RPG: Imaginação ou Fantasia?

-por , em 24/08 -
RPG: Imaginação ou Fantasia?

Os trechos abaixo foram retirados do texto de Piatã Müller, e devem ser lidos principalmente pelos leitores RPGistas deste blog, é uma ótima reflexão! =)

 

A imaginação e a fantasia

 

“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação” (Charles Chaplin)

 

A frase acima, que é de um dos grandes gênios da imaginação que o mundo já teve, esconde uma sabedoria importante, mais profunda do que se possa imaginar em um primeiro momento. Mas para iniciarmos a nossa coluna desta semana, gostaria de esclarecer dois conceitos muito importantes para o RPG, e que também o são para a filosofia.

 

O primeiro deles é o conceito de Fantasia. É muiti comum utilizarmos o termo para definir um estilo de cenário no RPG, tal como “é um mundo de fantasia medieval” ou coisas do gênero. Costumamos entender a fantasia como sinônimo de ilusão. Segundo o próprio dicionário:

 

“s.f. Imaginação criadora; ficção; coisa que não tem existência real, mas apenas ideal. Extravagância; alucinação.” Correto, perfeito.

 

A questão que coloco é…um mundo que criamos com seres mitológicos, mostros horríveis, magia e super poderes, é apenas uma “alucinação”? Uma extravagância? Será que isso simplesmente não tem existência real e sim de papo? (…)

 

rpg

 

Bom, para continuar a linha de racioncínio, vou recorrer ao conceito que a Filosofia à Maneira Clássica tem da Imaginação para, assim, podermos entender melhor a fantasia. Inicialmente, é importante que saibamos que a Imaginação é uma faculdade da mente, que pode e deve ser desenvolvida através do seu exército. Inúmeros milionários, atletas, artistas e filósofos sabem do poder que a Imaginação pode chegar a ter. Pessoas com grande capacidade mental e imaginativa tem a possibilidade de entender e compreender coisas que, no normal, teria-se muita dificuldade de assimilar.

 

A imaginação guarda uma relação muito estreita com o futuro. Tudo que foi, é e será criado, passou mais cedo ou mais tarde pela mente de alguém. Houve um ser humano que, através de sua imaginação, concebeu a existência de determinado objeto ou obra de arte antes que eles existissem.

 

Há, no entanto, um fator importante a ser avaliado. Uma grande pirâmide do Egito, uma sinfonia de Beethoven, o roteiro de um filme como Matrix ou uma grande empresa bem sucedida, como a tão em voga Apple, com certeza absoluta, não surgiram de um simples devaneio. Nem sequer uma barraca de camping se monta com devaneios, com alucinações. Um iPad poderia ser considerado uma grande ilusão, um leviano devaneio, uma fantasia – antes de ser criado. Mas depois de ter sido criado, certamente não será possível dizer que era irreal; existia, apenas, uma diferença entre o tempo de sua concepção e o de sua fabricação.

 

steve jobs

 

A capacidade que permitiu a Muralha da China ser construída foi a imaginação, não a fantasia. A faculdade mental que permitiu o querido e saudoso Ayrton Senna ser um dos maiores pilotos da história do automobilismo, foi a imaginação, não a fantasia… Ele mesmo narrava que, antes de cada prova, imaginava-se percorrendo o percurso de forma perfeita, para depois fazê-lo concretamente na hora da corrida. Não era real o que estava em sua mente? Pois então, o que nos fica claro é que existe uma diferenã fundamental entre a imaginação e a fantasia.

 

A imaginação é regida pela vontade do ser humano. Cada um de nós tem o poder de reger a sua mente e conceber idéias que não estão neste mundo concreto, mas que são reais. E que podem, portanto, virem a ser reais no mundo concreto também. A fantasia é regida por ela mesma, não tem direção, não tem quem a guie. É um devaneio.

 

Portanto, percebam… Existe ferramenta melhor para desenvolver a imaginação do que o RPG? No RPG trabalha-se constantemente, durante horas a fio, na criação de mundos, cenas, personagens, em um processo onde a vontade de cada jogador deve ser aplicada. Pois, além do mais, faz-se isso colaborativamente, com mais jogadores, em um formato onde, é nítido, devaneios não terão muita duração. Pois a aventura é construída colaborativamente, em conjunto, pautada e, além do mais, em algumas regras que o sistema utilizado irá definir. O que poderiam parecer alucinações, na realidade são “definições imaginativas” bem concatenadas, ainda que com grande criatividade.

 

Ou seja, RPG é imaginação e não fantasia! E se ele é imaginação, ele desenvolve essa grande faculdade da mente. Permite-nos entender melhor o mundo e, incluisive, entender melhor a nós mesmos. Sendo assim, gostaria de finalizar com uma pequena peródia da frade se Charles Chaplin, com a qual começamos esta coluna…

 

Perfil Coxinha

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No RPG o que importa não é a realidade, mas o que dele possa extrair a imaginação!
A favor dos nerds e contra a tirania dos Kibes.
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Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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