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03/10

Todas as fotos desta matéria são de Marcelo Brandt e Alexandre Durão / G1.

O quarto dia chegou para marcar o início do segundo final de semana de Rock in Rio. Até agora o dia mais cheio do evento, trouxe velhos conhecidos do rock’n roll, como Capital Inicial e Red Hot Chilli Peppers. Outros membros da velha guarda, como Nile Rodgers, ajudaram a compor a noite. Mas foi o show do Panic at the Disco! que mais animou a multidão. Em um dia marcado por camisas pretas, a emoção tomou conta do Rock in Rio.

O dia na Cidade do Rock foi marcado por muitos protestos. Por diversas vezes, os rostos de Marielle Franco e Àgatha Felix foram exibidos no Palco Sunset. Os shows de Francisco, El Hombre e Monsier Periné; Emicida e Ibeyi; Dughettu e Capital Inicial relembraram o cenário atual do país. Acompanhados pela multidão, que xingava o atual presidente do país, as mensagens foram passadas e ecoaram pelo festival.

We are Àgatha Felix. We are Deathless (Nós somos Àgatha Felix. Nós somos imortais).

Protestos pela Amazônia também marcaram presença no quarto dia. Não podemos deixar de lembrar que a Natura está no Rock in Rio em prol da Amazônia.

O Palco Mundo

Enquanto o primeiro final de semana foi bem eclético, trazendo música para todos os gostos, o segundo começou repleto de rock’n roll de diversas gerações. O Palco Mundo foi inaugurado pelos veteranos do Capital Inicial, que retornam ao festival. Acostumados com a atmosfera do Rock in Rio, o grupo se mostrou extremamente a vontade, trazendo as velhas músicas conhecidas e amadas pelo público. Ao som de Natasha, Primeiros Erros, Fátima e muitas outras, Dinho Ouro Preto não deixou uma só pessoa parada no gramado.

Ao final, o grupo já ia se despedindo quando o público pediu mais uma, de forma bem inusitada. Para ouvir “Que País é Esse”, do Legião Urbana, a plateia gritou “Ei, Bolsonaro, vai t…”. Dinho entendeu o recado e logo trouxe uma versão acapela da música. Antes de sair, aproveitou para dizer que “somos um país de moderados”. Tempo Perdido, também do Legião, levou muitos fãs às lágrimas na Cidade do Rock.

Nile Rodgers & Chic!

Nile Rodgers cantou no Palco Sunset em 2017 e muitos fãs acharam que o guitarrista de 66 anos merecia mais. O recado foi ouvido e atendido, pois dois anos depois ele retornou no Palco Mundo. Se começou parado, não demorou para transformar o gramado em uma verdadeira discoteca. Ele reproduziu hits de Madonna e Cindy Lauper, além de clássicos como Rapper’s Delight.

Rodgers contou com o apoio de suas cantoras, Folami e Kimberly, que deram um show a parte. Sorrindo o tempo todo, mostraram-se a vontade e felizes de estarem ali. A energia refletiu na plateia, que dançou e cantou do início ao fim. Nile aproveitou para agradecer ao Daft Punk, com quem o artista lançou a música Get Lucky. Na época, ele se recuperava de um câncer de próstata e a música foi o estímulo que precisava. Além da banda, Nile já trabalhou com grandes nomes da música, como Lady Gaga, Duran Duran, Diana Ross e David Bowie.

Panic! at the Disco

Poucos minutos depois começaria o melhor show da noite. O Panic! at the Disco era a banda mais aguardada por muitos, embora não tanto quanto o Red Hot Chilli Peppers que viria em seguida. Liderados por Brendon Urie, deram uma aula de entretenimento no Rock in Rio. O setlist contou com hits novos, como Silver Lining e Victorious, mas também trouxe músicas da geração passada, como Sins.

Se já não fosse bom o suficiente, Urie cantou uma versão emocionante de Bohemian Rhapsody. Não havia uma única voz calada  no Rock in Rio.

A banda passou por uma reforma ao longo do tempo, restando apenas Urie da formação original. O emo ficou para trás e deu lugar a um pop puxado para o rock. O visual teatral também saiu, mas o talento certamente não. A baixista Nicole Row também foi um dos grandes destaques da noite.

Ao lado do vocalista, trouxe um verdadeiro espetáculo para a Cidade do Rock. Com Nine in the Afternoon, os emos da geração se sentiram abraçados e realizados. Com os novos hits, os novos fãs tiveram seu momento de gritar. Afinal, o Panic! at the Disco trouxe o melhor show da noite.

Red Hot Chilli Peppers

O headliner da noite foram os veteranos do Red Hot Chilli Peppers. Já tendo se apresentado antes no festival, poderiam ter inovado e ter trago algo novo, o que não fizeram. Muitos fãs saíram de lá decepcionados com o repertório. Em sua nona passagem pelo Brasil, o Red Hot teve pela primeira vez uma leve debandada do público antes do encerramento.

Em três anos, essa é a terceira vez da banda no país. Nesse meio tempo nenhum álbum foi lançado, o que obrigou o grupo a arriscar no setlist, o que não deu certo. O aniversariante da noite, Josh Klinghoffer, tocou uma música nunca antes performada ao vivo. Poucos conheciam Sikamikanico. Foram necessárias as tradicionais e conhecidas do grupo, Californication, Dani California e Give It Away, para empolgar a multidão cansada. Anthony Kiedis foi aplaudido e o quinteto fechou o quarto dia de festival.

Red Hot Chilli Peppers trouxe mais do mesmo, tentando inovar. Não deu certo, mas houve quem gostasse e muito.

O Rock in Rio se estende até domingo, com muitos sucessos.