Vivendo Sidarta!

-por , em 23/08 -
Vivendo Sidarta!

Sidarta: “Senti no meu corpo e na minha alma que precisava muito do pecado, precisava da luxúria, da ambição e da vaidade, precisava do desespero mais ultrajante, para aprender a amar o mundo, para não mais o comparar com qualquer outro mundo por mim desejado ou imaginado, com uma forma de perfeição concebida por mim, mas sim para o deixar ser como é, para amá-lo e sentir-me feliz por lhe pertencer.” (Sidarta – Hermann Hesse)

Sidarta, de Hermann Hesse não é um livro depressivo ou de auto-ajuda como muitas pessoas imaginam. Trata-se de uma epopéia esotérica, um livro sobre um andarilho, rompido com os valores que fora criado e que se coloca disposto a procurar pelas estradas do mundo atrás de uma nova vida. Não se trata se renegação ou insatisfação pessoal, e sim da busca por algo maior, da felicidade plena, da auto-realização.

Sidarta havia sido criado em um lar brâmane na Índia e em um determinado ponto de sua vida, ainda jovem, decidiu que precisava de mais. Lutou contra a resistência familiar e saiu em busca de seu ‘eu’ com seu amigo Govinda. Iniciou sua busca através de metodologias e filosofias pré-concebidas da Índia. Seguiu um grupo de Samanas – grupo que lhe ensinou a jejuar, meditar e sentir as vibrações da natureza.

Sidarta e Govinda passam 3 anos na companhia dos Samanas e em determinado momento se questionam sobre o que realmente significa esse estilo de vida. Chegam a conclusão que nada mais é do que mais uma forma de fugir da realidade, de seu próprio eu. Deixam então o grupo dos Samanas para ir de encontro com o Buda – Gotama.

Ao compreender a doutrina do Buda, Govinda decide que este seria seu caminho, e resolve deixar Sidarta para segui-lo. Neste momento, Sidarta confirma sua teoria que nenhuma doutrina, somente a vivência, pode levar o homem a iluminação.

Ao deixar Govinda para trás, Sidarta traça um paralelo entre a meditação e vida real. Realiza comparativos entre o que significa meditar durante horas, e o que significa beber em um bar duante horas. Não são as duas formas, desvios de realidade que o homem cria para si? Com esta dúvida, Sidarta entende que precisa viver como um homem de verdade, com seus pré-conceitos, luxúrias e egoísmos.

Segue seu caminho então, conhecendo Kamala, uma cortesã que lhe ensina o que é o amor e outros prazeres e um comerciante que lhe ensina a arte do “ter dinheiro”. Nesse momento, Sidarta se entrega e cresce, obtendo muito sucesso na cidade em que está morando.

Depois de alguns anos, muitas experiências e várias decepções, Sidarta descobre que a forma mais correta de ser feliz é sendo você mesmo, da forma mais simples e objetiva que se pode ser.

A busca pela auto-realização não é complexa, a resposta está no próprio nome, está dentro de você mesmo. Indico mil vezes esse livro, uma viagem em busca de auto-conhecimento, sem sair de casa.

Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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