Top 10: séries que acabaram muito cedo

-por , em 28/04 -
Top 10: séries que acabaram muito cedo

A quantidade de séries lançadas a cada ano é avassaladora. Isso faz com que nós, meros espectadores, tenhamos enorme dificuldade para decidir quais séries assistir e quais não valem o nosso tempo. Assistir uma série é um grande compromisso emocional que você assume. Você passa a conhecer os personagens, se envolve com a história e quando uma série acaba, ela leva consigo um pequeno pedaço de nossos corações. (Nossa, que poético!)

Por isso, poucas coisas são tão frustrantes quanto ter uma de suas séries favoritas encerradas precariamente. A temporada termina com um “cliffhanger”, você fica morto de curiosidade para saber o que vai acontecer e alguns meses depois, chega a notícia de que a série não foi renovada para uma nova temporada. Isso é doloroso, frustrante e (tenho quase certeza) deveria haver uma lei contra isso.

Por isso eu fiz uma lista de dez séries que morreram antes da hora e que na minha opinião, mereciam uma segunda chance. Como faz tempo que eu não faço um Top 10, gosto de deixar o recado de que essa lista é TOTALMENTE arbitrária. Eu não sou autoridade máxima em seriados, não conheço todos, então, por favor não xinguem a minha alma se vocês sabem de algum seriado que eu não inclui na lista. Se isso acontecer, deixem o seriado nos comentários abaixo.

Sem mais delongas, lá vai minha lista:

10 Transporter

Eu tive que ter algum tipo de critério para organizar a ordem dessas séries. O critério que eu escolhi foi a sua relevância para o mundo das séries, de modo geral. E é por isso que Transporter fica na última posição.

A série é baseada no filme de Luc Besson que foi lançado em 2002, com Jason Statham estrelando (faz 12 anos que esse filme foi lançado? Estou me sentindo um ancião). No filme – que rendeu duas continuações – acompanhamos Frank Martin (Statham), um motorista freelancer que realiza qualquer trabalho. Ele tem apenas três regras: nada de nomes, nada de perguntas e nada de mudar os termos do trabalho.

O seriado segue o mesmo modelo. Chris Vance (ele esteve em um episódio de Dexter, se não me engano), entra no lugar de Statham e Andrea Osvárt complementa o elenco como uma ex-agente da CIA e interesse romântico de Martin.

A atuação é decente e as cenas de ação são muito boas (melhores que as do filme). Com doze episódios de 40 minutos cada, foi possível desenvolver melhor os personagens. É divertido assistir as cenas de perseguição e de ação.

Infelizmente não encontrei nenhuma notícia sobre uma possível segunda temporada. Também não encontrei nada dizendo que a série franco-canadense havia sido cancelada. Mas, levando em conta que a primeira temporada foi ao ar em janeiro de 2013, a segunda temporada já teria dado as caras.

Não é uma série que faz muita falta. Ela não adiciona muito ao mundo dos seriados. Porém, é uma ótima série de ação e, na minha opinião, isto é algo que está em falta ultimamente.

 

9 Shasta

Em 1999 foi lançada uma sitcom que acompanha a vida de três amigos que moram juntos e que têm uma banda de rap rock chamada Shasta McNasty (por isso o nome da série). Ela teve apenas uma temporada e nem foi tão bem recebida assim pelos críticos.

Isso só prova que os críticos não sabem do que estão falando, pois, no mesmo ano, a série recebeu o People’s Choice Award de melhor comédia original. Eu assisti a série e ela é hilária. Os três amigos – Scott, Dennis e Randy – são bem carismáticos, tem personalidades bem distinta, o que criava situações muito inusitadas. Sem contar o romance entre Scott e Diana, sua vizinha.

Essa série não está mais bem colocada nesse Top 10 porque ela é simplesmente mais uma sitcom em um universo de milhares de sitcoms existentes. Ela é muito engraçada mas, tendo em vista quantas comédias existem atualmente, não posso dizer que ela de fato, faz falta. Porém, é interessante ver como uma série boa foi cancelada, enquanto outras menos engraçadas continuam por temporadas a fio (Two and a Half Men, estou olhando para você).

