O tradicional Hotel Glória

-por , em 10/12 -
O tradicional Hotel Glória

Olá Coxinhos, tudo bem? Eu sempre amei as aulas de história e literatura na escola, primeiro pelas infindáveis leituras e segundo pela viagem no tempo que sempre fomos obrigados a fazer. Desta obrigação, nunca reclamei, passear pelo Cortiço de Aluísio de Azevedo, conhecer a enigmática vida de Bentinho e Capitu no famoso Dom Casmurro de Machado de Assis, passear pela primeira e segunda guerra mundial, enfim, foram tantas as viagens que hoje, pensando nesse tema, resolvi compartilhar algumas coisinhas. Recebi um e-mail ontem sobre a reforma do tradicional Hotel Glória no Rio de Janeiro, quem está liderando essa proeza é o empresário Eike Batista. O hotel está ficando lindo e o que ficou martelando na minha cabeça é que, a maioria dos jovens que passa ali na frente do Hotel Glória, não conhece sua história e seu tempo de “glória”. Aliás, o Rio de Janeiro é cheio de prédios históricos, recantos curiosos e temas enigmáticos – a prova é a quantidade de literatura que existe sobre nossa cidade maravilhosa. Resolvi então começar a escrever sobre o lindo Rio de Janeiro e seus recantos… Vamos lá?

 

O Hotel Glória é um hotel de luxo localizado no Rio de Janeiro que foi construído para a Exposição Internacional de 1922* pelo empresário Rocha Miranda, por meio da Companhia de Hotéis Palace, no bairro da Glória, local do palacete do empreendedor inglês John Russel, o pioneiro dos serviços de saneamento na cidade do Rio de Janeiro.

 

*1922 foi um ano muito louco, nasceu o Partido Comunista Caboclo, houve o levante do Forte de Copacabana, a Semana de Arte Moderna na Paulicéia e Padre Cícero e Lampião horrorizava a Caatinga. Nesse ambiente ainda houve espaço para comemorações oficiais. O que não se imaginava é que um país agrário como o Brasil se empenhasse tanto para se exibir belo e ordeiro para o mundo externo. A exposição de 1922 superou em gastos a de 1908 e foi antecedida pela demolição do Morro do Castelo, berço físico da cidade. Suas terras foram usadas para aterrar parte da Urca, da Lagoa Rodrigo de Freitas, do Jardim Botânico e outras áreas baixas ao redor da Baía de Guanabara. Curiosidade: O prédio da Academia Brasileira de Letras também foi construído para a exposição de 1922.

 

O projetista do Hotel Glória foi Joseph Gire, o mesmo que desenhou o Hotel Copacabana Palace, sendo o primeiro prédio de concreto armado que existiu na América do Sul e erguido com o auxílio de engenheiros alemães. Em seu projeto original, em estilo clássico, o Hotel Glória era dotado de teatro, cassino (que hoje já não existe), salões de festas e jogos, áreas de lazer e 150 quartos, e foi posteriormente ampliado ganhando mais dois andares passando a ter mais de 500 quartos, chegando ao final a cerca de 610 acomodações.

 

Devido a sua proximidade com o centro financeiro e político da cidade do Rio de Janeiro, o Hotel Glória sempre abrigou grandes artistas do cinema, cantores, políticos e chefes de Estado. Dotado de amplos salões de convenção, o Hotel Glória sempre sediou convenções, congressos, bailes de formaturas e muitos outros eventos. Uma de suas marcas foi o concurso de fantasias do carnaval, que tiveram 34 edições até o ano de 2008. Nesse evento se destacavam artistas como Clóvis Bornay e Evandro Castro Lima.

 

Em 2008, após 50 anos como propriedade da família de Eduardo Tapajós, o Hotel Glória foi vendido ao empresário Eike Batista (sétimo homem mais rico do mundo), que pretende modernizá-lo e transformá-lo novamente em hotel de alto luxo e requinte e também como sede de sua empresa de investimentos. Em 2009 o Hotel Glória começou a ser completamente restaurado e reformado, em agosto de 2010 o BNDES anunciou um financiamento de 146,5 milhões de reais para a reforma do hotel, dentro da linha ProCopa – visando a Copa do Mundo de 2014.

 

Rebatizado de Glória Palace Hotel, o edifício segue com sua reforma, por trás da fachada praticamente tudo foi demolido. Restaram apenas as colunas de sustentação e as lajes, que estão ganhando reforços. Internamente, não há vestígios da arquitetura neoclássica anterior. O termo reforma, aliás, parece inapropriado. O que está em andamento é uma reconstrução, com metas ambiciosas.

 

   

 

O plano de Eike Batista e desbancar o Copacabana Palace, o Fasano (em Ipanema ou nos Jardins), o paulistano Emiliano e outras centenas de hotéis cinco estrelas espalhados pelo planeta. “Nosso empenho é para que o Rio tenha um dos dez melhores hotéis do mundo” – Disse Eike Batista à Revista Globo. As tarifas ainda não entraram em pauta, mas elas devem concorrer com as cobradas pelo Copa (de R$ 1.140,00 a R$ 5.600,00) e pelo Fasano (de R$ 1.330,00 a R$ 6.640,00).

 

Um símbolo do novo empreendimento promete ser a piscina, com fundo transparente, instalada na cobertura sobre o vão retangular existente entre os blocos de apartamentos. O hóspede que transitar pela grande área de circulação do segundo andar, ao olhar para cima, poderá conferir a movimentação dentro do “aquário humano”. O hotel vai manter os dez pavimentos, seguindo o padrão do edifício de 1922, que sofreu alterações ao longo dos anos, inclusive na fachada.

 

Em todos os níveis, as paredes internas foram derrubadas para atender às novas divisões estabelecidas. Os 610 quartos do antigo Glória serão convertidos em 346 unidades mais amplas. Reservou-se um espaço de 550 metros quadrados para um salão idealizado para convenções e festas de casamento, neste último caso, tirando proveito da proximidade com o Outeiro da Glória. O Palace de Eike terá ainda três restaurantes, dois bares, um espaço definido como music lounge, cinco lojas e 18 salas de reunião. O polêmico hliponto, que tirava o sono da vizinhança, será mantido.

 

   

 

O valor de venda, oficializada em 2008, girou em torno de R$ 80 milhões. Na época, Eike informou que gastaria a mesma quantia na reforma. Dois anos depois, o empresário conseguiu um empréstimo do BNDES de R$ 146,5 milhões para executar a obra. Nesta fase, o custo anunciado da revitalização já era outro, ultrapassando a marca dos R$ 200 milhões.

 

Na sua versão atual, o edifício original e os dois anexos estarão integrados. Tudo fará parte do hotel. Sem divisões. Pela variedade de serviços, o empreendimento do Glória pretende atender a um público heterogêneo, de celebridades internacionais a turistas em busca de lazer em praias cariocas, passando pelos executivos que vêm ao Rio a trabalho. A intenção de Eike Batista era estar com tudo pronto em 2011, mas houve um atraso em seus planos e o novo Glória Palace Hotel abrirá suas portas no primeiro trimestre de 2014.


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Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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