MELHOR FILME?

Em 5 de janeiro de 2020, o mundo conheceu o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme. 1917, longa do diretor Sam Mendes, chegou sem alarde ou muita divulgação, mas vem conquistando diversos prêmios neste ano.

O título entrega o período ao qual o filme se refere. Durante a Primeira Guerra Mundial, período da história que se passa entre os anos de 1914 a 1918, milhões de soldados perderam suas vidas. Entre eles estava Alfred Mendes, avô do diretor do filme.

O escritor luso-descendente foi mensageiro durante a Primeira Guerra, com apenas 19 anos. O filme é dedicado em sua memória e procura trazer a visão do diretor sob seu avô.

Ficção?

Diferente do que muitos pensam, 1917 não é baseado em fatos reais. O período de fato aconteceu, mas os personagens são fictícios, bem como boa parte dos acontecimentos retratados. Sam ampliou as informações que tinha, fez mudanças e acrescentou a essência que julgou necessária para transmitir a mensagem de seu filme. O resultado foi o Globo de Ouro de Melhor Filme.

A trama

O longa se passa em abril do ano que dá nome ao título, quando a guerra já durava três anos. O filme nos mostra o lado britânico, que buscava escapar do ataque alemão. Os mesmos se afastaram de um dos setores da Frente Ocidental, em uma estratégia de provocar o ataque inglês.

Percebendo que a retirada não aconteceu propositalmente, mas sim uma recuada tática, o general Erinmore (Colin Firth) entrega uma missão impossível para dois jovens soldados.

Tom Blake (Dean-Charles Chapman) e Will Scholfield (George MacKay) precisam atravessar quilômetros em meio ao território alemão, buscando chegar até o 2º Batalhão de Regimento de Devonshire. Uma mensagem precisa ser entregue ao Coronel Mackenzie (Benedict Cumberbatch), cancelando o ataque planejado e evitando a morte de quase dois mil soldados.

Erinmore conseguiu perceber a emboscada após um reconhecimento aéreo, mas depende dos dois adolescentes para evitar o ataque.

Tom e Will

Embora precisem seguir ordens, Tom tem outro motivo para conseguir concretizar a missão. O ataque, uma vez realizado, ocasionará na morte de 1600 soldados, dentre eles seu irmão, Joseph (Richard Madden). Juntos, os jovens soldados partem rumo ao desconhecido, tendo consciência que as chances não estão ao seu favor. Eles precisam cruzar uma terra supostamente abandonada pelos alemães, em menos de 24 horas.

Blake e Scholfield caminham em meio a bombas, corpos esquecidos e lembranças deixadas para trás. As trincheiras alemães escondem segredos, mas deixam claro o que aconteceu ali. Milhares foram mortos por explosões, outros caíram nas inúmeras armadilhas programadas nos esconderijos.

O filme

Os dois protagonistas de 1917 podem ser considerados desconhecidos, quando consideramos outros protagonistas de filmes indicados a Melhor Filme. Chapman viveu Tommen Baratheon em Game of Thrones, enquanto MacKay foi o filho de Viggo Mortensen em Capitão Fantástico. O filme traz nomes renomados de Hollywood, mas suas participações não chegam a cinco minutos. O longa se desenvolve com as próprias pernas, sem depender de nomes famosos para se sustentar.

Estar entre os indicados ao Oscar é sim um chamariz, mas 1917 ganha destaque na forma como seu roteiro é contado na tela. A história, por mais fictícia que seja, se passa em um período real da história, que marcou milhares de vidas ao redor do mundo. O filme, como muitos outros, nos traz uma visão própria da guerra, do ponto de vista de dois adolescentes assustados, mas dispostos a cumprir sua missão.

1917

Ser uma história fictícia proporciona a Sam Mendes um pouco mais de liberdade. O desfecho da guerra já é conhecido, mas os relatos de seu avô são algo particular e único. A forma como o filme se desenvolve é única, mesmo com um assunto já considerado batido no ramo do entretenimento.

O cenário de guerra é recriado de forma com que o público consiga imaginar o que ocorreu ali. De forma surpreendentemente verídica, temos a sensação de estar vendo um documentário sob o ponto de vista de ambos os protagonistas. E não são necessários muitos diálogos. Schofield pouco fala, mas sua agonia e tristeza são representadas no olhar do ator. Criamos empatia com o personagem e só torcemos para que tudo consiga dar certo.

O Oscar

Estar entre os indicados a premiação carrega uma responsabilidade, a qual 1917 consegue arcar com facilidade. O vencedor do Globo de Ouro é um grande filme, com um excelente roteiro e uma fotografia extremamente real. As participações de figuras de Hollywood são até mesmo dispensáveis, visto que Cumberbatch, Madden e Firth não ficam mais do que 5 minutos em tela.

Com quase duas horas de duração, o filme se revela uma das melhores produções do Oscar 2020 e todo e qualquer prêmio atribuído será muito bem entregue.

1917 chega aos cinemas brasileiros em 23 de janeiro.


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