 

8 Alphas

Dr. Lee Rosen, um neurologista especializado no estudo de humanos com super poderes, monta um grupo de super-humanos (conhecidos como Alphas) para investigar crimes onde haja a suspeita de envolvimentos de outros alphas que estejam usando seus poderes para benefício próprio. Eles acabam descobrindo a presença de um antigo grupo chamados “Red Flag”, que usam alphas para a realização de crimes.

Quem vê o resumo de Alphas, série criada por Zak Penn em 2011, não pode deixar de ter aquela sensação de que “isso já foi feito antes”. Com a premissa perigosamente similar à X-Men, ela é uma série mediana, que simplesmente não entrega nada original ou que justifique sua continuação.

Só que o final foi fuleragem. A segunda e última temporada acabou com um enorme “cliffhanger” e quem acompanhou a série foi obrigado a conviver com o fato de que jamais saberão o que acontece  a seguir.

Isso até rendeu boas piadas em um episódio de The Big Bang Theory, em que Sheldon descobre que Alphas foi cancelada e fica revoltado, querendo descobrir o que aconteceu a seguir.

O revoltante porém, é saber que a NBC vai reviver Heroes, que tem uma premissa parecida (pelo menos ambas séries falam sobre super-humanos), mas que teve um desenvolvimento muito pior do que Alphas.

 

7 Reaper

Essa é uma escolha bem pessoal. Eu gosto muito de séries que abordam a morte de uma forma humorada e Reaper faz isso muito bem. A série gira em torno de Sam Oliver (Bret Harrison), que teve sua alma vendida ao Diabo (Ray Wise) pelos pais, antes mesmo de seu nascimento. Quando ele alcança 21 anos, o diabo vem cobrar a dívida.

Sam se torna então, o caçador de recompensas do inferno e é encarregado de caçar as almas que escaparam do inferno e trazê-las de volta. Para isso, conta com a ajuda do seu melhor amigo Bert “Sock” Wysocki, seu outro amigo Bem Gonzalez e Andi Prendergast, seu interesse romântico e eventual namorada.

A série tem muitas sacadas boas, como os diversos tipos de almas que escapam o inferno, com poderes diferentes e as formas de aprisionar as almas e trazê-las de volta. Além disso, ter colocado Ray Wise com o diabo foi perfeito. Sério, dá uma olhada nesse cara:

7 Reaper 2

Ele é ou não a cara do diabo?

Enfim, a exemplo de Alphas, essa série terminou no final da segunda temporada com um grande cliffhanger e os fãs ficaram curiosos para saber o que acontece depois. Infelizmente, jamais saberemos.

 

6 No Heroics

Essa é a primeira entrada britânica nesse Top 10. No Heroics acompanha a rotina de quatro amigos super-poderosos. Alex, conhecido como The Hotness, tem o poder de controlar o calor. Sarah é Electroclash, que consegue falar com máquinas. Don é Timebomb, que tem o poder de ver até 60 segundos no futuro. Jenny é She-Force, a terceira mulher mais forte do mundo.

Apesar de ter apenas 6 episódios, a série foi muito bem recebida pelo público que pela crítica. O crítico do The Times disse que ela era “genuinamente engraçada”. Os personagens foram bem desenvolvidos e a série teria um enorme potencial cômico, se tivesse continuado.

Eu posso descrever No Heroics como “Friends, com super poderes”. De fato, a série tem diversos elementos clássicos das sitcoms: o grupo de amigos com personalidades diferentes, um romance mal resolvido entre dois protagonistas e o ambiente onde eles se encontram todos os dias, que é um pub chamado The Fortress.

Esse pub é dirigido por Simon “Thundermonkey” e tem apenas três regras: nada de máscaras, nada de poderes, nada de heroísmo (no masks, no powers, no heroics), que deu o nome à série.

