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OBRIGADA NETFLIX!

 Pouco se falou ou comentou sobre uma das mais novas séries da Netflix. Raising Dion (Criando Dion, em tradução livre) chegou no último dia 04 ao catálogo do streaming. Trazendo Michael B. Jordan no elenco, a produção recebeu pouco destaque desde a estreia. Mas Raising Dion certamente vai entrar na lista de preciosidades escondidas dentro da Netflix. Em nove episódios, a história de Dion conquista o público e nos leva a repensar muitos pontos na vida.

A História

Raising Dion é descrita como uma série de super-herói. O pequeno protagonista apresenta poderes que nem ele mesmo tem conhecimento e se surpreende a cada dia. O personagem de Já’Siah Young é um dos indivíduos mais poderosos do universo, graças ao pai. Mark era um cientista dedicado a entender as descargas elétricas e suas consequências na superfície da Terra. De maneira misteriosa, o pai de Dion nunca mais foi visto após uma tempestade elétrica em Nova Orleans.

Ainda tentando viver após a morte do marido, Nicole tenta cuidar do filho de oito anos enquanto procura por emprego. O surgimento das habilidades de Dion não estavam nos planos, afinal, não é todo dia que uma criança consegue se teletransportar. A rotina da personagem de Alisha Wainwright se transforma em uma missão para esconder o filho. A empresa de Mark, Biona, está de olho no menino e em tudo o que ele pode fazer.

Dion

 menino ainda sente a falta do pai. Apesar do pouco contato que tiveram, ele sente a mãe triste e escuta todas as histórias que ela tem para contar. Seus poderes surgem em meio a uma de suas crises, onde está sozinho e sem ter com quem contar. Sua maior referência é Pat (Jason Ritter), melhor amigo de Mark e alguém que está sempre presente. Seus sentimentos em relação a Nicole ficam claros desde o início e nos levam a considerar a veracidade de suas ações.

Enfrentando os desafios diários de ser uma criança de oito anos, Dion ainda está superando a morte de Mark. Além disso, o menino é um dos poucos negros em uma escola composta majoritariamente de alunos brancos. Ele sofre bullying dos meninos skatistas, que se acham superiores e não economizam nas maldades.

Dion encontra companhia em Esperanza, uma menina que passa sua vida sentada em uma cadeira de rodas. Ela sofre de Osteogênese Imperfecta, ou Síndrome do Osso de Vidro. Acostumada a ser tratada diferente pela sociedade, nos dá uma aula de vida em cada diálogo que protagoniza.

A série

A princípio Raising Dion parece uma simples série de pessoas com superpoderes. Mas a profundidade da série está nos detalhes, nas palavras ditas pelas crianças. Há muito mais por trás dos poderes de Dion do que simplesmente fazer brinquedos flutuarem. Com a pouca idade, o menino já teve de passar por diversas situações e sempre saiu delas com um sorriso no rosto.

O início demora para engatar e parece que estamos vendo mais do mesmo. Os primeiros episódios introduzem o assunto e demora um pouco para que o objetivo da série seja revelado. É algo muito maior do que simplesmente superpoderes. Os 45 minutos de cada episódio passam voando, aguçando a curiosidade do público a medida que a trama fica mais séria. Mesmo que seja protagonizada por crianças, não espere algo bobo. Pessoas morrem, ficam feridas e são obrigadas a lutar por suas vidas.

As lições

Dion sofre preconceito e bullying diários em sua escola. Ser uma criança negra em meio a um grupo de alunos brancos e loiros não deveria fazer diferença no tratamento. Mas o que fazer quando os responsáveis por ensinar e repreender preferem passar um pano no assunto?

 Dion é extremamente inteligente, interessado em ciências como o pai e disposto a aprender tudo que lhe é ensinado. O que ele mais quer, porém, é fazer amigos e ser aceito. Até tentar andar de skate ele tenta buscando se enturmar. Quanto a Nicole, representa muito bem o papel dos pais omissos. Ao invés de conversar com o menino sobre as dificuldades que a vida irá lhe impor, prefere simplesmente deixar o assunto para depois.

Esperenza

Precisamos de um tópico separado para essa rainha. Por volta dos 8 anos, a personagem de Sammi Hanney dá verdadeiras lições de vida em boa parte das cenas que protagoniza. Esperanza é autora de frases como:

“ Eu sei como é quando as pessoas não te veem.”

Cada gesto, sorriso ou frase da menina, nos leva a repensar sobre o quão privilegiados somos. Ao lado de Dion, ela vive boa parte dos melhores momentos da série. A amizade construída pelos dois é linda, daquela que escorre pelos olhos. É pura, é orgânica, é um alívio em meio a quantidade de ficção que a série nos traz.

Raising Dion

Como já mencionado, embora demore a engatar, o seriado todo vale a pena por seu último episódio. O plot twist é verdadeiramente surpreendente, além de explicar boa parte da história. Tudo passa a fazer sentido e o rumo que a trama adere é incrível. Toda a série vale a pena pelo último episódio, mas os anteriores não são fracos, apenas menos  intensos. É uma ótima pedida e você com certeza não vai se arrepender.

Raising Dion já está disponível na Netflix.