Se você gosta de humor e está procurando uma boa série de livros, aqui vai uma dica: Discworld, do britânico Terry Pratchet. Mas já aviso que a série não é para os fracos. Com seu primeiro livro lançado em 1983 (e com uma média de dois livros lançados ao ano), Discworld contém nada mais nada menos do que 41 livros em sua coleção.

Os livros em si são bem curtinhos, com o maior que eu li até agora (pois ainda não consegui ler a coleção inteira) contendo 350 páginas. A maioria tem entre 100 e 200, alguns com menos de 100. Se você quiser pegar apenas um ou dois livros para ler, seria possível acabar tudo em um feriadão. Mas, se você for um complecionista (alguém pode me dizer, nos comentários, qual a pronuncia certa dessa palavra?) literário – como eu – e quiser ler todos os livros da coleção, esse vai ser o seu Everest metafórico pessoal.

Mas já falei o bastante sobre o número de livros, vou falar um pouco do seu estilo literário e de sua história.

O mundo é um disco, equilibrado nas costas de quatro elefantas gigantes que, por sua vez, estão em pé em cima do casco de A’Tuin, uma enorme tartaruga que nada pelo espaço em direção ao final do universo. Ele é um mundo um tanto quanto parecido com o nosso em alguns aspectos, mas em outros é completamente diferente.

O objetivo é ser, claramente, uma paródia aos livros de fantasia clássica tradicionais. É possível identificar referências aos livros famosos, como Senhor dos Anéis. Pratchet pega todos os clichés de fantasia e os abraça de uma forma nova e original, criando algo hilário que – na maioria das vezes – funciona bem. Ele não tem a intenção de levar nada a sério. Para você ter uma ideia, quando perguntado de onde ele tirou a inspiração para escrever a série de livros Discworld, ele respondeu que “a ideia simplesmente estava lá, de bobeira, e não parecia pertencer a ninguém”. E é com essa postura gaiata que ele define todo o tom de seu trabalho.

Os anões de Discworld são pequenos e bravos guerreiros, mas também são loucos por ouro e não falam de mais nada além disso. Os trolls não são só burros como pedra – eles são feitos de pedra! Os magos fazem parte da Universidade Arcana e são velhos gordos que vivem para comer e aproveitar os luxos da vida. E por aí vai.

No começo da coleção, todos os livros são histórias isoladas, sem ligação umas com as outras. Mas, a medida em que a série foi crescendo e os personagens se desenvolvendo, as histórias foram criando arcos, centrados em personagens específicos. Temos a saga de Rincewind, o mago covarde que sempre se vê em situações de extremo perigo; Granny Weatherwax, uma poderosa bruxa com a habilidade de entrar na cabeça de outras criaturas; e a Morte, o ceifador sinistro que vem coletar a alma dos que faleceram.

Por mais que as histórias não sejam fracas, as verdadeiras estrelas de Discworld são, sem sombra de dúvidas, os seus personagens. O leitor se identifica com os personagens em diversos níveis. Eles não são personagens literários unidimensionais, mas têm diversas camadas que fazem com que eles sejam humanos. Eles agem de forma covarde, egoísta, pragmática. Fazem coisas idiotas e pensam de forma idiota, mas que fazem todo o sentido. São pessoas completamente falhas e coerentes em suas falhas.

A história é contada de forma bem orgânica, onde a narrativa é levada facilmente pelos personagens, suas ações e seus diálogos. Esse é um estilo de escrita que eu, pessoalmente, curto muito, pois não tem um excesso de descrição (como em O Senhor dos Anéis, por exemplo).

Com muito humor, sarcasmo e uma visão crítica da sociedade e das pessoas, Discworld é uma série de livros que vale muito a pena ler.

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