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FECHEM AS CORTINAS

O ano era 1981 e uma das maiores produções da Broadway estreava nos cinemas. Cats, inspirada na obra de T.S. Elliot, ainda não sabia, mas ficaria no ar por 38 anos. Ao longo de sua exibição foram inúmeros prêmios, desde o Tony de Melhor Musical até o Laurence Olivier Award.

A produção da Broadway entrou na série de live-actions dos últimos tempos. Com uma expectativa alta, representando o sucesso que a peça trouxe durante seus 38 anos, Cats estreou no final de 2019. E o dia 25 de dezembro não poderia ter trago um presente pior. Desde sua estreia o filme vem sendo um fiasco, e deve trazer um prejuízo de $70 milhões de dólares.

Sabemos que a crítica internacional pode ser cruel e muitas vezes equivocada, mas não é o caso. Cats pode estar no ranking de piores filmes de 2019 e deveria ter se atido aos palcos. ,

O Filme

Musicais foram adaptados para o cinema diversas vezes ao longo dos anos. Para um sucesso, é necessário que a história seja contada e moldada para uma tela de cinema, perdendo um pouco da interação que o palco traz com o público. Desde que a transformação seja pensada e bem desenvolvida, não há mistérios escondidos por trás do sucesso de um musical.

Tom Hooper procurou focar sua produção na música. A escolha do elenco não poderia ter deixado mais claro a intenção, trazendo principalmente cantores ao invés de atores. Somado a isso, o diretor optou por não filmar seus artistas com as vestes felinas, alegando que seria mais confortável dançar sem as mesmas. O resultado foi um desastre. A computação gráfica é péssima o que vemos em tela é bizarro.

O desastre

E por falar em CGI, é impossível não mencionar o cenário. A sensação que temos é que o filme se passa em um único lugar, onde apenas detalhes são mudados. Não há movimento, não há suavidade. Tudo é escuro, sem grandes destaques. Mais uma vez, passar o musical para o live-action não deu certo. Enquanto nos palcos o visual dos becos chama a atenção, na tela não funciona e só rezamos para acabar logo.

Cats apresenta quase duas horas de duração, mas é possível ficar exausto em apenas 30 minutos. O arco de cenas se repete, apenas com a mudança dos personagens. Não há história ou roteiro que integre-as e faça sentido. O filme parece um conglomerado de clipes musicais, alocados juntos sem a preocupação de fazer um link entre eles. Encerramos a produção e nos perguntamos: o que foi isso? Este é Cats.

O elenco

Não devemos colocar toda a culpa do fiasco de Cats no elenco. Judi Dench interpreta Deuteronomy, a velha gata responsável pelo grupo dos felinos. A tribo precisa escolher um dos gatos para seguir uma nova vida e há uma série de apresentações para que Deuteronomy faça a escolha. O “vilão” da trama é interpretado por ninguém menos do que Idris Elba, que funciona no papel, mas é extremamente mal aproveitado.

A grande salvação do filme está, provavelmente, na química entre o restante do elenco. Os personagens se mostram a vontade e realmente parecem estar felizes por estarem ali. Taylor Swift dá um show a parte e protagoniza a melhor cena do filme. Jennifer Hudson, Jason Derulo, Rebel Wilson e a genialidade de Ian McKellen são outros nomes do elenco que tornam a produção algo passível de ser assistido.

Enfim

Em suma, Cats é um desastre e merece ser esquecido. Tom Hooper é a grande alma por trás de produções como O Discurso do Rei e A Garota Dinamarquesa, e seu mais novo lançamento não deve ser levado em conta. Guardemos a imagem do musical da Broadway na cabeça e esqueçamos que o mesmo foi, um dia, levado aos cinemas.

Cats chegou aos cinemas no dia 25 de dezembro e ainda está em exibição.