Se você foi uma criança dos anos 80, certamente brincou na rua. Eu sumia no mundo, como dizia minha mãe… O combinado era aparecer na hora das refeições e voltar para casa quando começava a escurecer. Bons tempos! Ia para a casa dos amigos, andava de bicicleta, subia nas árvores, roubava amora dos vizinhos! Mas parte das boas lembranças está nas brincadeiras de rua: queimada, mãe da rua, esconde-esconde, pega-pega, pular corda, polícia e ladrão… Mas os carrinhos de rolimã eram uma febre na minha rua! e é sobre eles que hoje o Fábio vem contar suas lembranças!

Minha Infância foi muito legal, acompanhei a evolução de tudo que a garotada mais gosta hoje em dia.  Quando criança, brinquei muito na rua jogando Taco, bolinha de gude, amarelinha, mãe da rua, pega-pega, esconde-esconde e até carrinho de rolimã. Este por sinal necessitava de certa engenharia e a ajuda de algum amigo mais velho ou da boa vontade de seu pai para a construção. Mas depois de pronto, à diversão estava garantida. Quando juntávamos aquela turma, todos com o espírito dos antigos pilotos encarnados, era demais! Tive a sorte de morar em uma rua cuja inclinação variava em dois níveis de dificuldade e era possível determinar o grau de habilidade de cada um: o começo da rua era uma ladeira íngreme, ali tinha que ser audaz para enfrentar o trecho, pois a velocidade alcançada era grande, alem do que, as calçadas eram irregulares, proporcionando alguns saltos e até acidentes memoráveis! Andávamos na calçada por dois motivos óbvios, o primeiro é que uma das condições impostas por nossos pais para a pratica do esporte era que não deveríamos em hipótese alguma sair da calçada, e a segunda, o fato de as ruas ainda não serem todas asfaltadas e andar no paralelepípedo ser inviável.

Mas na segunda parte da rua, a inclinação era mais suave, e era ali que as coisas aconteciam. Nesta parte, a calçada circulava um campo de futebol e era lisinha, com boa largura e até algumas arvores para dar um efeito mais realístico ao nosso autódromo. Ela se estendia por mais ou menos uns 400 metros, até começar um pequeno desnível ascendente, que servia de freio no final do percurso. Também era ali que acontecia uma pequena competição extra, que graduava o piloto que conseguia ir mais longe calçada acima, usando apenas o empuxo obtido durante a descida. Mas para nós a distancia era o que menos importava! A impressão que tínhamos era de que a pista sempre foi enorme, crianças de outras ruas apareciam para brincar também e existia certa ordem: moradores tinham preferência para testar a pista antes das corridas, pista essa que variava todos os dias. Com pedaços de tijolo, a molecada riscava o chão, fazendo curvas e retas para dar mais emoção.

Colocávamos-nos de dois em dois para a largada, após uma contagem regressiva, que era gritada por um dos participantes, começava a corrida. Algumas vezes a aceleração era só nas mãos, em outras se podia usar a força de um amigo empurrando, apoiado em suas costas. Mas tinha limite. A ajuda era até certa marca e, dali para frente, era por sua conta! Mas ai o vento já batia no rosto, as lagrimas escorriam do olho devido ao cisco que inevitavelmente entrava… Isso fazia parte! Um bom piloto não se deixava abater por coisas do tipo, mesmo quando num desespero para tentar uma ultrapassagem, era necessário ganhar velocidade e a mão era usada para empurrar o carrinho e, durante o processo, um erro na manobra fazia a rolimã passar sobre um dos dedos e doía, mas doía muito! Porém a corrida não podia parar! Mesmo com o dedo latejando, você fazia de tudo para concluir o percurso. Vencendo ou não, a aventura era gostosa, eu nunca cheguei a perder uma unha, mas tive alguns adversários que perderam, e nem por isso deixamos de competir!!!

Eu morava perto de algumas garagens de ônibus e era de lá que vinham nossos rolimãs, as manutenções nos coletivos eram feitas e as peças descartadas no lixo. A criançada disputava cada uma delas, isso era gostoso, mas na falta de peças usadas recorríamos novamente à bondade dos nossos pais para comprarem rolimãs novinhas, daí era o Maximo! Colocar elas no carrinho era o mesmo que colocar rodas aro 17 com perfil baixo nos carros de hoje, dava status.

Quando não tinha corrida, a calçada era usada apenas para descer sentado no carrinho e deitado também. Mas nesses dias calmos, às vezes acontecia uma competição de derrapadas. Alguns tiravam até faísca do concreto. Mas bom mesmo era quem conseguia dar um giro de 360° e continuar a descida. Eu nunca passava do 180°, com baixa qualidade…

Certa vez alguém deu a ideia de fazermos um trenzinho. Todo mundo sabe que em uma turma sempre tem um cara habilidoso e, com a idéia lançada, ele foi até em casa e quando voltou, trouxe uma caixa com uma furadeira e parafusos. Após algumas horas de trabalho, tínhamos unido todos os carrinho e conseguido um trenzinho enorme e fora feito de maneira tal que, no final do percurso, cada um pegava o seu e voltava correndo para o começo e a posição de chegada na largada definia o lugar no trem. Daí você já imagina, eu sempre fui gordinho, nunca consegui ir na frente, nem no meio, minha posição sempre era no final, mas nem por isso deixava de ser divertido.

Nossa, como me deu saudade agora! Pena que hoje em dia as crianças não podem mais fazer isso, a insegurança é tamanha que todos ficamos em casa e a diversão se faz por meios eletrônicos. Acho que é o preço da modernidade…

Meu nome é Fábio Cavalcante, sou esposo da Luciana fogo e Papai da Larissa fogo, ambas são colaboradoras do blog, já fui piloto um dia e sou fã de Pizza.

 

Eu também brinquei muito com os carrinhos. Especialmente porque meu pai fez um na empresa, de alumínio! Era a sensação da rua! Só não podíamos competir em corridas com ele… Era tremendamente pesado, cerca de uns 22 quilos! E isso era uma imensa vantagem ladeira abaixo, kkkkkkkkk