A série é muito boa mesmo, e vale a pena assistir. São só 6 episódios de 20 minutos, o que significa que pode-se ver tudo em apenas uma tarde. Essa é uma série que adicionaria muito ao mundo das sitcoms, pois pega a sua fórmula e adiciona elementos novos e originais.

Sabe aquela mania irritante que os Estados Unidos tem de pegar séries britânicas e fazer uma versão americana (vide Elementary, Shameless e Who’s Line is it Anyway)? Essa é uma ótima série para fazer isso!

 

5 The Cape

Continuando no tema de super-heróis, The Cape é uma série lançada em 2010 e que teve uma temporada de 10 episódios. Ela tem um tom sério e sombrio, bem parecido com o que está sendo feito recentemente na série Arrow.

Na série acompanhamos Vince Faraday, um ex-soldado e ex-policial que é presumido morto e usado como bode expiatório para uma série de assassinatos que ocorreram em Palm City. Ele resolve permanecer “morto” e torna-se The Cape, um vigilante com o objetivo de desmascarar um vilão conhecido como Chess e provar sua inocência não só para o mundo, mas para sua esposa e filho.

Apesar de ter sido cancelada por ter dado pouca audiência, a série tem um bom número de fãs, inclusive Abed, do seriado Community. Em Community, houve até um episódio onde conhecemos uma realidade alternativa onde The Cape não havia sido cancelada e tinha cinco temporadas.

 

4 Pushing Daisies

Para ser sincero com vocês, esse é o único seriado desta lista que eu não assisti totalmente. Na verdade, eu devo ter visto um ou dois episódios na televisão. Apesar disso, eu tenho total certeza de que essa é uma série que merece uma segunda chance.

Lançada em 2007, ela foi criada e escrita por Bryan Fuller, que foi escritor em Heroes e criou outras séries, como Hannibal (lançada em 2013) e Dead Like Me (que também está nessa lista). Pushing Daisies teve um total de 22 episódios, distribuídos em duas temporadas, e conta a história de Ned, um cozinheiro de tortas (tem uma palavra pra isso?) que descobre que tem o dom de trazer as pessoas de volta a vida com um toque. Um segundo toque faz com que a pessoa volte a morrer, de vez.

A série gira em torno do romance entre Ned e seu amor de infância Charlotte “Chuck” Charles (interpretada por Anna Friel, que é tipo uma Zooey Deschanel britânica). Os dois se amam, o problema  é que Chuck fora assassinada e Ned foi obrigado a usar seu dom para trazê-la de volta a vida. Agora os dois não podem se tocar, pois, se isso acontecer, ela volta a morrer.

Vejam que premissa incrível. Uma história de amor meiga que beira o mundo dos contos de fadas (já tem o estilo estético que combina com isso). Uma história bonita, delicada e sublime em sua simplicidade.

 

3 Spaced

Edgar Wright é um diretor e tanto. Ele é conhecido por ter feito Scott Pilgrim e atualmente é o responsável por dirigir o filme do Homem Formiga, que será o primeiro filme da chamada “Fase Três” do Universo Marvel. Porém, seu trabalho mais conhecido é a chamada “Trilogia Cornetto”, composta dos filmes: Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead – 2004), Chumbo Grosso (Hot Fuzz – 2007) e Heróis de Ressaca (The World’s End – 2013).  Todos os três filmes desta trilogia são super engraçados e valem a pena serem assistidos. Além disso, todos os três filmes desta trilogia são estrelados pela dupla Simon Pegg e Nick Frost.

Esse trio (Pegg, Frost e Wright) é conhecido por fazerem ótimas comédias, mas nós devemos essa parceria à Spaced, a série britânica lançada em 1999, o primeiro momento onde eles trabalharam juntos.

Com 14 episódios divididos em duas temporadas com sete episódios, a série conta a história de Daisy (Jessica Stevenson) e Tim (Pegg), dois londrinos que se conhecem, por acaso, em um café e resolvem dividir um apartamento para morar. O problema é que a dona do apartamento só quer alugá-lo para casais e por causa disso, os dois precisam fingir estarem apaixonados. Nick Frost faz o melhor amigo de Tim, enquanto Katy Carmichael faz a melhor amiga de Daisy.

