Filmes sobre caso Richthofen entregam dois lados de uma mesma história

No último dia 24, chegou no Amazon Prime Video, os tão aguardado filmes ‘A Menina Que Matou os Pais‘ e ‘O Menino Que Matou Meus Pais‘, depois de tantos adiamentos em virtude da pandemia, as produções pularam as salas de cinema e foram lançados diretamente no streaming.

Os longas, que tiveram Ilana Casoy e Raphael Montes como roteiristas, retratam os meios que justificaram os fins de um dos mais brutais crimes que assolaram o Brasil no início dos anos 2000.

Para quem não está familiarizado com o “Caso Richthofen” que aconteceu em 2002, e que até hoje, mesmo depois da prisão dos envolvidos, possui muitas lacunas. Neste caso, Suzane, um jovem de classe média alta, juntamente com seu namorado, Daniel Cravinhos, e seu cunhado Cristian Cravinhos, planejaram o assassinato dos pais da menina, Manfred e Marísia von Richthofen, daí o título dos filmes.

‘A Menina Que Matou os Pais’ e ‘O Menino Que Matou Meus Pais’ tem como base os depoimentos dos réus, Suzane e Daniel, durante os próprios julgamentos, que aconteceram em 2006, focando na história de como se conheceram, como era a relação deles, até o fatídico dia.

Para quem ama true crime, é surreal perceber como base nos depoimentos as nuances da personalidade de cada um dos réus. Em ‘O Menino Que Matou Meus Pais’, vemos Suzane contando sua versão, sempre com muitas lágrimas; já em ‘A Menina Que Matou os Pais’ vemos Cravinhos em uma posição muito segura.

Se eu tivesse que dizer em quem acreditei, certamente diria que em nenhum dos dois. Não é segredo que Suzane foi descrita inúmeras vezes durante o processo como dissimulada e manipuladora, e isso fica visível em seu depoimento, tornando o relato de Daniel muito mais real e aceitável. O motivo em ambas as narrativas são os pais de Suzane, para a filha o pai era um homem amoroso, para o namorado, Manfred era um homem ameaçador, enquanto em ambos relatos, Marisia era contra o relacionamento. Aqui certamente cabe aquela frase clichê de que para uma história sempre existem 3 versões, onde a real, nunca conheceremos.

As atuações são a cereja do bolo, e posso dizer que este é o trabalho da vida de Carla Diaz, que transita da doce e inocente Suzane [álter ego que a mesma utilizava para justificar sua inocência], pela viciada e inconstante jovem, até a ré manipuladora que busca convencer o júri de que foi induzida. A dupla soa incrivelmente natural, e passeiam pelas cenas de maneira orgânica, provando que entenderam a essência de ambos acusados.

A produção simples e com poucos recursos, consegue captar com maestria a proposta da produção, e assistir os dois é primordial, independente da ordem que escolha, pois ambos se complementam, e montar o quebra-cabeça, fica a cargo do espectador.

No mais, independente dos nossos achismos, é preciso lembrar que ainda hoje essas pessoas estão presas, pessoas foram mortas e a vida das famílias foram destruídas.

‘A Menina Que Matou os Pais’ e ‘O Menino Que Matou Meus Pais’ já estão disponíveis no Prime Video.

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