“Ninguém pode achar que falhou a sua missão neste mundo, se aliviou o fardo de outra pessoa”, já dizia Charles Dickens. E foi exatamente isso que o episódio cinco da quinta temporada de The Walking Dead mostrou para nós. Abraham Ford é um daqueles personagens que entra na saga de sobrevivência para ser mais um braço, mais uma arma a usar contra os zumbis. Depois de alguns (muitos) episódios, descobrimos enfim que ele não é apenas a representação de comandos em ação na história… O personagem tem profundidade, complexidade e razões de ser que superam a própria razão da série.

Um choque atrás do outro, diversas raízes indo para as mais variadas direções e criando novos rumos para a história do seriado. A quinta temporada está sendo um verdadeiro divisor de águas (inclusive na seleção de fãs). Respeito a opinião de todos, mas nada do que disserem vai superar ou alterar o sentimento que fico sobre cada episódio desta temporada. Estamos, desde a quarta temporada, querendo entender mais sobre o tal cientista que precisava ir, de qualquer jeito, para Washington. E eis que, no fim das contas, ele era só mais um aproveitador.

O problema não foi o cara ser um personagem louco e medroso, o choque não foi ele assumir, a essa altura, que não é cientista e que não sabe nada sobre a cura… O foco foi a história de Abraham Ford, um homem forte, determinado e que manteve o discurso insistente de que precisava, a qualquer custo, levar o cientista para completar sua missão. No fim das contas, o sentimento que ficou foi de surpresa e decepção. Novamente.

cientista twd

Pois é, Eugene estava mentindo para sobreviver ao apocalipse – uma coisa nada difícil de acontecer em The Walking Dead. Mas, o mais impressionante mesmo, foi como ele convenceu Abraham a guiá-lo em sua falsa missão. Logo depois de perder esposa e dois filhos para alguma horda de zumbis (aparentemente, no começo desse negócio todo), Abraham se sentiu acabado, sem propósito e sem direção. Foi nesse ponto que ele encontrou o Eugene, correndo de alguns zumbis no meio da rua e clamando por socorro. O cara, espertamente, disse poucas, mas impactantes, palavras: Preciso que me ajude a concluir uma missão. O propósito foi restaurado e Abraham assumiu isso como meta de vida.

Uma boa explicação, bem digna aliás, para a forma dura e determinada do personagem. Um homem que encontra um propósito em meio ao apocalipse, corre muitos riscos de ficar cego pela própria missão, e colocar tudo a perder. E ACHO QUE ESSE É O GANCHO DA TEMPORADA!

O pessoal da Terminus acreditava muito fielmente que comer uns aos outros era a tradução da frase: “nesse mundo, ou você é a carne ou o açougueiro”. O padre acreditava que sacrifícios eram necessários para ele continuar sobrevivendo. O grupo de Rick acredita que é preciso ser intolerante aos erros alheios, agora que já passaram por muitos desenganos ao longo do caminho. A policial que está com Beth acredita que é preciso impor novas regras para sobreviver e manter a ordem, até a salvação chegar, E Abraham realmente acreditava que, levar o cientista a Washington, daria um novo sentido à sua vida miserável após a morte da família.

zombies twd

Quanto mais histórias acontecem em The Walking Dead, quanto mais personagens surgem, mais levo meus pensamentos ao começo da série. Se compararmos os problemas atuais com tudo o que eles passavam, se compararmos a forma de lidar com as situações ruins, podemos concluir juntos que a tendência é piorar muito, mas muito mesmo, de agora para frente. E esses dramas psicológicos são possíveis, reais, palpáveis. Basta vermos a tolerância que a humanidade tem com determinados assuntos. Por uma estratégia de defesa (provavelmente), muitos atacam, muitos se guiam pelos dizeres de outros. Muitos arrumam subterfúgios para não enxergar a realidade.

E SABE QUAL É A REALIDADE? Todos ali estão sozinhos, cercados por mortos vivos que querem matá-los, sem mantimentos, sem água, sem teto, sem roupas novas, sem remédios, sem nada. E a esperança de que um dia tudo isso vai acabar, que a cura vai surgir, que o “governo” (que governo?) vai salvá-los e levá-los para o paraíso, é o que move todos os grupos. Cada um, da sua forma mais louca e extremista, mostra exatamente o que somos capazes de fazer para continuar vivendo em meio ao caos – adaptado à diferentes personalidades e experiências de v ida. O que você achou do 5º episódio? Comente aqui embaixo! 🙂 Beijos e até semana que vem!