No fim da década de 50, em meio ao conflito entre russos e americanos na Guerra Fria, o agente da KGB Rudolf Abel era um dos nomes mais importantes do quadro de espiões da URSS. Disfarçado como fotógrafo em um pequeno estúdio no Brooklyn, comandou durante nove anos toda a operação russa nos EUA e só foi preso, em 1957, quando um compatriota o traiu e entregou para o FBI.

Responsável pela defesa de Abel no tribunal, o advogado e militar americano James B. Donovan acabou desenvolvendo uma relação com Abel. Os detalhes desta história são contados por Donovan em Uma ponte entre espiões, um best-seller americano que chega às livrarias pela Record no início de outubro de 2015 e ganha também uma versão cinematográfica – o filme Ponte de espiões, que marca o retorno da parceria entre Tom Hanks e Steven Spielberg, e estreia no dia 22 de outubro de 2015.

Para evitar que Abel fosse condenado à pena de morte, Donovan argumentou que o agente poderia ser usado numa futura troca de espiões com a URSS. Foi quase como uma previsão, já que apenas três anos depois é que tal prática seria institucionalizada entre os dois países. E é exatamente assim que a história dos dois termina, em 1962. Após uma negociação capitaneada por Donovan, Abel é trocado pelo piloto de U-2 Francis Powers, capturado pelos russos. O cenário é a ponte Glienicke, que ligava a Alemanha Ocidental à Oriental.

No livro, Donovan narra todos os estágios do julgamento – que terminou na Suprema Corte dos EUA – e os bastidores da negociação da troca. A história revela detalhes de métodos de inteligência e espionagem que hoje parecem tão distantes e primitivos, além de tratar-se de um dos mais peculiares episódios na história da Guerra Fria. Confira o trailer do filme:

“Fui o único visitante e o único correspondente americano de Abel durante seu aprisionamento de quase cinco anos. O coronel era um indivíduo extraordinário, brilhante e com a intensa sede intelectual de todos os acadêmicos. Estava faminto por companheirismo e por troca de ideias. Enquanto estava na prisão federal em Nova York, vira-se reduzido a ensinar francês a seu colega de cela, um criminoso semianalfabeto da máfia que fora condenado por um esquema de extorsão no sistema de coleta de lixo. Assim, eu e Abel conversávamos. E nos correspondíamos. Concordávamos e discordávamos. Sobre várias coisas: seu caso, a justiça americana, relações internacionais, arte moderna, animais de estimação, a teoria da probabilidade na matemática avançada, educação infantil, espionagem e contraespionagem, a solidão de todos os homens caçados e se ele deveria ser cremado, caso morresse na prisão. Sua variedade de interesses parecia tão inexaurível quanto seu conhecimento.”