Sangue Quente, uma divagação.

-por , em 31/01 -
Sangue Quente, uma divagação.

Você já deve ter visto, ou pelo menos ouvido falar do filme Meu Namorado é um Zumbi. Certo? Sabia que ele se baseia no livro Sangue Quente? Eu o li e vou falar um pouquinho a respeito para você. (Se você pretende ainda ver o filme ou ler o livro, melhor parar por aqui, pois não acredito que eu vá conseguir evitar fazer spoiler, ok?)

Bom, eu vi o filme antes de ler o livro. Logicamente, como na maioria das vezes, achei o livro melhor. A primeira coisa que eu posso apontar? O livro nos dá uma história mais profunda. Com mais coisas que te fazem refletir sobre não só a historia, mas o mundo em que vivemos como um todo.

R se questiona o tempo todo sobre o porquê de não se lembrar de sua vida, sobre o ele parecia por em primeiro plano, como carreira e status, nos poucos vislumbres que tem dessa memória perdida. Também sobre coisas como o medo de espaços abertos que todos os zumbis compartilham. E a vontade de se lembrar de seus nomes. Nomes implicam ser alguém, e eles não são mais alguém. R só sabe que seu nome começava com r, ainda tem algo de seu eu em si, mas é pouco.

Por fim, ele me fez ver que comer cérebros é tentador porque eles necessitam viver, sentir como antes. O flash causado pelas memórias alheias lhes dá essa vibração por alguns instantes e eles vivem pela memória de suas vitimas. É tudo uma busca pela vida, pelo SENTIR perdido.

Mas R também é diferente, porque ele filosofa e busca algo mais. Ele procura coisas que o ligam a sua antiga vida e coleciona objetos, em especial discos, cuja musica ele diz serem vivas. O filme não mostra, mas no livro os zumbis formam uma cultura sua, a parte do mundo dos vivos, mas também uma copia. Eles procuram companhia, se casam. R casou, quando encontra Julie, está casado, através dos meios dos esqueletos (no filme eles são os piores vilões, como no livro, mas no inicio são só os mais resignados como que se tornaram, estagnados), com uma de sua espécie. Mas não é um casamento como o nosso. É mais uma parceria imposta pelos esqueletos (que são como os religiosos dessa cultura zumbi) para ter quem ensine aos transformados muito jovens a viver a nova vida. Um zumbi adulto praticamente reconhece suas necessidades e as segue. As crianças trazem mais da energia da vida que deixaram. R até divaga se por sentir mais, elas demoram mais a ser como eles.

E é claro, vem o romance. Você sabe que as memórias roubadas do cérebro do namorado de Julie levam R a protegê-la. Ele já buscava algo mais, talvez até mesmo o amor. E a interação deles começa a gerar uma cura. R sente suas mudanças. Recupera algumas cosias de seu eu perdido. Mas os outros próximos também sentem, também são tocados por aquele sentimento a mostra, exposto a eles.

E eu acho fofo a óbvia comparação e cópia a Romeu e Julieta. Você vê? R e Julie! E tem até uma cena na sacada! Onde ele corre risco de ser morto se for pego!

E é nesse clima que a história toda segue, você divaga junto com R em suas idéias, tem perguntas. E, é claro, se pega torcendo pelo zumbi, que deveria ser o vilão! Então eu recomendo! Se você quer uma historia um pouco fora do convencional, eis uma ótima pedida!

Luciana Fogo
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Luciana Fogo

Chocólatra assumida, sou também uma viciada em livros e totalmente capaz de virar a noite com uma boa história! Mas o meu maior amor é ter INFORMAÇÃO! Pergunte que eu descubro!

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