Além de ser muito engraçada, Spaced é muito bem escrita, com uma estética diferente e interessante, diálogos dinâmicos e reviravoltas inusitadas e impressionantes. Essa é uma série que, definitivamente, morreu cedo demais.

Eu diria que ela merece uma segunda chance mas Simon Pegg, Nick Frost e Edgar Wright estão tão ocupados com suas coisas que eu duvido que eles teriam disponibilidade para voltar à série e, sinceramente, eu não confiaria em mais ninguém para fazê-lo.

 

2 Dead Like Me

Lembram Pushing Daisies, que eu coloquei lá em cima? (se não lembra vai ao médico que sua memória tá triste). Dead Like Me foi criada pelo mesmo cara. Bryan Fuller deve ser meio mórbido, pois ambas as séries abordam o tema da morte (mesmo que de forma bem humorada) e ele também está fazendo Hannibal, que é sobre um serial killer que come o cérebro dos outros, então coisa boa e feliz não deve ser.

Dead Like Me é um exemplo a ser seguido. Lançada em 2003, a série conta a história de George Lass (interpretada por Ellen Muth) uma menina de 18 anos que, depois de morrer, se torna uma ceifadora da morte. Ela entra para uma equipe de ceifadores que, liderados por Rube, tem a função de tocar as pessoas antes delas morrerem, tirando assim suas almas para que elas possam ser guiadas para o além.

Apesar do fato de Bryan ter saído da série depois do quinto episódio por diferenças criativas, a série teve duas temporadas, 29 episódios e ainda rendeu um filme em 2009. Ela é inteligente, com diálogos e sacadas inteligentíssimas e um enredo que nos deixa sempre querendo mais.

O maior problema do seriado é que ele levanta muitas perguntas que ele não responde. Na verdade, acho que essa é a intenção do seriado. Depois que lançaram o filme, os fãs imaginaram que algumas perguntas seriam respondidas quando, na verdade, o filme só fez levantar novas perguntas.

Mas é exatamente por isso que a série deveria ter uma segunda chance. Dead Like Me cria uma visão única, rica e divertida da morte e ainda há muito desse universo que pode ser explorado.

 

1 Firefly

Quem me conhece, ou quem simplesmente conhece seriados, sabia que isso estava chegando. A série de ficção científica criada em 2002 por Joss Whedon (sim, o cara que dirigiu Os Vingadores), acompanha a tripulação de Serenity, uma nave espacial do modelo Firefly (por isso o nome).

A série tem uma estética própria que pode ser descrita como “faroeste espacial”, e acompanha a tripulação de Serenity, liderada por Malcolm Reynolds (Nathan Fillion, de Castle) é composta de personagens diferentes e ricos a sua maneira. Todos são bem elaborados e bem atuados.

A história é muito bem elaborada e o universo muito rico em detalhes. O futuro descrito por Whedon em Firefly é ao mesmo tempo fantasioso e crível. Não temos a presença de raças alienígenas absurdas, nem armas a laser super poderosas. É algo que pode acontecer, talvez… eventualmente. A política é bem desenvolvida, a situação social, nada disso é escancarado na série, mas está lá e é visível como foi feito com muito cuidado.

Além disso, a série conta com grande elenco, Alan Tudyk, Summer Glau e Adam Baldwim, além do próprio Nathan Fillion, são alguns dos grandes nomes presentes em Firefly.

Apesar de sua curta duração, a série criou um grupo fiel de fãs e se expandiu para outras mídias, como os quadrinhos, RPG e em 2005, o cinema. Ela é até hoje, uma das melhores séries que eu já vi e é muito triste como ela só durou uma temporada. Tanto eu quanto milhões de fãs desejamos o retorno da série que depois de mais de 12 anos, se torna cada vez mais improvável.

Você sabe de alguma série que acabou muito cedo? Deixe no comentário abaixo.

Cris Siqueira
por

Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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