TECNOLOGIA | O que você não sabe sobre a atualização do seu Android!

-por , em 01/08 -
TECNOLOGIA | O que você não sabe sobre a atualização do seu Android!

MAIS UMA DICA DE TECNOLOGIA FRESQUINHA PARA VOCÊ!

Nos último artigo dessa série sobre atualização de smartphones vimos como é o começo do processo de atualização de um smartphone. Como é ele sair da Google e chegar ao fabricante. Já falamos sobre o recebimento do novo Android para o fabricante, que chega junto com o anúncio para o público comum, nós por aqui. Depois, eles fazem muitas modificações, adequações e testes. Mas e depois?

Bem, depois começa uma parte que nós nem imaginamos, e que é uma das mais demoradas. As certificações. Mas o que é isso? Bem, praticamente cada fabricante de cada componente que tem no smartphone precisa certificar que o Android desenvolvido pela empresa está de acordo com as regras dela.

Vamos pegar Bluetooth, WiFi, GPS, NFC, MMS (que você não usa mais, mas que continua tendo no smartphone), processador, placa gráfica, sensor da câmera, sistema de som, tecnologia do display… pra ficar no básico, nas coisas que nós conhecemos.

As fabricantes de todos esses componentes e tecnologias precisam receber os aparelhos que serão atualizados, com o Android atualizado e rodando liso, pra certificarem que o componente ou tecnologia delas está funcionando de acordo. Pra garantir, por exemplo, que uma antena não está emitindo mais radiação do que o normal e com possibilidades de fritar sua cabeça em uma ligação. ^^

Cada empresa pega, testa, passa por vários departamentos, precisa esperar aprovação. E, lembrando o que eu disse no outro vídeo, são os aparelhos de cada país, que também têm suas normas específicas. E é o mesmo fabricante pra diversas marcas, então é uma avalanche de aparelhos.

E pode ser que não aprovem de primeira. Ou seja, volta tudo pra fabricante, eles mexem de novo, e nesse meio do caminho pode quebrar o que tinham feito pra outro componente, ou uma função do sistema, e bora ter que mexer em tudo de novo. É uma loucura que pode levar meses de vai a volta.

Ufa, mas agora acabou, né? Não. Agora partimos para as operadoras, pois elas também pedem customizações nas versões que vendem. Então um mesmo aparelho, por exemplo, só aqui no Brasil, pode ter a versão de varejo, a da TIM, da Claro, da Vivo… pra ficar nas maiores. E são diferentes, precisam ter suas certificações.

Hoje em dia operadoras fazem menos isso, mas elas querem colocar pacotes de apps, telas de fundo, serviços de chip SIM. E depois de feito isso, cada uma quer receber cada aparelho pra fazer testes em suas redes e garantir que não há queda de conexão, erros de rede e outros. Lá se vão mais umas semanas.

E isso custa dinheiro. Todo esse tempo e o emprego de equipes pra todos os lados é custoso. Pode ser que em algum momento alguém não queria aprovar um aparelho por falta de tempo e de dinheiro. Pode ser a fabricante? Pode, mas pode ser também uma decisão de fabricantes de componentes, operadoras e outros envolvidos que seu aparelho fique sem atualização.

Mas agora acabou, né Stella? Sinto dizer, mas não. Quando está tudo azeitadinho na fabricante, nas donas de componentes e tecnologias, nas operadoras e suas redes, em cada país, vem o senhos do castelo. Chega a hora da Google pegar os aparelhos pra garantir que não acabaram com o Android e que está tudo como suas diretrizes pedem.

E aí tem mais parte complicada. Se cada fabricante de componente recebe muito aparelho, imagina a Google, que está em TODOS os aparelhos Android do mundo? Ela recebe catadupas de aparelhos pra aprovar. E qual escolher? Bem, os que forem melhores pra empresa, os que forem vender mais, né?

A Google não pega um aparelho, mexe nele por uma hora e fala que está ok. Eles vão verificar tudo detalhadamente, cada aparelho variante e cada modelo. Operadoras e também a Google (e até a fabricante) podem e provavelmente vão decidir por deixar os smartphones mais antigos para o final da fila, porque os outros são mais interessantes comercialmente falando.

E não tem nenhum monstro aqui. Todas essas empresas envolvidas funcionam na base do lucro. Se fosse você, priorizaria o que te traz mais dinheiro ou não? Empresas funcionam no mundo capitalista, é o que pode acontecer.

Bem, só pelas coisas que eu disse no primeiro artigo e esse, deu pra perceber que tem muito mais gente, tempo e recursos envolvidos do que você imaginava. Dá pra dizer fácil que a atualização do Android de apenas um aparelho passa, por no mínimo, umas 300 pessoas.

Não estou falando que é pra você aceitar tudo calado, mas veja que algumas semanas não são o suficiente. E se você já está pensando no iOS, vai ter vídeo só falando sobre ele em relação ao Android.

Mas esse também não é o fim do mundo. Primeiro porque, mesmo sem ter o sistema atualizado, alguns aparelhos recebem updates menores, corrigindo bugs e falhas graves, e ainda atualizações de segurança, que trazem novidades nessa categoria.

E tem também o fato de o Android ser um sistema modular, que está sempre se atualizando, basta você observar melhor. Na Play Store você pode ver que, vira e mexe, são atualizadas coisas como o app da câmera, galaria, app do telefone, teclado, app do email e outros.

Atualizar esses pedaços é também ir atualizando o Android como um todo. Você, mesmo com um aparelho antigo, pode receber algumas funções de aparelhos mais novos com essa modularidade de apps. A Asus, por exemplo, e uma das empresas que mais fragmenta a atualização do seu sistema.

Acho que agora eu consegui explicar, por cima, o processo de atualização do Android pra vocês. E digo por cima porque, embora eu tenha detalhado bem, tem muitos pequenos processos que correm pelas beiradas que levaria dias para explicar.

Tem que considerar tudo isso junto com campanha de marketing, estudar quando o concorrente vai soltar a atualização dele, fazer pesquisa de mercado pra buscar as funções mais pedidas, testar junto com os usuários, fornecer beta pra desenvolvedores e usuários que querem ajudar… nossa, é coisa demais.

O processo eu acabo por aqui, mas ainda tem coisa pra explicar pra vocês. Falar sobre a comunicação das marcas com os usuários, sobre o Android puro como solução (ou não), ROMs personalizadas, iOS e muito mais.

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Stella Dauer
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Stella Dauer

Uma nerd amnésica que esquece o nome de personagens, mas nunca dos atores! Curte demais video games dos mais divertidos, ama o Wii e o Mega Drive que têm. Criadora de conteúdo, fala muito sobre tecnologia, mesmo sendo designer por formação. Mãe do Pombo Pi e do Doge.

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