Renner, Aliexpress, Primark e o trabalho escravo!

-por , em 01/12 -
Renner, Aliexpress, Primark e o trabalho escravo!

Sabe quando estudamos a escravidão na escola e acreditamos que isso é uma coisa bem distante da nossa realidade? Sem medo se ser feliz, pode responder que sim para esta pergunta. Todos nos surpreendemos com notícias de escravidão, ainda nos dias atuais, na mídia de todo o mundo, principalmente quando o negócio acontece aqui no Brasil. Já tem um tempinho que o tema é pauta de muitas organizações internacionais, empresas já se reuniram para melhorar a situação trabalhística de muitas pessoas, mas, mesmo com todas as medidas que conhecemos, o erro continua sendo repetido.

Lá nos tempos da tia Cotinha, na escola, estudamos que a escravidão é a prática social em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro designado por escravo, ao qual é imposta tal condição por meio de força. Não posso garantir aqui, assim como diversas outras mídias também não puderam, que este tipo de trabalho forçado tenha sido realmente extinto, mas outras formas de escravidão continuam sendo impostas à algumas pessoas de determinados países, bem como aqui aqui do Brasil.

aliexpress slaves

Em junho de 2014, três britânicas encontraram pedidos de socorro pela suposta exploração de trabalho escravo em etiquetas de roupas da marca Primark. Acredita-se que as mensagens tenham sido escritas por trabalhadores de fábricas em vários países. Todos os recados fazem referência a “horas exaustivas” de trabalho forçado. A Primark é muito conhecida nos países europeus por vender peças a preços muito baixos e todas as mensagens encontradas já estão sendo investigadas.

slave conditions alibaba

Uma moradora do Distrito Federal, em Outubro de 2014, recebeu uma blusa comprada no site Aliexpress (da empresa chinesa Alibaba), com a frase “sou escravo, me ajude” escrita em um papel. O site é famoso por vender peças (de todas as categorias) a preços baixíssimos e faz um super sucesso aqui no Brasil. A moça diz ter chorado demais quando abriu a peça e viu este bilhete, pensando que dói seu coração saber que, do outro lado do mundo, pessoas são escravizadas para produzir peças que nós compramos e usamos.

trabalho escravo renner

Não precisamos ir muito longe para encontrar condições degradantes de trabalho, como é o caso da empresa Renner, recém descoberta investidora do trabalho escravo aqui, no nosso amado Brasil. A notícia está deixando a empresa de cabelos em pé, já tomou as redes sociais e já foi responsável por algumas declarações revoltadas e diversos consumidores. De acordo com a notícia que saiu em diversos portais, as roupas da Loja Renner eram fabricadas por trabalhadores bolivianos em regine análogo ao escravo.

A fábrica já foi interditada pelo Ministério do Trabalho e 37 funcionários foram resgatados, dentre eles, 36 adultos e um adolescente de 16 anos; Havia 35 mil peças da Renner, das marcas Cortelle, Just Be, Blue Steel e Blue Steel Urban. Apesar de terem registro em carteira, os trabalhadores viviam em alojamentos em condições degradantes, tinham descontos indevidos nos salários, trabalhavam em jornadas exaustivas, eram remunerados por produção e sofriam violência psicológica, verbal e física. Identificou-se ainda o crime de tráfico de seres humanos para fins de exploração laboral. A Renner poderá ser incluída na lista suja do trabalho escravo.

trabalho escravo aliexpress

É cada vez mais impressionante a quantidade de empresas que investe neste tipo de trabalho (as vezes sem conhecimento, eu sei, mas basta uma investigaçãozinha antes de fechar contrato que o podre aparece, então não tem vítima nessa história). Em pleno século XXI, chega a ser vergonhoso saber que a humanidade ainda se encontra neste mesmo nível de imaturidade de mais de 500 anos atrás. Pessoas, em busca de comida, moradia e condições de vidas mais humanas, são submetidas a estas situações porque sempre tem alguém que quer se dar bem com lucros extraordinários.

Se pararmos para analisar os preços finais dos produtos e nas alternativas que as empresas tem para oferecê-los como ótima oportunidade de negócio aos consumidores, claro que conseguimos notar algumas coisas erradas. Mas sabe porque pensamos que é “meio óbvio” o problema no processo? Porque estamos acostumados a ser cobrados de forma exorbitante por todos os produtos, os impostos são altíssimos, os custos de produção elevam qualquer valor de mercado, e não é assim só no Brasil – para os que pensam que somos exclusivos na exploração comercial.

Se você é contra qualquer tipo de trabalho escravo, infelizmente terá que pagar valores altíssimos por produtos bem simples. Estamos dispostos a deixar nossa economia pessoal de lado, para pensar na condição de trabalho do próximo? Ou isso não é algo que devemos pensar e trabalhar para mudar? O que você acha?

Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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