AVES DE RAPINA | Expectativas atrapalham a produção!

ELAS CHEGARAM

Não há duvidas sobre expectativas quando o assunto é Aves de Rapina. O filme está entre os mais aguardados de 2020, principalmente pelos fãs brasileiros. A vinda do elenco para a CCXP 2019 e o carisma de Margot Robbie só aumentaram a ansiedade para a chegada de fevereiro. Um ótimo elenco, uma grande história e altas expectativas, a fórmula perfeita para o sucesso.

Aves de Rapina enfim chegou aos cinemas. Com direito a fãs vestindo camisas de suas heroínas, o longa era o pé direito que a DC precisava para começar um ano de sucessos. Após quase duas longas horas de duração, veio a certeza de que o ano dos fãs de herói começou com o pé trocado. O filme decepciona, com uma protagonista fraca e um bom final, que dura não mais do que 15 minutos.

Arlequina

O grande chamariz de Aves de Rapina foi criado, de forma errônea, em cima de Arlequina. A ideia de trazer de volta o grande sucesso de Esquadrão Suicida foi boa, afinal, após o desastroso Coringa de Jared Letto, Margot merecia a chance de reprisar sua personagem.

Associá-la ao grupo de heroínas parecia o plano perfeito e realmente poderia ter sido. Não há muito o que falar de Harleen Quinzel além do que já sabemos. Boa parte de suas histórias e destaques vem associada a imagem do ex-namorado e o novo filme prega a emancipação da personagem em relação ao Coringa. Mais uma vez, o plano perfeito foi orquestrado e um grande filme viria por aí.

O título da produção dá destaque às Aves de Rapina, grupo formado por Canário Negro e Caçadora nos quadrinhos, mas que ganhou duas grandes adições no filme. A policial Renee Montoya se junta a equipe e o novo trio de heroínas está formado. O problema está na demora que a trama leva para reunir o grupo. Após quase 90 minutos de uma narração estridente e chata de Arlequina, só então vemos aquilo pelo qual estávamos esperando.

Os problemas

Centralizar toda a produção na personagem de Margot Robbie foi o maior erro que a diretora, Cathy Yan, poderia ter feito. O nome de Arlequina aprece em letras minúsculas cor de rosa no título, passando a ideia de que o alvo ali seriam as três heroínas. Após assistir o filme, temos a certeza que uma alteração deveria ter sido feita. Arlequina não são as pequenas letras rosas, pelo contrário. Ela é toda a produção e as tais Aves de Rapina se tornam segundo plano.

Margot Robbie repete a excelente atuação de Esquadrão Suicida e ainda melhora. A atriz interpreta o papel de sua vida e realmente dá um show. Harleen, entretanto, não consegue sustentar o protagonismo que lhe foi atribuído. O que diverte e é engraçado no começo logo cansa e não vemos a hora de passarmos para a próxima cena.

As lutas

Outro grande problema está na forma forçada como todo o filme é desenvolvido. As cenas de luta não passam nenhuma credibilidade e parecem ter sido coreografadas previamente. Sempre que entrava em cena, temos a impressão de que Arlequina combina os embates com os vilões, que viram verdadeiros palhaços diante da personagem. Não era preciso algo tão mal feito para passar o destaque e o poderio de Harleen. O resultado foi exatamente o contrário, pois temos a sensação de que tudo não passa de uma grande brincadeira.

O feminismo

Aves de Rapina gira em torno do empoderamento feminino. O assunto que deveria ser tema e/ou mensagem da produção, se torna exageradamente abordado. A temática é inserida no público de forma excessiva e repetitiva, corroborando para o ritmo cansativo que o longa passa a ter.
Como mulher e fã de heróis, é maravilhoso ver uma produção do gênero composta por um elenco majoritariamente feminino.

O ideal do feminismo, porém, vai muito além da ideia de “Morte ao Homem” criada no filme. Não é preciso rebaixar o gênero masculino para enaltecer-se o feminino, pelo contrário. Lutamos por igualdade e representatividade, diante do cenário machista do cinema. Não é preciso destruir um gênero, apenas coloca-lo de forma igualitária com o outro.

Não é só ruim

Após enumerarmos todos os pontos negativos de Aves de Rapina, precisamos reconhecer os positivos. Além da atuação maravilhosa de Margot Robbie, suas companheiras de elenco também dão um show. Saímos do cinema com vontade de mais, de vê-las juntas em tela novamente. Nos poucos minutos em que o grupo é formado, vemos o potencial ali e já ansiamos pelo momento em que as veremos de novo.

Com destaque para Caçadora e Canário Negro, com seus inúmeros momentos badass, o grupo das Aves de Rapina precisava ter ganho mais tempo em tela. Toda a atenção atribuída unicamente a Arlequina poderia ter sido dividida e redistribuída. O melhor do filme fica para o final e dura pouco mais de 15 minutos.

O Máscara Negra

Por fim, embora seja um personagem raso e sem muito desenvolvimento, a atuação de Ewan McGregor precisa ser mencionada. Como Máscara Negra sua atuação é incrível e os problemas do personagem estão apenas no roteiro vazio. O vilão é apresentado e jogado na tela, sem entendermos seus motivos. A insanidade é óbvia, mas assim como vimos com o Coringa, o passado tem grande importância na construção da figura vilanesca.

Aves de Rapina tinha todo o potencial para ser uma grande filme de heroínas. Os problemas são tantos, que o resultado é uma comédia vazia, colorida e sem graça. O principal erro está em depositar todas as esperanças e sucesso do filme nas costas de Arlequina. A personagem é chata, irritante e não sustenta a responsabilidade.

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa chega aos cinemas em 6 de fevereiro. 

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