“Um por todos, e todos por um!”

-por , em 27/05 -
“Um por todos, e todos por um!”

Quem não conhece o velho bordão “Um por todos, e todos por um”? Frase criada por Alexandre Dumas em seu clássico Os Três Mosqueteiros e imortalizado por diversos atores em múltiplos filmes, desenhos animados, quadrinhos e adaptações do gênero. De fato, a obra de Dumas é bem popular e deu origem a muitas adaptações em diferentes mídias.

Depois de ter lido o livro, eu chego à conclusão de que não era por menos. Esperando ler uma história séria, fui agradavelmente surpreendido quando percebi que o romance é uma grande fanfarronice. D’Artagnan é um fanfarrão, Porthos é um fanfarrão, Athos é um fanfarrão. O único não tão fanfarrão da história é Aramis e, mesmo ele, tem seus momentos de fanfarronices que fazem você abrir um sorriso.

Porém, isso não faz com que a história seja menos séria. Ela fala de lealdade, traição, perigos e guerra, mas faz isso de uma forma meio leve, acompanhando um grupo de quatro amigos que são leais uns aos outros e que fazem de tudo para se protegerem. Os inimigos são poderosos e realmente perigosos e, apesar de narração manter um bom equilíbrio entre a sobriedade dos acontecimentos e a leviandade dos corações de nossos protagonistas, a história termina de forma consideravelmente trágica, que mostra que o mundo não é tão fanfarrão assim.

three-musketeers

No livro, acompanhamos um jovem Gascão chamado D’Artagnan, que vai para Paris e afim de se tornar um mosqueteiro a serviço de M. Treville. M. Treville também é gascão e vê no jovem um promissor mosqueteiro. Mas, antes de tornar-se um mosqueteiro, D’Artagnan precisa se provar.

Logo de cara, o garoto se desentende e desafia três mosqueteiros para duelos. O primeiro, Athos, ele desafia para as 11 da manhã, o segundo, Porthos, ao meio-dia e o último, Aramis, para as uma da tarde. Ele marca com eles em lugares diferentes, sem saber que os três são bons amigos e – entre os mosqueteiros – são chamados de “os inseparáveis”. Imaginem a surpresa dos mosqueteiros quando descobrem que todos os três iriam duelar com o mesmo rapazote?

Logo D’Artagnan se torna amigo dos mosqueteiros e os quatro se tornam amigos inseparáveis. O garoto se apaixona por M. Bonacieux e se vê no meio de uma situação que coloca em risco a honra da rainha e a paz na Europa.

LADYOFWINTER

Tudo isso por causa da Milla Jovovich Milady of Winter, uma mulher tão cruel quanto bela, que trabalha para o Cardinal e realiza serviços sujos por debaixo dos panos para alcançar seus objetivos. Em falar da Milady, ela é uma vilã admirável. É muito interessante ver como ela usa de sua engenhosidade para manipular as pessoas a sua volta e conseguir aquilo que deseja.

Eu gostei do livro, gostei de como a história se desenvolve e do seu ritmo narrativo. O livro me manteve atento a cada página e eu me pegava rindo de algum comentário contundente de Planchet, o fiel servo de D’Artagnan ou alguma bravata de Porthos. Porém, o que eu achei muito bem feito no livro, foi a diferenciação entre os personagens.

Athos, Porthos e Aramis são mosqueteiros. Eles são amigos que andam juntos, tem os mesmos gostos e a mesma profissão. Geralmente, personagens assim tendem a se tornarem parecidos e redundantes. Mas não foi o caso com a obra de Dumas. Tanto D’Artagnan, como cada um dos mosqueteiros tem uma personalidade própria, com traços próprios que faz com que cada um deles seja facilmente identificável por suas falas e ações.

DARTAGNAN

O mais jovem do grupo, é também o mais sensato. Ele não é um mosqueteiro ainda (e só se torna um perto do final do livro), mas é honrado e sonhador como um. Como todo jovem, ele se apaixona fácil pelas belas mulheres e acredita que o mundo está lá para ele e que nenhum objetivo é impossível. Ele é um espadachim competente e sabe disso, desafiando oponentes para duelos a qualquer ofensa e sem medo.

ATHOS

O mais velho dos mosqueteiros, Athos é um homem de poucas palavras. Ele prefere manter-se em silêncio e só fala quando tem algo importante e relevante a se dizer. De fato, ele até treinou seu criado a obedecer a alguns sutis gestos dele, de modo que nenhum dos dois precise falar. O velho mosqueteiro não fala muito de seu passado, mas parece que aconteceu algo em sua vida que fez com que ele nunca mais confiasse nas mulheres ou quisesse uma amante. O interesse que ele não tem nas mulheres, ele compensa no seu amor por apostas.

PORTHOS

Ele é o mais corpulento e, talvez, o mais fanfarrão de todos. Se Athos só fala o estritamente necessário, Porthos fala tudo o que é desnecessário. Na verdade, desafio-os a encontrar algo que seja realmente relevante na fala desse mosqueteiro. Ele é alto, forte como 4 homens e bonito. E ele sabe disso, o que faz dele um verdadeiro Don Juan que seduz mulheres nobres para que elas o patrocinem. Ele é um homem mais de impulso do que de estratégia

ARAMIS

Aramis não é um mosqueteiro, ele é um mosqueteiro temporário. Ele só está atuando com mosqueteiro enquanto espera ser iniciado na igreja. Seu verdadeiro objetivo é seguir uma vida religiosa e, quando isso acontecer, deixará a vida de “capa e espada” para trás. Ele é o mais educado de todos, conhece o latim e é capaz de escrever como um verdadeiro diplomata. Procura ser sempre respeitoso e é a referencia do grupo em relações a assuntos acadêmicos.

Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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