançar um filme tão diferente para a época. Com o sucesso de Atividade Paranormal, a Paramount Pictures estava estudando o formato “found footage”, difundido com o sucesso de A Bruxa de Blair em 1999. ‘Cloverfield’ preencheu uma lacuna vazia da produtora, um espaço guardado para produções alternativas e de orçamento baixo.

A dúvida na produção era tão grande que os atores apenas receberam autorização para ler o roteiro após assinarem o contrato para estrelarem o filme. O título ‘Cloverfield’ era inicialmente um codinome para o filme, sendo o nome da rua em Santa Monica onde estavam os escritórios da produtora Bad Robot durante a realização das filmagens. O 1º trailer de Cloverfield – Monstro foi exibido no lançamento de Transformers (2007), aproveitando o sucesso da franquia, nele era mostrada uma explosão gigantesca no coração de Nova York e a cabeça da Estátua da Liberdade sendo atirada numa rua, O que poucas pessoas sabem é que a cabeça decapitada da Estátua da Liberdade foi inspirada no cartaz de Fuga de Nova York de  1981. Todas as cenas foram gravadas com uma câmera portátil, sendo que nenhum título constava no trailer e com o orçamento limitado, o filme não possui trilha sonora original, a única música do filme está presente nos créditos finais de pois de 1 minuto e 30 segundos após seu início. Mesmo com todos os problemas a Bad Robot conseguiu entregar um caso de sucesso, ficando em primeiro lugar nas bilheterias por várias semanas, ‘Cloverfield – Monstro’ teve um resultado inesperado.

Mesmo com o sucesso inesperado, Bad Robot teve problemas para dar continuidade ao que seria uma trilogia. Foram necessários 7 anos para que ‘Cloverfield – Rua 10’ saísse do papel e entrasse em pré-produção, com isso, o novo filme da franquia foi lançado 8 anos após os acontecimentos de ‘Cloverfield – Monstro’. Com este grande intervalo, poucas pessoas vincularam as duas produções.

Seguindo uma estratégia estranha, ‘Cloverfield – Rua 10’ foi lançado como um suspense psicológico, enquanto o primeiro foi considerado um ‘terror’ no estilo “found footage”.

A priori ele não é nem um prequel nem uma continuação direta do filme de Matt Reeves, que foi lançado em 2008 e produzido por J.J.Abrams. Pois é… apesar do nome do produtor se destacar mais do que o diretor, este novo filme também não foi dirigido pelo criador de “Lost“. O estreante Dan Trachtenberg é quem está à frente deste longa que pega emprestado o universo apocalíptico de uma invasão alienígena nos EUA para nos apresentar uma micro história de confinamento. Tema inclusive explorado em episódios de séries como “Além da Imaginação” e “Lost”.

“Rua Cloverfield, 10” começa de maneira casual mostrando a jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead) fazendo uma mudança às pressas em um apartamento e pegando a estrada. No meio do caminho, um acidente acontece e subitamente ela se vê trancada em uma cela algum tempo depois. Este é o momento em que conhecemos Howard (John Goodman), um aposentado da Marinha que construiu um verdadeiro bunker ao longo dos anos para se proteger do fatídico dia.

Este clima de tensão crescente que culmina em briga, sangue e mortes confere vários pontos positivos ao filme apesar de ser em sua essência um produto da grande indústria hollywoodiana que não abre mão de uma trilha sonora intermitente e de finais explicadinhos. O cenário claustrofóbico e a boa interação entre os atores também ajuda a manter uma empatia com a história.

Em meio a um confinamento sem Pedro Bial e um regime “sobrevivencialista” alimentado pelos extremismos ideológicos do mundo real, o que ainda me marca em “Rua Cloverfield, 10“, mesmo que não seja enfatizado, é uma específica frase do personagem de John Goodman: “Loucura é construir uma arca depois que o dilúvio já começou“. Estaria certa essa galera dos bunkers? Seriam elas as formigas e nós as cigarras? Seriam os deuses astronautas? Quem sabe.

“The Cloverfield – Paradox” foi lançado de surpresa depois do último Super Bowl, mas parece que o resultado final que foi lançado na Netflix era bem diferente do roteiro original, que vai bem além de apenas seu título, que antes era Partícula de Deus. O filme busca dar algumas respostas quanto aos eventos ocorridos nos dois outros capítulos da série. Com essa promessa, se inicia a jornada da equipe da estação Cloverfield. Sendo assim, estamos acompanhando a saída do planeta terra já que os primeiros filmes, nos mostram a destruição da humanidade como um todo.

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