“O Oscar é um prêmio de uma indústria Norte-Americana” diz Walter Salles
Em entrevista à Revista Trip, o diretor de Ainda Estou Aqui, Walter Salles, comenta sobre o status de estar em uma premiação norte-americana e o valor social que isso nos traz

Em 2025, o Brasil conquistou uma das maiores realizações em sua história cinematográfica: o tão sonhado Oscar. Ainda Estou Aqui, Fernanda Torres e Walter Salles fizeram uma trajetória digna de cinema com a divulgação do filme e campanha para as premiações. O resultado? Um legado que precisa ser transformado em novas produções e reconhecimento da arte nacional.
Em entrevista à Revista Trip (2004), o diretor Walter Salles comentou sobre a indicação e a necessidade de provarmos que somos bons para o mercado norte-americano.
“O Oscar é um prêmio de uma indústria norte-americana com gostos estéticos bem definidos. Mas às vezes é possível comer pela beirada, entrar pelas fissuras do sistema. Só não acho que deva servir de espelho. O cinema brasileiro tem que ser feito para propiciar o reflexo daquilo que somos. Se isso encontrar um eco lá fora, é um a mais e nada além disso”, disse Walter Salles.
Em 2004, muito antes de Ainda Estou Aqui ganhar os holofotes da imprensa internacional, Walter Salles revelou à Trip como fazia para preservar sua vida privada em um mundo de exposição permanente.
“A exposição é tudo, menos agradável. Tento limitar o estrago e ser seletivo, para não virar suco. Procuro só falar na hora do lançamento de um filme e me recuso a dar entrevistas para revistas de celebridades. Talvez seja um gesto meio inútil, mas me ajuda a manter algum senso de direção”, disse o cineasta.
Desde que iniciou-se a campanha de divulgação de Ainda Estou Aqui para a temporada de premiações norte-americanas, os números dos filmes brasileiros nas salas de cinema aumentaram consideravelmente. O “efeito Ainda Estou Aqui” atingou lançamentos como O Auto da Compadecida 2 e até mesmo Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, adaptação dos gibis da Turma da Mônica.
Esse fenômeno passou a fazer parte da retomada do cinema brasileiro, pelos brasileiros, pós pandemia – período em que muitos se afastaram das salas de cinema, escolhendo o conforto de seus lares e o acesso fácil aos conteúdos dos streamings.
Na edição da Revista Trip em que Walter estampou a capa, ele afirmou ter escolhido o cinema para contar histórias que ajudam a entender a sua própria trajetória e a do país. “Culpa não dá filme bom. O que dá filme bom é desejo. Desejo de cinema, pra começar. E, depois, desejo de conhecer aquilo que você não conhece”, disse.
Acesse às redes da Revista Trip para ler mais sobre a entrevista de Walter Salles sobre o cinema nacional.
Um dos maiores ensinamentos que devemos tirar desse Oscar 2025, é o de que somos capazes sim de criar conteúdos incríveis ao ponto de vencermos premiações internacionais e sermos reconhecidos pelo nível cultural que temos. Mas, ainda há muito o que melhorar e essa evolução precisa começar com a nossa forma de consumir conteúdos nacionais.
Que seja nosso por nós mesmos e não apenas para agradar aos olhos dos críticos internacionais.
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