Ao longo do anos, e devido a tantas manifestações em prol da representatividade, finalmente a industria tem aberto portas e gerado visibilidade para a comunidade LGBTQ+.

Podemos hoje, conferir diversos shows, e filme que incluem personagens trans e gays em seu elenco ou como trama central. Contudo, pouco vemos o B, dentro da comunidade LGBTQ+ tendo algum tipo de visibilidade, de fato.

A questão é que dentro desta comunidade, os bissexuais são quase que excluídos e sofrem inúmeros questionamentos, chegando até a serem rotuladas de “encubadas” ou “Curiosas”, desenvolvendo alguns problemas de saúde mental. Um pesquisa comprova que “aproximadamente 40% das pessoas bissexuais consideram ou tentaram suicídio, em comparação com pouco mais de um quarto dos gays e lésbicas”.

Tal estudo e preconceito destaca a necessidade da representatividade bissexual, principalmente da tela; especialmente para homens, pois eles são menos propensos a se identificar como tal. Assim como na vida real, o que se é considerado o ideal da masculinidade, também gera algum tipo de opressão nos homens bissexuais da ficção.

Em muitas situações, homens da ficção se questionam se seriam gays, por se interessarem por alguém do mesmo sexo, estando com alguém do sexo oposto. O que não é verdade. Com base nisso podemos lembrar de algo recente, a Disney/Hulu perdeu uma grande oportunidade em ‘Love, Victor‘, teria sido muito visionário até, que o personagem fosse de fato, Bi. Nada o impediria de amar Benji. Além de ter sido uma incrível reviravolta, a representatividade que isso geraria seria indescritível.

Como dito acima, existe um estigma em relação a bi sexualização, e a mídia ao gerar mainstream, acaba por gerar fetiche e apagar os personagens Bi. Por isso é tão necessário que os shows incluam representações positivas de pessoas bissexuais.

A Bissexualidade nas telas, nem sempre é explicita, ou explicada. Na maioria das vezes, a trama até acompanha para que seja assim, mas no fim a história opta por definir o personagem como gay, ou lésbica. Em outras situações, os proprios roteiristas optam por não incluir esse tipo de narrativa, por achar ser algo libertino.

Me recordo de algumas produções que definiram um personagem como bissexual. Uma delas é The Good Trouble, e o personagem é Gael. Ele é efetivamente bissexual, mas tem o esteriótipo de ‘Homem pegador”; tal representação gera um olhar negativo e errado de que bissexuais são promíscuos e infiéis. Outro exemplo temos na série How To Get Away With Murder, onde a personagem Annalise Keating, também é bissexual; contudo o show que se estendeu por anos demorou para identifica-la como tal efetivamente, mesmo o espectador vendo essa possibilidade, já que nitidamente ela se atraía por ambos os gêneros.

Tal evolução da mídia em afirmar a representação sexual de seus personagens, pode auxiliar a normalização da identidade Bi, permitindo aos que se identificam, se sentirem autênticos em sua sexualidade.

A Tessa Thompson, na época de Thror Ragnarok, chegou a comentar sobre sua personagem Valkiria, que é assumidamente bissexual. Ela disse esperar que algum dia, esses personagens não precisem mais ser pauta, e seja algo fluido, e incorporado a sociedade de fato.

A visibilidade é de fato necessária, para toda e qualquer letra que faça parte da comunidade LGBTQ. Entendo a dificuldade de incorporar isso, no que muitos acreditam ser normal. Mas o que é normal? Esse é o normal. Amar é normal, seja quem for. Amor não tem preconceitos, então porque você teria?

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