Vocês provavelmente tem acompanhado o drama da Sony Pictures que começou com um ataque de hackers em novembro. Não bastasse o transtorno de ter roteiros e senhas, além de novos filmes divulgados e sem falar no constrangimento causado pela divulgação de emails internos da cúpula do estúdio agora o grupo autor dos ataques fez sérias ameaças de terrorismo caso o filme A Entrevista seja exibido nos cinemas.

A comédia estrelada por James Franco e Seth Rogen conta a história do apresentador de um talk show (Franco) e seu produtor (Rogen) que são envolvidos num plano da CIA de assassinar o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un. Há alguns meses o governo do país já havia se pronunciado contrário ao filme, por razões óbvias – a paródia sobre o ditador e seu possível mau humor. No entanto, ninguém considerou que meses depois o estúdio teria que abrir mão de seu filme por conta de ameaças terroristas que ninguém confirma até o momento, mas as suspeitas do governo americano é que o ataque venha da Coreia do Norte.

ENTENDA O CASO “SONYLEAKS”

A entrevista 3

No final de novembro a Sony revelou que seus computadores foram invadidos por hackers e que diversos dados vazaram, dentre eles, senhas, e-mails internos, dados pessoais de diversos funcionários e atores, salários, além de roteiros e filmes finalizados, outros não. Os hackers enviaram e-mails para os funcionários se identificando como #GOP – Guardians of Peace (Guardiões da Paz). A princípio sua origem é desconhecida, mas após o grupo exigir que a estreia de A Entrevista fosse cancelada, as suspeitas recaíram sobre a Coreia do Norte, que negou as acusações.

Na terça-feira, dia 16, o GOP ameaçou atacar as salas de cinema que exibissem o filme, com estreia prevista nos EUA no dia 25 de dezembro. “Lembrem-se do 11 de setembro”, dizia a mensagem que ainda afirmava que “o mundo será tomado pelo medo”. Com isso, a pré-estreia em Nova York que contaria com a presença dos protagonistas foi cancelada.

No dia seguinte, a Sony anunciou o cancelamento da estreia em todos os cinemas americanos após diversas redes de cinema se recusarem a exibir o filme diante das ameaças e ainda que não tem planos de lançá-lo online ou em serviços on demand. A decisão gerou uma série de críticas em Hollywood de atores, diretores e imprensa em geral. Uma das reclamações foi do ator Steve Carell que postou em sua conta no Twitter uma foto de Charles Chaplin interpretando Adolf Hitler no filme O Grande Ditador, de 1940 e afirmou: “é um dia triste para a expressão criativa”. A filial do estúdio no Brasil ainda anunciou que a estreia aqui, marcada para 29 de janeiro também está cancelada.

O grande receio de Hollywood é que a liberdade de criação seja seriamente afetada com a decisão do estúdio e que abra um perigoso precedente. É compreensível que os cinemas se recusem a exibir o filme devido às ameaças, que num país traumatizado com ataques terroristas, são tratadas com muita seriedade. No entanto, a Sony se recusar a lançar o filme em demais plataformas não só gera para si própria um enorme prejuízo (estima-se algo em torno de 90 milhões de dólares) como também gera uma enorme frustração na indústria cinematográfica e nos espectadores (eu me incluo nessa porque queria muito ver o filme). Uma segunda produção já foi afetada com os ataques. Pyongyang seria uma adaptação da HQ Pyongyang: Uma Viagem à Coreia do Norte de Guy Delisle, protagonizada por Steve Carell e que teria suas filmagens iniciadas em março de 2015.

A entrevista 2

Muita gente já deu seus palpites e pitacos nessa história – o escritor Paulo Coelho ofereceu pelo Twitter 100 mil dólares à Sony pelo direito de exibir o filme – e eu particularmente acho que sim, abre um precedente muito perigoso pois imagina se todo grupo que se sentir ofendido por determinado filme resolver atacar os estúdios responsáveis e exigir seu cancelamento? Além disso, não sei se os hackers-terroristas pensaram nisso, mas a publicidade em torno de A Entrevista já é muito maior do que a que Sony já fizera anteriormente e consequentemente uma curiosidade muito maior agora da pessoas. Aguardemos o desenrolar desta história.

Assista ao trailer oficial do filme antes que seja tarde:

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Como diria um amigo meu, the house is down! O FBI acusou oficialmente a Coreia do Sul pelo ataques à Sony e Barack Obama disse que “haverá resposta”.

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